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Café Virtual: à mesa com...Anais Moniz!

31/10/10





Trago-vos uma vez mais as opiniões de outra grande figura do triatlo português, sempre em jeito de conversa entre dois amigos. Desta feita, uma figura feminina: Anais Moniz! E palavras para quê? O seu maior feito, Campeã Mundial Júnior - corria o ano de 2005, ainda perdura. Mas, embora esse tenha sido o título maior da sua ainda curta carreira, outros são de destacar, dada a sua importância: medalha de Prata na Taça Pan-Americana de Villarica, em 20074ª Classificada no Campeonato da Europa Individual de Duatlo, Hungria, em 20056ª Classificada na Taça da Europa de Triatlo- Abril – Estoril, Portugal, em 20066ª classificada na Taça Pan-Americana de La Paz, em 2007; 4ª na Taça da Europa, Pontevedra, em 2009Bronze no Campeonato da Europa de Triatlo, júnior - Maio, Portugal, em 2008. E fico-me por aqui, pelos destaques internacionais, apenas. Já o vasto currículo desportivo da atleta pode ser consultado no próprio syte http://www.anaisverguetmoniz.com ou em  http://anaisverguet-moniz.blogspot.com/Mas, a força de vontade da atleta está intacta, como o prova esta entrevista que a Anais concedeu ao TriatloMania. E sinto-me um privilegiado, porque depois de Pedro Gomes, também a Anais se revelou uma pessoa simples no trato, sem trejeitos de vedetismo, sujeitando-se a um período longo de conversa após mais um dia cansativo, com treino incluído...E se só agora aparece aqui alguns traços do seu pensamento actual, a culpa é toda minha, porque há muito que a Anais se mostrou disponível para esta conversa. Resta-me, para além de dar a conhecer as linhas e entrelinhas do resultado da conversa, agradecer uma vez mais a Anais Moniz a sua disponibilidade. Obrigado! E ficamos todos à espera dos resultados, que irão surgir certamente, dos treinos duros a que a Anais Moniz se está a sujeitar. Boa sorte para 2011, querida amiga.


TriatloMania(TM): Anais, como é que “nasceste” para o triatlo? Isto é, como é que a modalidade aparece na tua vida?
Anais Moniz (AM): Desde cedo os meus pais me incentivaram a prática desportiva. O triatlo começou em França, quando tinha 8 anos, e começou por ser uma coisa a brincar.
TM: (…)
AM: a modalidade apareceu também porque a minha mãe já praticava, assim como a minha irmã, que mais tarde acabou por entrar no CAR (Centro de Alto Rendimento), o que me levou a experimentar mais a sério o triatlo. No meu site : anaisverguetmoniz.com, na rubrica "quem sou eu" tem mais coisas especificadas.
TM: Quer dizer que quando te iniciaste verdadeiramente, já havia uma tradição familiar numa modalidade que era quase desconhecida do grande público, em Portugal. No entanto, em França…
AM: Sim, e em França já era muito conhecido e com uma projecção muito grande.
TM: Podes dar alguns exemplos?... refiro-me a acções de promoção, eventos, populares ou federados ou escolares, eram desenvolvidos para atrair os jovens.
AM: Na pequena cidade onde eu vivia existiam duas escolas de triatlo.
TM: Colectividades ou ligadas à escola?
AM: Clubes… nessa altura organizavam  o Iron Tour, que mais não era que a volta a França de triatlo.
TM: Em que distância(s)? E a adesão dos jovens?
AM: Sprint. Eu só participei em duas provas e a adesão era forte.
TM: Nessa altura tinhas 8 anos, como disseste, e a seguir vieste viver para Portugal. Que principais diferenças notaste ao nível da modalidade?
AM:  Bom, eu não era triatleta. Vim para Portugal e iniciei a prática da natação a sério, isto é, competição. Porque em França experimentava todos os desportos e agora desejava fixar-me numa modalidade.

