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Luso Galaico Extreme 2012: Balanço Final!

27/04/12




Não é por defeito, antes por necessidade. Gosto de fazer a avaliação final das coisas onde participo, para registar a excelência, mas também a mediocridade, quando existam, sempre no sentido crítico de forma a contribuir com a minha modestíssima opinião, fruto de experiências de vida, profissional e privada, para o enriquecimento do que se lhe seguirá. Para quem quiser "ouvir", obviamente. Não é pretensiosismo, acho mesmo que a nossa sociedade está mal habituada a viver com a crítica. Como diria Martin Luther King, "Para criar inimigos, não é preciso declarar guerra, basta dizer o que se pensa". 
Posto isto, a edição deste ano do Extreme, para além da bem maior dificuldade acrescida em termos comparativos com a edição transacta, esteve Muito Bem organizada, em muitos aspectos Excelente! A logística geral (bagagens, dormida, alimentação, partidas, chegadas, postos de controlo, abastecimentos, o percurso) foi excepcional. Por isto, o município de Esposende e toda a equipa que montou e esteve por trás deste evento está Francamente de Parabéns e a eles lhes dedico o meu aplauso. Os aspectos que poderão ser corrigidos, em minha opinião, prendem-se com três coisas simples: 1º - não se justifica um briefing para dizer aquilo que está no regulamento. Neste aspecto, o check-in dos haveres dos atletas poderá ser realizado consoante as disponibilidades das pessoas. Quero dizer que recolher as bagagens e dar conhecimento dos contactos telefónicos pessoais é algo que pode ser feito sem delongas, estes últimos até através de formulário no acto de inscrição. Sair para o repouso às 23 hrs é que deve ser evitado. Muita gente trabalhou durante o dia de 6ª feira e uma saída às 6h30' implica o atempado descanso. Claro que se impõe um briefing, sempre. Especialmente para uma aventura como esta. Há concerteza esclarecimentos a fazer, dúvidas a tirar, mas importa respeitar horários e o rigor aqui deve imperar.  O 2º aspecto que apontaria é uma espécie de sugestão; em Caminha, após a primeira etapa, justificava-se a presença de dois massagistas para ajudar à recuperação dos participantes. Nós teríamos todos agradecido. O 3º aspecto prende-se como uma coisa tão simples como o anúncio público da chegada à meta de cada um dos participantes! Quero dizer que assistir-se à chegada dos "extremistas" sem qualquer informação pública é não informar a assistência do que se está realmente a passar e dispensar mimar os participantes com algo que eles realmente merecem; o reconhecimento do seu feito. É que não é para todos participar num evento destes conseguindo cumprir todas as regras estabelecidas. Aliás, não é por acaso que a própria organização mencionou este Extreme como o evento mais aliciante organizado até hoje, ao longo dos seus 10 anos de existência. No final, dos 106 participantes iniciais, 67 concluíram-na segundo os requisitos. 

A finalizar, agradecer à edilidade o ter-me proporcionado participar num evento de tão inesquecível quanto gratificante pela qualidade da organização, mas também pelas magnificas paisagens, aldeias, gentes que pude conhecer, que de outro modo me seria difícil ter acesso. Por outro lado, a nível pessoal agradeço igualmente o carinho que me dedicaram, certamente a outros concorrentes, o Sr. Vereador da Cultura e Desporto, Dr. Rui Pereira, bem como ao Sr. Miranda, assim como ao Sr. Sérgio, também ele inexcedível no apoio aos participantes, e a todas as pessoas que estiveram na organização (postos de controlo, etc), que sempre tiveram uma palavra de apreço e estímulo.

Abraços e até breve!


Luso Galaico Extreme 2012: Crónica Anunciada - Part II

25/04/12



A Partida para a 2ª etapa

Domingo, dia 21 do mês da revolução. Tenho a sensação de que estamos a precisar de outra. 
Segundo dia Extreme, faltavam 90 kms para Esposende. A previsão do tempo havia-o prenunciado com abertas, mas a verdade é que Caminha estava debaixo de um nublado que me fez sair de impermeável. A noite não tinha sido. Deu para dormitar, apenas. Mas, dormir haveria de conseguir sim, após a conclusão desta aventura. Olho para as pernas e elas piscam-me o olho e agradecem-me os cuidados do dia anterior; estava pronto para mais uma dose. E que tal Metálica às 6h da manhã? Ele há cada um....Nestas coisas de grupos, o civismo tem de imperar, caso contrário...Alguém lá foi ter com o jovem e sensibilizou-o para desligar aquela mini-aparelhagem de alta fidelidade. E...eh lá! quem está a desmontar a tenda, quem é? Claro!! Mr. Special One! Espectáculo. Passei toda a noite a pensar de quem seria a "câmara hiperbárica". Estava desvendado o mistério.
O Hotel
A suite


