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Factores de Crescimento!

21/02/10




Como referi no post anterior, pretendo dedicar-me, hoje, aos factores de crescimento e à sua profícua utilização para o debelar de lesões, cuja técnica é recente e da qual beneficiei muito recentemente. Vou começar pelo princípio.
Na época passada fiquei impedido de participar em grande parte das provas de triatlo e duatlo, devido à persistente queixa que tinha no meu gémeo direito, mais concretamente, no terço médio interior do músculo. A lesão impedia-me apenas de correr, já que entretanto, sempre fui pedalando e nadando. Era no preciso momento da acção muscular de impulsão do corpo para a frente que sentia uma dor terrível.
Depois de desistir do recurso à cura doméstica, primeiro, e esgotado o recurso à fisioterapia depois (que ainda assim me permitiu competir durante todo o mês de Julho), recorri a um ortopedista meu conhecido que me indicou a realização de vários exames, ecografia primeiro, ressonância magnética, depois. E foi neste último exame que foi finalmente detectada a lesão em toda a sua extensão: hérnia na fáscia muscular do terço médio do gémeo interno, acompanhada de uma zona fibrosada. Isto é, estava descoberta a razão que me limitava correr de forma sistemática há já alguns anos. Afinal, o peso não era o mau da fita.
A questão era como debelar esta lesão. Solução: cirurgia, para fechar a hérnia, acompanhada da aplicação de factores de crescimento. O interessante é que os factores de crescimento são usados muito recentemente como técnica para a solução de lesões nos desportistas, mas também em algumas patologias.
Sem querer entrar em pormenores detalhados, a parte essencial da técnica que foi usada no meu caso explica-se deste modo: é feita uma recolha de sangue do paciente, que depois de submetido ao efeito de uma centrifugadora, resulta na formação de plasma rico em plaquetas. Este plasma, em conjunto com as células locais, irá desenvolver processos mais rápidos e precisos de cicatrização e reparar a região lesionada devido à riqueza das substâncias presentes, a maioria de natureza proteica, que juntamente com as hormonas e os neurotransmissores, desempenham um papel fundamental na comunicação intercelular. A função dos factores de crescimento não se resume à estimulação da proliferação celular, mas também em manter a sobrevivência celular, estimular a migração celular, e ainda a sua diferenciação, entre outros aspectos que me escuso de escalpelizar dada a sua complexidade.

No entanto, falei apenas dos aspectos benéficos que, sob o ponto de vista ético, resultam do uso dos factores de crescimento.
Quem já não ouviu falar na eritropoietina e na miostatina, só para citar estes. Pois é! Sendo igualmente factores de crescimento produzidos naturalmente pelo organismo, são recorrentemente usados de forma ilícita para melhorar a performance desportiva. No caso da eritropoietina, cuja produção é segregada essencialmente nos rins (90%), é uma hormona cuja função, de modo genérico, aumenta o nível dos eritrócitos (também designados por hemácias ou glóbulos vermelhos) e consequentemente da hemoglobina no sangue, melhorando desta forma as trocas gasosas e elevando a resistência ao desgaste físico contínuo. Já a miostatina é uma proteína que funciona como limitador do desenvolvimento muscular. A inibição da sua acção faz com que haja um acréscimo significativo da melhoria da força muscular.



Esta temática é multifacetada e complexa, mas deveras interessante.
Sobre os prejuízos resultantes do uso deste tipo de substâncias falarei mais adiante.



Bons treinos e nada de “empurrões”. A beleza no treino está em jogar com os seus factores para deles tirar o melhor proveito possível em benefício da integridade da Pessoa.





Nota: Quero publicamente agradecer aos Ortopedistas Dr. João Nunes e Dr. Helder Pereira o elevado nível de profissionalismo, a sua dedicação na resolução do meu caso e o afecto com que me trataram. Obrigado.

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