TM: Isso quer dizer que a tua modalidade de base é a natação…
AM: Sim.
TM: …e quanto a triatlo, como é que estávamos em Portugal, lembras-te?
AM: Não me lembro, sinceramente.
TM: E porquê o Belenenses?
AM: O Belenenses sempre foi o meu clube desde que cheguei a Lisboa. E, portanto, quando aderi ao triatlo continuei ligada ao clube.
TM: E já existia a secção de triatlo?
AM: Sim, e é uma das mais antigas em Portugal.
TM: Mais tarde surge aquele que terá sido o teu momento de glória na modalidade…Campeã Mundial Júnior!!                                          

AM: É verdade. Foi um dos meus grandes momentos, mas sei que no futuro irão surgir outros. Embora o dia 10 de Setembro para mim seja um dia muito especial.
TM: Expressa isso por palavras tuas…
AM: Eu entrei para a história do triatlo português porque conquistei um título mundial na modalidade.
TM: Certo. Diria até mais; entraste por direito próprio para a história do desporto júnior Nacional.  E tens a noção de que geraste uma expectativa enorme junto da comunidade desportiva triatlética, especialmente, mas também junto do público em geral, ao mesmo tempo que pontificava já um grande nome, Vanessa Fernandes.
AM: É verdade.
TM: Mas, antes de irmos por aí; que sensações poderás descrever ao teres alcançado esse título?
AM: Toda a gente tinha grandes expectativas de mim, sabiam que eu poderia alcançar um grande resultado. O meu pai um dia antes assegurou-me que eu iria ser Campeã Mundial. E eu todos os dias, depois de cada treino, sonhava com uma medalha.
TM: Achas que essa expectativa desapareceu?
AM: Não.
TM: Pensas que ter ficado um ano (ainda não sei se vão ser mais...) fora da modalidade não te prejudicará grandemente?
AM: Não, porque eu não estive completamente parada, competi.
TM: Competiste, mas apenas em ciclismo, ou também ao nível da natação?
AM: Mais no ciclismo do que na natação.
TM: Recordo-me de ter lido algures, por altura do triatlo longo de Lisboa, de teres dito que mais tarde ou mais cedo regressarias à modalidade. Entretanto, apareces, para mim foi uma muito agradável surpresa, na finalíssima do Campeonato Individual de Triatlo. Isso quer dizer que voltaste em definitivo?
AM: Sim. Esta paragem fez-me bem.
TM: Em que sentido?
AM: Descobri novas coisas, trabalhei…
TM: Por exemplo…
AM: Fiz novas amizades…TM: Isso quer dizer que precisavas de “arejar”?
AM: Sim. Houve mudanças na federação, o que me levou a voltar.
TM: Percebo…por coincidência, "desapareceram" de cena as duas melhores triatletas nacionais. O motivo para ambas terá sido idêntico?
AM: É verdade, mas por razões diametralmente opostas.
TM: Entretanto, já reparaste no nível competitivo que atingiu o panorama feminino internacional. Que comentários te oferece dizer?