Algo que ainda não comentei foi a presença das senhoras. É verdade! Poucas, sim, mas cheguei inicialmente a pensar se haveria algumas. Não me recordo aquando do briefing de "sexta-feira, yeahhh" ter visto alguma. Mas havia. Há mulheres do caraças! E sabiam que o primeiro a chegar no sábado havia feito 5h e 30'??? Eu não sabia que as inscrições também aceitavam extra-terrestres. Impressionante!!
Apesar das saídas estarem préviamente anunciadas para as 7h30' e as 8h, a verdade é que a esmagadora maioria sairia às 8 hrs. Muito por força do atraso na abertura da cantina da escola. Penso que apenas quatro elementos terão saído na primeira abertura. 
Ponte de Lima
Novamente a boa disposição entre os rangeres dos ossos e preparativos finais para a partida. Mas, já estávamos todos avisados: a brincadeira duraria apenas 800 metros, porque a partir daí...tocávamos o céu. Primeiras pedaladas pelas ruas de Caminha e toca a empinar a bicicleta. Ainda muita gente junta, mas as subidas sucessivas que se seguiam levavam a que o pessoal, quase todos os que ainda resistiam no Extreme, se fossem separando. O que valeu nesta escalada até quase às portas do Reino dos Céus é que entre as ditas havia umas curvas, que permitia acalentar o desejo de que a penitência estava a acabar. Mas, não! Mais uma curva e mais uma "rampa da falperra". E o pequeno almoço a ser sugado a 200 à hora. Quase tudo em alcatrão, algum paralelo. O meu companheiro segue-me de imediato, mas quando acabamos a escalada e se segue a descida esperada, ele passa para a frente e aí vamos sendo ultrapassados por doidos varridos que haviam ficado para trás nas empenas. Às tantas aparece-me uma mulher. Rapariga, para não ser tão difícil a digestão. E claro! dá-se o picanço. Só que aos poucos, ela afasta-se, afasta-se...até se perder no monte, longe do meu horizonte visual. E aqueles caramelos que subiam pedras de afiar facas como quem lambe um gelado, enquanto eu, coitado de mim, procurava o trilho menos penoso daquele amontoado de ardósias? "Ó tempo, volta pa trás, e deixa-me viver o que não vivi". 



E em pleno Alto Minho, enquanto os cantares típicos da região que nos saúdam por entre sobes e desces, escalamos e descemos, por entre granitos monumentais, aldeias perdidas no tempo, cavalos meio selvagens, à procura do melhor pasto, indiferentes e estes "cavalos" de duas rodas, apercebo-me da belíssima paisagem que se nos depara: lindo! Ora, se mais motivos houvesse para aqui estar, esta seria uma das melhores respostas que a natureza me podia oferecer. Mas, asseguro-vos; que zonas houve em que muitos duvidariam que um complexo amontoado de ossos, músculos e afins, com apenas um neurónio (ah pois, porque isto só mesmo para doidos), conseguiria passar por aqueles trilhos em cima duma bicicleta.
As serras vão-se sucedendo, depois de subir e descer, e hoje a empreitada parece mais fácil, por isso mesmo, porque o desgaste das subidas é compensado pela recuperação nas descidas, alternando no corpo os protagonistas e os antagonistas do movimento. E uma outra dificuldade extra me surge; o sapato direito não encaixa convenientemente. Porquê? Um raio dum parafuso desiste da contenda, diz que está farto de levar porrada e vai-se embora sem aviso prévio. Resultado, passo a pedalar com um parafuso a menos. Se já não eram muitos...Nestes entretantos, cruzamos-nos com outros comparsas e uma paragem para restabelecer energias gastas permite que novos aventureiros se avistem. Alguns vão-se mantendo ora mais atrás, ora mais à frente, tudo em função da gestão, mas o ritmo era semelhante. Os pontos de controlo também se vão sucedendo e começamos a fazer contas à vida; aquela subida final vai dar cabo do resto. A seu tempo. 
Entretanto, os humores do tempo faz-nos tirar e repor os impermeáveis. Lá em cima, em plena serra de Arga, o tempo não está fácil com o regresso da chuva, fraquita mas desconfortável na sua aliança com o vento. Com o tempo as palavras vão-se sumindo entre nós, por culpa minha. As dores lombares começam a transformar-se numa dificuldade, muito por culpa da tensão gerada nas subidas e claro, da tensão nas descidas daqueles trilhos onde só vejo pedra e mais pedra. A determinada altura, já depois duma sequência de subiditas por trilhos, o João Paulo quer tirar o impermeável, porque o tempo abriu e etc. Mal paramos, ouve-se um pfffffffffffffffffffffffffff. Ora, nem mais. Rebenta-se o pneu. Ah ah! mas eu, que me conheço tão bém bem quanto eu, venho prevenido, ah pois. E trago às costas um pneu, usado, mas que naquela altura me faz brilhar a mente. O João Paulo inexcedível, ajuda forte e lá mudamos aquilo enquanto umas diabruras nos vão passando. E...então e o special one? Na frente não vai. Nem é tarde, nem é cedo. No controlo seguinte lá está o homem. Olhamos-nos e sem palavras sabemos o que temos de fazer. É que nem pensar!! Alivio a carga no controlo e segue-se uma valente subida, algumas partes vai ter de ser à mão. 
Azulinhos