AM: Está muito competitivo!
TM: E que achas do nível feminino português na modalidade?
AM: Os resultados internacionais falam por si.
TM: Queres destacar alguém no sector feminino?
AM: Não!
TM: No entanto, a Mariana Costa teve uma evolução muito interessante, ou não és da mesma opinião?
AM: Eu gosto muito da Mariana.
TM: Há rivalidade no sector feminino?
AM: Eu acho que não!
TM: Voltemos a ti; como disseste, fizeste uma experiência no ciclismo. E porquê o ciclismo e não a natação? Ou a corrida?...
AM: Porque gosto muito de ciclismo. E nadei porque gosto muito do meu grupo de trabalho (Belenenses).
TM: Mas, essencialmente, participaste em eventos de ciclismo...pelo menos, foi o que foi mais destacado nos media.
AM: É verdade, mas entre Outubro e Dezembro fiz algumas provas de natação.
TM: Isso quer dizer que tendo tu desejado fazer umas "férias", optaste pelo prazer.
AM: Isso e também porque gosto de praticar desporto e "odeio" estar sem fazer nada.
TM: E como foi esta tua época no ciclismo?
AM: Foi boa, mas a vertente feminina em Portugal quase não existe. Só houve cinco provas, mais os nacionais.
TM: Achas que terá sido por isso que foi mais que evidente o “piscar de olhos” que te fizeram a ti e à Vanessa a Federação de Ciclismo e outros “agentes” (nota minha: comentadores) directamente ligados à modalidade?
AM: Não, não acho. Aliás, precisamente por sermos triatletas fomos prejudicadas.
TM: Como assim?
AM: Por sermos as melhores triatletas nacionais não queriam ter problemas com a Federação Triatlo do Portugal (FTP).
TM: Mas, em que sentido é que te consideraste prejudicada?
AM: Prejudicada não foi a palavra certa.
TM: Voltemos ao triatlo. Não me esqueço da prova do Campeonato da Europa, em Portugal, Quarteira, 2009. Na altura fizeste um segmento de natação de luxo. É a natação a tua melhor parte?
AM: Sim, a par com o ciclismo.
TM: E a corrida o mais fraco.
AM: É verdade.
TM: E como tens resolvido esse "pequeno problema", dado que é na corrida que tudo se decide?
AM: Estou a trabalhar mais a corrida neste momento, com o prof. Fonseca e Costa.
TM: E como estás a evoluir?
AM: Bem, sinto-me bem…
TM: É bom saber. Porque é que tu, tendo sido Campeã Mundial Júnior, tens demorado tanto tempo a afirmar-te no topo ao nível de Elites?
AM: Entre 2006 e 2009 passei por situações que me prejudicaram.
TM: E estão resolvidas? Quero dizer, tens a cabeça completamente limpa para apostar definitivamente no triatlo?
AM: Sim.
TM: Entretanto, houve mudanças na direcção técnica da federação. Que expectativas tens para o futuro?
AM: Precisamente.TM: Não queres adiantar nada sobre o que esperas que vá acontecer ou o que esperas não aconteça?
AM: A mudança para mim foi boa. Estou motivada e acho que agora vou ter as condições para voltar em força.
TM: Já começaste a trabalhar com a nova equipa técnica?
AM: Não, só a partir do dia 15.
TM: Que te parece o CAR de Montemor-o-Velho?

AM: Acho que tem boas condições e para treinar é muito bom.
TM: Mais para treinar que para competir?
AM: Para ambas as situações.
TM: Muita gente se referiu, na blogoesfera, à ausência de público e com isso da falta de visibilidade da modalidade...refiro-me à última edição da finalíssima.
AM: A prova é gira mas é muito longe de tudo.
TM: A Casa do Triatlo que te parece? Isto é, o que pode trazer de novo à modalidade?
AM: É um segundo pólo, onde o trabalho em equipa é bom.
TM: Vamos mudar um pouco; dentro das variantes do triatlo (duatlo e aquatlo), quais preferes?
AM: Aquatlo
TM: Isso quer dizer que nunca te iremos ver num duatlo.
AM: Também não desgosto de duatlo, mas entre as duas prefiro o aquatlo.
TM: Tem de ter água.
AM: (risos…)
TM: Vou fazer-te a mesma proposta que fiz ao Pedro Gomes, quando o "tri-turei": três conselhos para cada segmento (nadar melhor, pedalar melhor e correr melhor).
AM: Ok! Para nadar melhor, é preciso ser-se muito paciente porque não é uma modalidade fácil de aprender...é preciso ter sensibilidade dentro de água. Nadar todos os dias é importante, nem que seja 45’. Ciclismo; pedalar em frequências (algo que aprendi este ano) e saber andar na roda. E quanto a correr, ter muita técnica. No triatlo...gerir bem o esforço.
TM: Pedalar em frequências queres dizer cadências?
AM: Sim.
TM: O que gostas mesmo mesmo de fazer em treino?
AM: Eu gosto de tudo...
TM: Mentirosa!! Gostas das chamadas “séries”?
AM: NÃO!!! De corrida não.
TM: (risos…) Ahhhh!
AM: É um martírio na pista.
TM: E na natação?
AM: Isso sim. Porque já tenho muitos anos de natação e custa-me muito menos. E sei gerir melhor o esforço.
TM: E no ciclismo, fazes séries?
AM: Também.
TM: Rolos?
AM: Só quando chove.
TM: Spining?
AM: Nop!

TM: E o que gostas mesmo mesmo de fazer em treino?
AM: Na natacao...os últimos 200 metros que são sempre suaves (risos…). E depois da água fria da piscina, um grande banho quente. Ahhh...e depois do treino de manhã, umas tostas mistas que a minha mãe faz (mais risos…).
TM: Isso já não é treino, não vale (risos…). Achas que a água a 27/28º é fria?
AM: 26º é frio, para mim. 28 já me aguento bem.
TM: Vais continuar a correr pelo Belenenses?
AM: Belém é clube do coração, mas tenho que olhar para o meu futuro.
TM: Isso quer dizer que já foste assediada por outros clubes?
AM: Vários.
TM: Algum grande?
AM: Vários!
TM: Muito bem. E não vamos entrar mais por aí. Com o teu regresso, esperas naturalmente voltar a integrar o ambiente da selecção nacional. Como caracterizarias esse ambiente?
AM: Será um melhor ambiente, nada a ver com o que passei nos últimos 4 anos em que estive no tri.
TM: Foi assim tão mau?
AM: Nem imaginas!
TM: Ok! Como viste a época de triatlo que agora findou, a nível nacional e internacional?
AM: Acho que houve atletas masculinos em grande destaque.
TM: Quando te perguntei sobre o que consideravas sobre a época 2011 também me referia ao crescimento da modalidade, gente jovem que está a aparecer...que pensas sobre isto tudo?
AM: Para ser franca, não tenho seguido as camadas mais jovens.
TM: Se fosses Presidente da Federação de Triatlo o que corrigias de imediato?
AM: Abstenho-me.
TM: (risos, muitos risos…). Então, vou por outro lado; o melhor e o pior da Federação.
AM: O melhor: provas bem organizadas. O pior: o que sofri nestes últimos 4 anos.
TM: Consigo sentir uma forte decepção (?) quando falamos no passado recente. Consegues expressar o que sentiste quando tiveste de abandonar a modalidade?
AM: Senti uma certa mágoa, mas fiz bem em sair porque precisava de estar num ambiente positivo e estar com as pessoas que realmente me apoiam.
TM: Qual a distância Tri que mais te agrada fazer?
AM: Olímpica.

TM: Sonhas com um Ironman?
AM: Não!
TM: E Longos?
AM: Também não.
TM: Um ídolo na modalidade…
AM: Vanessa Fernandes!
TM: Um ídolo no desporto em geral…
AM: Não tenho.
TM: Um ídolo, simplesmente…
AM: Os meus pais.
TM: Como são as tuas rotinas de treino?
AM: Treinos todos os dias, média 4/5 horas por dia.
TM: Anais, obrigado pela tua paciência e que a próxima época te traga tudo aquilo que mais desejas. E bons treinos, pois esperamos de ti muitas coisas boas.
AM: Obrigado, para ti também. E treina bem (risos…).


Fim!




P.S.: As fotos publicadas foram-no com a autorização da Anais (como não poderia deixar de ser) e encontram-se alojados no seu syte e no seu blogue, já referenciados na entrevista.


Sábado, no Café Virtual, Entrevista com ...Anais Moniz!!

28/10/10



É com enorme prazer que anuncio a publicação no próximo Sábado da entrevista com essa grande triatleta, Anais Moniz, que nos revelou algumas coisas interessantes e uma  meia novidade. Sábado, então.


Até lá, abraços triatléticos e...bons treinos ou boas férias!


Duatlo FestiBike em Imagens!

27/10/10



A azia já lá vai, de mansinho e curvada à força da inevitabilidade. Os treinos continuam, ainda a natação e o ciclismo, mas menos, especialmente a primeira (até parece que já nem sei nadar),  porque importa dedicar mais tempo à corrida. Há muito que não sentia uma quebra psicológica. Foi ontem. Talvez por isso tenha caído redondo no sofá, ainda a meio da tarde. Desejava correr, mas não deu. Ou melhor; dava mas seria forçar e como já não tirava um dia de folga há muito, decidi que fosse ontem. Ainda assim, nadei trinta minutos. Hoje, refeitas as minhas sinergias, voltei à carga, também graças aos estímulos aqui deixados. Nunca é demais agradecer. A verdade é que ajuda a reforçar a motivação.
Entretanto, deixo-vos a reportagem fotográfica do evento de Santarém, graças à dedicação do "acompanhante", o tal que teve de pagar para entrar num recinto onde se disputava uma prova...pública. 


Uma vez mais, copiem à vontade. Até me dá gosto, acreditem.