Chegamos lá acima olhamos para trás e lá vem o homem. Não, isto não vai ser fácil. A partir daqui ficamos obcecados com essa ideia, ele não pode chegar primeiro. Rimo-nos. E após várias outras nuances, a tal de subida que nos irá tirar a pele até ao final. É a última grande dificuldade dos dois dias. No papel sim, mas não seria. E lá fomos escalando, escalando...se um caracol ali circulasse ao lado gozar-nos-ia à força toda, tal a velocidade imprimida. Aquilo foi duro. No final da subida, a satisfação da tarefa cumprida e a satisfação de nos termos distanciado do homem....ãh? qual quê. O gajo vem lá, diz o João Paulo. Ah caraças! Daqui até ao final não há mais subidas. Tá bonito, tá. Bora lá. Nesta fase, e se até aqui já falava pouco agora é que nem pio, ou quase. Enganamos-nos várias vezes, as suficientes para que Mr. special one nos passe, resmungue qualquer coisa e siga, sem nos dar qualquer dica. É a vingança total. Em Viana, novo engano e outro companheiro dos tais, que ora ficam para trás, ora se aproximam, apanha-nos e vamos com ele. Até ao único abastecimento do dia. Quem estava lá? Special one, mais dois comparsas. A páginas tantas, special one pergunta a alguém "vocês não viram o professor e o outro...não me lembro o nome...eles andam sempre a fugir de mim". Eu estou mesmo virado para ele e digo-lhe "...estás a falar de nós?" "Ah não! São outros, de vermelho". Pois. Saímos todos ao mesmo tempo. Cinco caramelos. E faltam-nos 20 kms para acabar isto, sem declives, subidas, descidas. Tudo em plano. Só que as dores nas minhas costas, massacradas, os pisos arenosos (este curso foi trilhado quase à beira-mar) e a ganância de chegar primeiro para cumprir a promessa que havíamos feito mutuamente no dia anterior, mais a percepção de que o homem estava igualmente a competir connosco, elevou o ritmo da coisa o que veio a revelar-se numa tarefa árdua para mim.Tinha ainda o sapato direito que não encaixava e por isso saltava  muito. Eu não queria perder aquelas rodas e gania lá atrás. Mais tarde soube pelo João Paulo que um dos companheiros lhe havia dito que aquele lá atrás já não dizia nada. Realmente, já não piava. O João Paulo ia bem melhor que eu e olhava-me, como quem diz "anda". E eu andava no elástico, dançando ao ritmo do sapato. Vem uma subida e salta-me a corrente. O João Paulo olha-me e eu respondo-lhe também com o olhar "vai, esse gajo não pode ficar à frente". E ele foi, na roda do outro. Eu fiquei, na roda do special one e mais outro. Os trilhos já são sobejamente conhecidos e os montes que anunciam a aproximação a Esposende cidade vão-se sucedendo e ficando para trás. Chegamos ao alcatrão, para a abordagem à recta final. Eu sabia que special one ia saltar. E saltou. Eu olhei para o outro comparsa e disse-lhe "bora". Colei-me na roda do homem, mas ele está forte e começa a distanciar-se e não tenho hipótese, sou mesmo obrigado a vê-lo de trás. 
Na chegada, o público acotovelava-se nos gradeamentos. Nós, íamos chegando com outros maratonistas dos 70. Um houve que ficou incrédulo quando passamos por ele no despique final. E após a meta, os cumprimentos, as felicitações mútuas e a satisfação da conclusão do Extreme. Dei os parabéns ao special one e rimo-nos e agradeci, muito, ao João Paulo TUDO! Foste um espectáculo.




A finalizar, um encontro inesperado: revejo o João Paulo, este companheiro do triatlo, da Académica de S. Mamede. Estava destinado que nestes dois dias, de uma maneira ou de outra, o triatlo também me iria acompanhar. Grande e forte abraço, João Paulo. Quero reencontrar-me contigo num evento em breve, companheiro.


Termino com a promessa do balanço final em tons de análise crítica.


Abraços e vejam lá se pedalam qualquer coisinha.


Luso Galaico Extreme 2012: Crónica Anunciada - Part I

24/04/12



 As emoções ainda fervilham de tal maneira na minha cabeça que verdadeiramente estou como numa descida de BTT, por onde hei-de ir? É o problema de alguém que vive estas coisas nos limites do emocional. Não há mesmo volta a dar-lhe. Nasce-se assim e assim se há-de cinzelar no fim. Também, se não fosse por paixão nada disto faria para mim sentido.

O dia amanheceu solarengo, como uma temperatura de fazer inveja: 23º às oito horas da manhã, em...Copacabana! Em Esposende a cena era bem diferente: não própriamente frio, mas nunca participei numa edição do Luso Galaico onde não imperasse o sol e o bom tempo e por isso sempre iniciei este extraordinário evento de BTT de calção e manga curta. Não! Este ano as coisas eram bem diferentes, mas em todos os aspectos: um extreme de dois dias, com pernoita em Caminha; um acumulado total de quase 5000 metros!! e a condição de se escolher entre as 6h30' e as 8h da manhã para partir para a aventura. Estas estavam programadas para serem dadas de 15' em 15', dentro daquele espectro horário. E eu, na pastelaria, para o pequeno almoço normal, ia observando a azáfama do pessoal que se ia aconchegando na  grelha de saída.
A presença do Sr. Vereador, Dr. Rui Pereira, era o testemunho vivo do alto valor que o Município de Esposende empresta a este evento, um verdadeiro cartaz do Concelho, a todos os níveis.
Momento da partida, na companhia do fantástico João PAulo
Eu tinha o GPS, que o amigo Hugo ( Propedal), a exemplo do ano passado, me emprestou, mas gostaria de sair com uma cara conhecida. Afinal, a ideia não era propriamente competir, mas partilhar a aventura. E encontrei na pessoa desse jovem exemplo de pessoa, que é o João Paulo, advogado, praticante de taekwondo, que ainda tem tempo para participar num grupo de teatro, mas acima de tudo um "gajo à maneira", o melhor companheiro que poderia ter encontrado para esta aventura. 
Mal demos por ela, estávamos prontos para o que aí vinha. É precisamente neste momento, às 8 da manhã, última oportunidade para iniciar a contenda, que a chuva aperta. A boa disposição, como sempre, imperava, e debaixo dos votos de boa sorte, lá fomos, a liderar o grupo nas primeiras centenas de metros. Sim, porque passado pouco tempo começámos a ver alguns galifões a distanciarem-se, distanciarem-se ...e pronto. Havia que meter o nosso "passo" e mais nada. Cedo comecei a verificar que algo se passava com o meu GPS. A trepidação desligava-o tão constantemente quanto eu o procurava ligar, num combate surdo de teimosia. E ainda cedo comecei a pensar que Deus me terá guiado para aquela hora de partida, mas principalmente para a companhia do João Paulo; é que este ano não iria ser a brincadeira do ano passado, onde falharam as pilhas do GPS num extreme de um dia. Confirmo agora a ideia de que não me teria sido possível concretizar este evento, pelo menos no tempo em que o fiz, se não fosse a parceria com o amigo de viagem. Adiante. Depois de passar terreolas e caminhos de cabras e de andar meio aos esses por aqui e por ali, dei comigo na escalada da Paradela! Primeira grande dificuldade do dia. Com chuva, pois então. Também  cedo me apercebi que a cadência da pedalada entre nós os dois era semelhante. Começamos a apanhar alguns elementos que haviam partido mais cedo, mas também outros que haviam partido connosco se iam distanciando paulatinamente de nós.
Exemplo de uma das vistas soberbas de um dos montes cruzados
Após uma subida há sempre uma descida. O problema, para quem como eu que desconhece por completo os trilhos por onde há-de passar, é que nunca se sabe que raio de descida iremos encontrar; se para partir pedra, se para saltar socalcos seguidos de socalcos, seguidos de socalcos, se vamos voar...enfim. Não se sabe. Nem me passou pela cachimónia que tendo em conta o estado do tempo de sábado e da chuva que tem caído no corrente mês, que o natural era haver lama. Ora, quando olho para aquela parede que tinha de descer e iniciando a sua descida sem decisão e estando ainda  a pensar se desço ou não, dou por mim como se estivesse literalmente num daqueles aquaparks, a descer uma rampa, só que aqui de lama e com socalcos e saltos e o catano, onde em vez de se seguir exclusivamente numa pista se entrecruzam várias outras, não tendo qualquer possibilidade sequer de decidir qual a melhor, muito menos parar...dou comigo a pensar nos dentinhos novos que havia posto há tão pouco tempo e rezo, rezo muito para que Tenhas piedade de mim...Só não fechei os olhos porque não dava. Fiz algo importante; coloquei o centro de gravidade do meu corpo todo para trás do selim e isso, mais as rezas, valeram-me não só descer uma descida que não voltaria a descer, nem que me pagassem, mas também não ter passado os 2 metros de trilho que separavam a encosta donde vinha da outra que se lhe seguia. Ufa! O João Paulo ria à gargalhada. Diz ele que foi lindo! Eu sei que tive um tempo na minha vida em que só pensei em sobreviver!!! 
Ponte de Lima, abastecimento
Refeitas as emoções, lá fomos, a caminho de Ponte de Lima, após 50 kms do início, para o primeiro e único abastecimento do dia.  Perdemos algum tempo aí, mas o espírito era mesmo este. Porém, ter-se-a iniciado um pouco antes de Ponte de Lima uma espécie de competição entre nós dois e um outro companheiro de aventura, bem nosso conhecido, que havia saído 30' antes de nós, e a quem passámos a designar por "Special One", "apenas" porque tinha o número um dos inscritos para esta contenda. Avancemos.
O regresso à "estrada" fez-se a custo e depois dumas valentes escorregadelas de bicla que gerou gargalhadas despregadas do João Paulo, fomos-nos aproximando de uma sequência de algumas valentes paredes onde as gentes se iam encostando para recuperar o fôlego. Às tantas, faltava uma, feita a penantes porque já não havia coração para mais, ficamos sós... Não! Espera! Vem lá o Special One!! Fizemos ali os dois uma promessa, mas vão ter de esperar pelo desfecho. 
Alguns enganos no GPS foi-nos fazendo perder tempo. Assim como as fotos ou as paragens para apreciar as muitas belezas que a natureza ia oferecendo. Mesmo considerando que desejávamos concluir a empreitada em 8 horas, mais coisa, menos coisa. Nesta fase, o João Paulo atravessava algumas dificuldades nas paredes, mas uma altura houve em que tive de parar para alimentar o corpo. Isso custou-nos mais algum tempo e outros companheiros alcançaram-nos. Já rondávamos Caminha, mas olhando para o perfil da etapa ainda teríamos de massacrar o corpo em algumas empenas. Antes, meu Deus! descidas do arco da velha. Umas afoitei-me, outras quando parei para pensar já era tarde e não dava para tentar. Agora sim, cheirava a Caminha e as 8 horas já distantes e as últimas escaladas do dia. Eu só ouvia o João Paulo lá atrás... &%()//&&%%$?"#...vale a pena traduzir? 
Finalmente a ponte que cruza o rio Coura e nos liga a bela Caminha. Chegados ao posto de controlo, a festa da chegada e a primeira pergunta: o Special One chegou a que horas? 18' mais cedo, resposta. E alguém de respeitosa idade diz que me conhece: "Você é famoso!" Viro-me para o João Paulo; "Estão a falar contigo!" "Não, não. É mesmo consigo! Até ganha medalhas no triatlo". " Eu? Bom, ganhei uma vez, em Aveiro. É verdade" " E até tem um blogue". "É verdade que sim, TriatloMania". Pois é...uma fã em Caminha, quem diria? Cumprimentamos-nos, desejamos-nos mutuamente votos de bom fim de semana. Agradeço a simpatia e realmente este mundo por vezes encolhe-se sobre nós.