Abraços triatléticos e até breve, companheiros.


Reportagem fotográfica:

Antes



Durante



Após




Alguns dos "animais" de sonho expostos na feira





O Duatlo de Santarém? Foi-se.

25/10/10



O evento do passado Domingo foi qualquer coisa de ...diferente. Aliás, até gerou e ainda gera motivos de satisfação e motivos de frustração, tal a  dicotomia de sentimentos. Mas, vou tratar em primeiro lugar do Duatlo em si, enquanto prova da Taça de Portugal 



Lino Barruncho


Que forma fantástica em que se encontra este homem. Espectáculo! Uma vez mais, realizou uma prova de grande nível, mesmo depois de no dia anterior ter feito os 20 kms de Almeirim. Ganhou, pois claro. É, sem dúvida, o melhor duatleta da actualidade e já há muito tempo que o prova. Para além do excelente 2ºL de Custódio António, também do Olímpico de Oeiras, é forçoso destacar o formidável 3ºL de José Ribeiro, ao nível da vitória do Lino (apenas a 30'' do 1º), porque é de todo invulgar um atleta V1 conseguir superiorizar-se a tantos de enorme valia e cujas idades são bem mais baixas. Outra referência vai para as diferenças entre os 5 primeiros classificados: 38''!! Pois. A partir daí foi outro(s) mundo(s), outra(s) corrida(s). Os juniores nem vê-los. Já havia escrito sobre as diferenças entre este género de provas e os sprints de triatlo. Aqui são necessárias outras qualidades físicas e psicológicas, em que as idades mais avançadas são beneficiadas. Não sem trabalho, antes pelo contrário, até porque os resultados alcançados diagnosticam precisamente muito empenho no preparo quotidiano de todos.
Desejo também destacar a prestação de Luís Serrazina (Ext. Benedita), no escalão V2, onde acabou no magnifico 20ºL geral, tendo ganho com categoria o escalão onde me enquadro. E neste sentido, também destacar o excelente 2ºL do companheiro amigo Renato Fidalgo (ACDR Painho). 
Em senhoras, grande vitória de Rita Lopes (Amiciclo), muito à custa da sua prestação nos segmentos de corrida, já que no de BTT a Isabel Caetano (individual) esteve magnífica. Aliás, andei em disputa com ela, tendo-me ganho enquanto pude estar em acção. O curioso é que a Isabel fez uma escolha muito interessante da bicicleta a usar no segmento: uma bicla de cross. Lembram-se? das provas de cross que antigamente proliferavam na TV, ali para os lados do BENELUX? Não sei, mas esta escolha pode ter sido determinante. 