O final do dia esteve impecável ao nível da organização, apenas com um senão. Falarei disso no balanço final sobre a organização. Depois de um banho morno, a acidez láctica começou a tomar conta das minhas pernas. Nesta fase já pensava como iria recomeçar o dia de amanhã. Tinha pela frente uma noite para recuperar e que poderia eu fazer para me ajudar a melhorar este estado todo empenado em que me encontrava? Primeiro; auto massagem, com um cremezinho para passar após esforços musculares intensos. Segundo; estiramentos antes de me afundar em cima dos colchões de ginástica que serviram de cama. Terceiro; elevação das pernas durante 30', aproveitando um banco sueco que serviu de mesinha de cabeceira. O jantar, esse tinha sido sorvido na companhia de alguns vizinhos comparsas de jornada. E após a partilha do saudável e alegre convívio, eu pedi desculpa e retirei-me para a camarata em que se tornou o pavilhão da escola secundária de Caminha passar a noite a procurar dormir, sem o conseguir. Ops!?  Que é aquilo??? Alguém trouxe uma tenda para o pavilhão. 

Uma fonte na montanha
Continua...


Luso Galaico Extreme; Numa Palavra? Sobrevivi!

22/04/12




Há estórias para contar, várias. Há empeno, muito. Há felicitações a dar, muitas. Há críticas a fazer, algumas. Mas, agora há apenas uma dúvida: como é que irei trabalhar amanhã?


Porém, posso anunciar os números provisórios: 

  • Totais: 206 kms (1º dia 116, 2º dia 90), (quase) 18 horas! (1º dia quase 10, 2º dia quase 8) 
Agora, vou fechar a cortina, imaginem para quê.

Abraços triatléticos, companheiros.




Fechado Para...BTT!

20/04/12





Antevisão do Luso Galaico Extreme 2012, vídeo II

19/04/12





Antevisão do Luso Galaico Extreme 2012, vídeo I

18/04/12





O Luso Galaico Mexe e Remexe...Adrenalinaaaa, Controla-te!!!!

17/04/12



EXTREME - 1º dia (Esposende - Ponte de Lima - Caminha)
Análise técnica do percurso
SUBIDASkm%
entre 1 e 5%:22,3520,97
entre 5 e 10%:9,989,37
entre 10 e 15%:5,164,84
mais de 15%:3,072,89
Total de subida:40,5538,41
Acumulado:2.615,3 mt
DESCIDASkm%
entre 1 e 5%:17,1816,13
entre 5 e 10%:6,416,01
entre 10 e 15%:4,724,43
mais de 15%:5,064,75
Total de descida:33,3731,38
Acumulado:2.605,9 mt
Tempo previstohoras
Tempo médio:9:00










Tempo previstohoras
Tempo médio:9:00








EXTREME - 2 º dia (Caminha - Viana - Esposende)
Análise técnica do percurso
SUBIDASkm%
entre 1 e 5%:18,8620,61
entre 5 e 10%:10,4011,36
entre 10 e 15%:3,593,92
mais de 15%:2,192,39
Total de subida:35,0438,28
Acumulado:2.204,2 mt
DESCIDASkm%
entre 1 e 5%:22,3824,27
entre 5 e 10%:8,919,67
entre 10 e 15%:3,203,47
mais de 15%:2,642,86
Total de descida:37,1340,27
Acumulado:2.234,9 mt


Um Domingo a Monte!

16/04/12




Já havia comentado com alguns amigos/conhecidos que nunca tinha conseguido dar com o mítico, para o BTT, Monte de S. Gonçalo, mesmo tendo consciência de que a aposta nunca terá sido muito convincente. A verdade é que pedalar só no monte é sempre algo perigoso; uma queda, uma avaria qualquer ou outro impedimento que agora não vem à lembradura e o problema de comunicar onde de facto estamos pode tornar-se um verdadeiro berbicacho, e não há necessidade. Mas ontem foi. Na companhia dum GPS vivo, de carne e osso, percebi aquilo que já havia percebido sem o tentar, e lá fomos por um dos imensos acessos que dão ao cume do famigerado monte. Portanto, em boa hora o amigo Victor me convidou para uma sessão pela natureza. E se das outras vezes em que por lá passei, sempre em prova, maratonas Luso Galaico, não houve sequer tempo par apreciar as imensas pinturas naturais que daquele cume a natureza nos oferece, desta feita não. Apreciou-se com tempo e deleite as belíssimas vistas de Viana do Castelo, tão perto e tão distante, Ponte Lima, etc. É, sem dúvida, um belo local de treino, bem durinho, está-se mesmo a ver. E a velocidade durante as quase 5 horas de treino foi tanta que no final a média de pouco mais de 12 kms/hra deixou-me uma interrogação do tamanho do monte: mas, que raio...andei assim tão devagar ou os trilhos percorridos foram mesmo assim tão empinados? Normalmente a minha média anda pelos 15 kms/hra, 17 quando em forma, 19/20 quando não se sobe muito, mas ontem fiquei na dúvida. Eu já sabia que a coisa não anda famosa, mas 12 kms/hra? Se foi assim tão duro, as pernas não ficaram desgastadas ao nível correspondente e ainda bem, porque no próximo fim de semana esperam-me acumulados do arco-da-velha.
Pelo meio, um cruzamento com a primeira prova de corrida a pé do programa eco-emotions e a inveja sentida de ainda não poder correr. Sobre isto hei-de falar ainda esta semana. Mas, pronto. Fica a esperança de que ainda consiga participar numa das provas do aliciante calendário. 
O que me traz há ideia de que e apesar da crise, há mais vida para além do calendário nacional de triatlo e muita coisa pode ser feita à nossa volta e que também alimenta o prazer destas coisas das provas e por aí fora. Claro que nada substitui nada. É diferente, simplesmente.

Abraços triatléticos, companheiros.


A Uma Semana dum Extreme Luso Galaico!