Eu

Desta feita não pude concluir a prova. Foi a segunda vez que isto me aconteceu e em ambas as situações por razões pneumáticas. Da outra vez tinha rebentado um "pneu" numa maratona, a do Vouga. Na altura, faltavam cerca de 13 kms para o final. Desta feita, o pneu cedeu precisamente no início da terceira volta, mesmo em frente à zona de transição. A minha prestação estava a correr bem, muito bem mesmo. E, uma vez mais quero referir este pormenor, sem qualquer ambição especial, a não ser a de dar o meu melhor; depois de olhar para os resultados no meu escalão e mantendo o nível demonstrado até então, eu iria acabar em 4ºL (seguramente) ou...3ºL, do meu escalão. Tudo iria depender muito da corrida final. Mas, não. Não foi desta e já não vai ser no escalão V2 que alguma vez provarei o sabor da subida a um pódio no final de uma prova. Paciência. Não é mau de todo saber que consegui morrer na praia por mais do que uma  vez desde que cheguei à modalidade, fez dois anos precisamente nesta prova, a 1ª edição.
Aspectos positivos: ter corrido próximo dos 4'/km. É um objectivo traçado para a minha capacidade ao nível da corrida a pé, baixar dos 4'. Ainda não foi desta e dificilmente seria, até porque no dia anterior houve treino a pensar na maratona, objectivo prioritário nesta fase. E considerando as incidências desta época, só posso estar contente, muito contente. Outro bom aspecto foi, claro, voltar a privar com a tribo da modalidade, e neste sentido foi bom ter estado um pouco com a Bibicas, uma simpatia, com o "cigano" do Pedro Pereira ( um abraço), e com todos os habitués da modalidade e que começam a ser rotineiros nas minhas referências e por isso não as repito. Foi pena não ter tido mais tempo para a família Pitarma, mas desculpem-me a deselegância de não ter interrompido o aquecimento. Ainda deu para umas promessas futuras. Outro lado positivo desta edição, a terceira, foi ter contado com a mais elevada participação alguma vez verificada. A visita à feira com os benefícios que isso traz sempre, também foi positiva.
Os aspectos negativos: este era um evento muito ansiado por mim; porque tem um traçado que adoro e onde me encaixo na perfeição e que usualmente é muito bem organizado. Para além do mais, no ano transacto não pude marcar presença devido a uma lesão de última hora. Por isso, este seria o ano. Ter-me deslocado a Santarém para...inacabar, foi frustrante, muito frustrante.  Se a zona de passagem (entre os lancis) onde a câmara de ar do pneu traseiro cedeu, estivesse acondicionada como deve ser, com areia de saibro ou outro material qualquer, mesmo uma plataforma, de metal ou outra, como havia noutras passagens, várias e idênticas no percurso, isto muito certamente não me teria acontecido. Também não estarei isento de responsabilidades, já que poderia ter sido mais cuidadoso nesta segunda passagem. Mas correu mal. O que quero deixar claro é que tudo deveria ter sido feito para que estes riscos  pudessem ter sido evitados. Como diria a minha mulher no final "antes isto que um problema nos gémeos"! Maria João dixit. 
Neste sentido, também considerei que algumas zonas da corrida a pé, aquelas em que havia erva e bastante alta, deveriam ter sido melhor preparadas, a não ser que a crise tenha "obrigado" quem de direito a aproveitar a data da prova para poupar na conta do combustível para o respectivo corte. Enfim. Outro aspecto foi a Federação não me ter perdoado o ligeiro atraso no pagamento da prova dentro do prazo (só me lembrei na madrugada de 5ª feira) e ter-me "premiado" com os 5 € da multa. Fazendo eu 700 kms para propositadamente realizar este evento, só tenho que agradecer a sensibilidade. Sim, regulamentos são regulamentos. Também não posso deixar de referir a injustiça praticada para aqueles que, sendo federados, o são no género individual, em comparação com os atletas licenciados de um clube; é que os primeiros não tiveram direito à entrada gratuita do acompanhante, os segundos tiveram. Reparem neste pormenor: durante toda uma época o acompanhante, sendo parte essencial para o atleta, é também público nos eventos, é merecedor de toda a atenção e carinho que se lhes possa dedicar porque ele mesmo é dedicado nessa tarefa, de acompanhar e ainda de apoiar.
Os banhos também não foram um bom exemplo, porque juntar as senhoras e raparigas e os homens e os rapazes exactamente no mesmo espaço de vestir, foi um bocado constrangedor para todos e deve ser evitado. E depois do banho, ter apanhado uma seca na fila de espera para as sandes de presunto, foi pior que participar na prova. E pronto, não quero bater mais no ceguinho...




A feira foi gira e deparei-me com a imensidão de pessoas que a visitaram. De facto, numa actividade quase cem por cento masculina, muitas foram as famílias que lá se deslocaram. Quando saí, meio da tarde, havia farta fila nos acessos ao Centro de Exposições. Para além disto, é uma oportunidade muito boa para adquirir material a preço abaixo do normalmente praticado no mercado."Crisis? What Crisis?"  
Ao passar a portagem do Porto, e parando nos novos atendedores ao público, as máquinas automáticas, pensei que desgraçadamente algumas pessoas ainda não perceberam que a qualidade no atendimento pode ser decisiva para a manutenção do posto de trabalho. Estas máquinas atendem-nos bem, com educação, de forma polida e assertiva, ao contrário de muitos funcionários (alfacinhas), infelizmente. Apenas um senão em desfavor da maquineta; saudades do sotaque. Estava à espera de um " Mete u cartãoe, carai" ou "Boua Viage e leba-me esse chaço dakie", e saiu-me um normativo linguístico transversal, do norte ao sul, leste a oeste. É pena.   


Fotos a partir de amanhã. Agora, venha de lá essa maratona.
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Abraços triatléticos.