14/04/12




Não me tenho cansado de elogiar este evento, mas tem a justificação que todos os muito bem organizados eventos merecem ter. Para além disso, o prazer de trilhar percursos de excepção, até para um amante do BTT como eu, que não apaixonado (se o fosse, dedicava-lhe a exclusividade que não consigo oferecer ou o tempo que dedico ao tri) é qualquer coisa; o contacto com a natureza, as alternâncias na paisagem, o conhecimento do verdadeiro interior por entre pinheiros, eucaliptos, arbustos vários, sei lá...as descidas vertiginosas e aquele cheiro a terra nas subidas.
Falta uma semaninha, uma semaninha apenas, para me aventurar em dois dias por montes e vales e terreolas desconhecidas, muitas delas, pelo menos para mim. Este ano S. Pedro capricha em nos brindar com chuva e frio e vento e o que mais houver. Não me importo e não me deixo intimidar. Para o frio há solução, para o vento também, assim como para a chuva. Só não há solução para a...isso. E o jersey comemorativo do 10º aniversário é lindo!!  
Já me falaram que o acumulado é assim e assado e cozido e grelhado...quero lá saber. Vou para curtir dois dias com um sorriso no rosto. Subidas haverá em que ele esmorecer-se-á. Será por instantes. Só espero, isso sim, chegar ao fim com os....dentes todos e a burra sem danos, também. Já agora inteirinho, se faz favor ó xôr Pedro dos céus! 

Agora, vou-me retirar para descansar porque amanhã tenho 5 horas de btt para fazer... (boa noite)!  



Clássica da Primavera em Imagens (algumas)!

11/04/12



Todas as imagens divulgadas foram retiradas do registo no facebook de Organização de Eventos Desportivos. Obrigado.

A 1ª volta, com velocidade controlada

No meio do grupo, ainda.

As terríveis quedas

Dificuldade maior: subida ao Monte São Félix

Primeiros a chegar.



Clássica da Primavera 2012: Que Fiasco!

08/04/12



Foto retirada do blogue do CDC Navais
Faz um ano que fui premiado pela primeira vez num evento desportivo na qualidade de atleta e veterano. Esse facto constituiu uma verdadeira surpresa para mim. Este ano a reinscrição não tinha em vista a repetição do êxito, mas isso não quer dizer que não gostasse de repetir a gracinha. No entanto, a realidade era outra e eu tenho dado provas a mim mesmo que nestes assuntos sou uma pessoa muito realista: o momento não é o melhor, uma constipação atrapalha o acto de respirar e o corpo anda meio entorpecido, se calhar ainda em resultado dos treinos com a motoenchada. Mas, acima de tudo a sensação de que isto ainda não rola como gostaria e ambiciono. Mas, vamos lá fazer a clássica porque é um evento muito giro e já desmistifiquei a ideia de que não tenho andamentos para aquela rapaziada. Vai-se até onde o corpo deixa e mais nada. 
O dia estava frio e isso dava algum desconforto. Havia que aquecer bem. Só que no secretariado era a confusão total: levantar o chip, pagar a inscrição, e isso vinha atrapalhar as contas. Eu então tive de tratar de tudo no lugar, por razões que agora não interessa, e lá aceitaram a inscrição na hora. Muitas caras conhecidas de Esposende mas também destas andanças velocipédicas. São sempre (quase) os mesmos e a gente vai-se habituando a encontrá-los nestas provas populares. De manhã haviam corrido os profissionais e esta prova da tarde tinha o extra de contar para o campeonato regional de veteranos e pareceu-me ter ouvido que apuraria os campeões distritais veteranos. Fosse como fosse, a concorrência seria feroz.
Ainda antes da partida fui fazendo umas marcações, para alguma eventualidade...ingénuo do caraças!! 
A partida deu-se com algum atraso, pelas razões já mencionadas e o primeiro obstáculo era mesmo a aragem fria, soprando de norte, exactamente no sentido em que circulávamos. A primeira volta seria em ritmo controlado pela organização, só que...de vez em quando os esticões faziam entender que o pelotão estava nervoso. A passagem pelo paralelo, onde no ano passado havia feito mossa e forte no meu andamento, lá estava novamente e para voltar a fazer mossa. A primeira volta parecia que nunca mais acabava, mas tudo tem um fim e a entrada na segunda volta não veio alterar por aí além o ritmo do pelotão. passou-se a circular a uma velocidade mais constante, isso sim, sem as travagens sucessivas que nos põem os nervos em franja. A mim, pelo menos. 
E chegámos ao paralelo e novamente fico para trás. Resultado: primeiro objectivo tinha acabado de ir à vida (andar com o pelotão até...). Ali vou, mesmo à mingua do pelotão, mas não consigo. Vem o alcatrão e procuro chegar-me próximo, mas estou só e o desgaste é muito. Olho para trás e vislumbro um companheiro. Meto o meu ritmo e ele há-de alcançar-me. Assim foi e os dois vamos à procura de mais colaboradores que se vão desgarrando do pelotão que já não se vislumbra, apenas nas rectas longas. E apanhamos um, dois...este segundo era um rival. Tinha-o marcado na partida e durante a primeira volta. Parecia-me ciclista, mas estava ali como eu. Pior: não ajudou népia. Conclusão, ia pior que eu. Sendo quatro, apenas três trabalhavam e à medida que o tempo ia passando e a estrada vencida, a colaboração ia melhorando, aponto de parecer-mos uma equipa, ou quase. Com naturalidade, aproximava-mos-nos de novos companheiros. Havia um grupo que integrava um amigo de Esposende, que fazia questão de alcançar. Mas, para esses ainda faltava. Talvez na subida decisiva ao Monte de São Félix, já na última volta a anteceder a chegada à meta. Entretanto...o paralelo. Antes, ainda faço um forcing para agarrar um companheiro que insistia em pedalar sem companhia, só que já estava a alcançá-lo quando entro no paralelo e ouço um pimmmmmm....Lá se foi o raio dum raio!! E acabou-se!
De forma que para mim, não para a organização e para o evento em si, foi um fiasco. Deslocar-me, pagar, procurar fazer uma semana de recuperação antes deste evento e lutar até ao fim para vender caro o 3º lugar alcançado no ano passado...custou-me ficar impedido de concluir a prova, vencer o desafio, alcançar o prazer final. Não é a primeira vez e confesso espero que não seja a última, que fique assim, com a menina nos braços. Será bom sinal. Mas, custa-me a paciência.

A organização continua a ter aspectos a melhorar e aquele curso pelo paralelo faz muitos danos. Logo na primeira passagem pude observar gente a encostar. A demora na logística das inscrições que antecede a prova não tem razão de ser, mas trata-se de uma prova popular e....Já na Galiza as coisas são diferentes, muito diferentes. Um problema como o meu teria solução, por exemplo. Mas, no cômputo geral, eu atribuo nota bastante positiva e não fosse o Zeferino nada disto existiria. Para o ano, se Deus quiser, cá estarei novamente. 

Companheiros, até breve e abraços triatléticos.



Beira Alta Triatlética!

06/04/12



Beira Alta
Os meus últimos dias foram passados em Tábua. Entre tarefas agrícolas e treinos, admito que não sei quais me satisfazem mais. Porém, treinar ciclismo pelas estradas da região dá-me um enorme prazer, pese embora o constante sobe e desce característico da zona. Mas, a quase ausência de tráfego, longe, muito longe da realidade com que me confronto de cada vez que vou a Tires, e as fantásticas paisagens do interior, por entre montes e vales, são um regalo para a vista e ajudam a superar os momentos em que a estrada teima em nos ver sofrer. 
E a atracção por Tábua é de tal forma, que há decisões tomadas e quem sabe se um dia Tábua poderá ou não oferecer alguma coisa ao triatlo, quem sabe...Condições mínimas não lhe faltam: barragem da Aguieira a 15 kms de distância, piscina, que sendo mais um tanque, desenrasca no inverno, e na época quente piscina exterior de 25 mtrs. Mais estradas e estradões para correr. Falta-lhe uma pista, mas há o campo de futebol, com zona circundante. O único senão é a pouca miudagem, bem menos que nos grandes centros e no norte do País, e também o menor poder económico da população, considerando a exigência que o triatlo comporta a esse nível. Tem a palavra o futuro.

Companheiros, abraços triatléticos e Feliz Páscoa!


António Jourdan: Até Sempre!

02/04/12



Já não consultava notícias via internet há dois dias, mas o suficiente para ficar perplexo com o desaparecimento precoce de António Jourdan. Primeiro através do facebook, depois através do sítio da Federação de Triatlo, fiquei atónito com a notícia do falecimento deste homem de 41 anos. Não o conhecia pessoalmente, mas apreciava-lhe o trabalho que emprestava à modalidade que cedo abraçou e de que os resultados são um extraordinário exemplo da sua dedicação e profissionalismo. 
De facto, é não mais do que uma linha aquilo que nos separa da outra vida, mas mesmo sendo essa uma diferença tão ténue, é dramático quando essa linha é transposta. Não podia deixar de me associar à dor  da tribo por este trágico acontecimento.
À família enlutada, ao clube onde trabalhava recentemente, à própria federação que dele recebia a sua prestimosa colaboração, a todos, os meus sinceros pêsames. E a melhor forma de lhe prestar homenagem será precisamente continuar-lhe o trabalho que vinha desenvolvendo há muito em prol da modalidade. Proponho daqui que se crie um evento que o lembre sempre. 

Deixo-vos a notícia divulgada pelo sítio da Federação de Triatlo de Portugal António Jourdan.

Abraços triatléticos, companheiros.