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Duatlo Regional (BTT) Póvoa de Varzim (28.03.10): O Filme.

29/03/10



Porque também filmei...porque é uma forma diferente de difundir a prova; apresento o filme possível. Pura diversão.



Fim de Semana Longo (Porto Santo) e Curto (Póvoa de Varzim)!



Ora aí está, a minha primeira prova da época. E se correu bem...sempre num virote, a correr dum lado para o outro, ora fotografava aqui, ora filmava ali, sempre a abrir. Ah! pensavam que eu  tinha corrido mesmo...Também eu gostaria de o ter feito, mas não foi bem assim. Será lá mais para o verão (Junho ou Julho). Foi mais trabalhar para esta coisinha do blogue e rever gente conhecida, muito agradável. Já tinha saudades da amena cavaqueira, com a malta do CVP (elegantes que eles estão), com o Luís da FTP (obrigado, Luís, por me desejares ver antes na outra função), e com os amigos da AAC, que até pernoitaram em minha casa. Espectáculo! E mais uns quantos, daqui e dali. Foi bom ter também conhecido a malta do tribraga, que afinal é triplagitada no oficial. E já que vem a talho de foice, aqui ficam duas novidades lançadas na manhã de hoje: ainda este ano, irá haver o Triatlo supersprint da Póvoa, tal como houve no ano transacto, e ficou a promessa de que para o ano Braga estreia-se na organização de eventos oficiais da FTP. Ãh? Que tal? Ainda  não competi este ano e já estou ansioso para o próximo. 




Bom, passando à prova propriamente dita, excelente o percurso de corrida, sempre em terra batida, nada de alcatrão (não é agradável?), pelo belo parque da cidade da Póvoa, em crescimento. Um lugar de eleição para os poveiros, já que convida à prática de multiplas actividades, desde as desportivas, às mais reflexivas (ler) ou até afectivas (namorar). O percurso de BTT estava no ponto, porque a chuva caída nas dias de 5ª e 6ª feira enlamearam os trilhos de que os tractores fazem uso para aceder aos campos de cultivo, e isso tornou o segmento mais difícil e, por isso, mais próximo do espírito betetista. Claro, há muita gente ligada aos eventos organizados pela FTP que torce o nariz à coisa, mas é assim mesmo, amigos. Eu pessoalmente adoro ficar todo acastanhado. A roupa que se lixe, vivó prazer! O tempo esteve bem, sem grandes alaridos (sol ou frio). Os aspectos negativos, que infelizmente também houve, e por isso tenho de registar, prende-se mesmo com a organização: muito má a inexistência do corte do trânsito na zona de saída do parque de transição para o troço de estrada (de paralelo). Deveria haver uma delimitação clara da zona vedada para os atletas (com barreiras metálicas ou mesmo cones, por exemplo) e não houve. Ou então, o corte temporário do trânsito. Não é fácil para quem participa numa prova, e que o faz em esforço, sempre,  tenha de estar atento ao carro que vem de frente, mais o que vem por detrás, mais a pessoa que tipo barata tonta circula ininterruptamente dum lado para o outro!quer dizer...Depois, deveria ter-se dado mais atenção à zona mista, de cruzamento entre a transição do btt e a corrida, porque os atletas viram-se confrontados, mais uma vez, com a passagem sucessiva de transeuntes que por muitos avisos que se faça, andam sempre dum lado para o outro. Por último, deixar ao speaker esta tarefa, mais a tarefa de guia no curso de corrida, no primeiro segmento, mais a logística relacionada com as partidas, e o controlo do tráfego a pé, e outras tarefas de que resultaram um claro e significativo atraso no começo da prova, penso que é muita empreitada para uma pessoa só.
As performances: bom, eu pensava que os grandes vencedores tinham sido o pessoal do Amiciclo de Grândola, mas perscrutando a classificação oficial, ressalvando a possibilidade de ter havido algum erro,  afinal o grande vencedor foi o João Pereira, do Clube dos Galitos. E pelos vistos muito mais gente terá sido desclassificada, porque não aparecem sequer na classificação! "Só sei que nada sei", é o que se me afigura dizer. Pois, porque também no sector feminino "eu vi", "eu ouvi", que a vencedora terá sido também do Amiciclo, mas não, pelos vistos sorriu a Paula Vizinho, também dos Galitos. No plano colectivo, vitória do Clube de Triatlo de Perosinho. Muito bem.
Deixo-vos as fotos da "minha prova". Espero que gostem. Divirtam-se e...toca a treinar porque "amanhã à mais".







No fim de semana do Longo de Porto Santo, sucedeu aquilo que tinha de algum modo deixado entrelinhas quando e perante o desafio do Sica, de Peniche, me perguntava quem iria ganhar por aquelas bandas. Na altura disse-lhe que se o Lino se aguentasse na natação, que iria ser um caso difícil de ultrapassar. E ganhou, o Lino Barruncho (Olímpico). Que grande início de época! Pois, cinco minutos a mais que o Pedro Gomes no primeiro segmento não foram suficientes para destituir o homem do primeiro lugar, como se à partida lhe estivesse reservado.  
Uma palavra também para o Sérgio Marques (Alpiarça) que alcançou um excelente 2º L, e outra para o Pedro, que paulatinamente vai fazendo a sua preparação para outras provas. E um pódio totalmente português, com o relativo que isso tem, já que me parece que os de Castela não apostam totalmente neste também designado evento ibérico. Ainda no sector masculino, grande prova do V2 Miguel Fragoso. Um nome que já aprendi, rapidamente, a fixar. No sector feminino, bela vitória de Vanessa Pereira, que até tem nome próprio de campeã. Mas, e acima de tudo, parabéns a todos pela conclusão da prova, porque longos não é para todos, definitivamente.


Nota: As imagens relativas ao Triatlo Longo de Porto Santo foram retiradas de triatlomadeira.com


Duatlo da Póvoa de Varzim e Triatlo Longo de Porto Santo: Previsão do Tempo e Start List!

26/03/10



O Duatlo BTT (circuito regional) que irá ter lugar na bela cidade da Póvoa de Varzim, será acompanhado de temperatura amena, algum vento sul e um sol meio envergonhado. Tudo aparentemente, porque já sabem que estas coisas de previsões muda a cada esquina.

(Fonte: Accuweather.com)

(Fonte: FTP)


A primeira prova da época a contar para o Campeonato de Triatlo Longo e  Taça Ibérica de Triatlo, terá igualmente uma temperatura amena para o momento da prova, algum sol pelo meio, e alguma brisa. A ver vamos se será assim.

(Fonte: Accuweather.com)

(Fonte: FTP)

A finalizar, um dado relevante: este fim de semana registar-se-á a alteração da hora, de Sábado para Domingo, o que é óptimo para quem tem de treinar ao fim do dia e gosta do offroad, como eu.

Boas provas!



Triatlo do Ribatejo, Visto à Distância de Uma Lupa.

25/03/10






Nem com melhor propósito se poderia designar a albufeira de Alpiarça como a barragem dos Patudos. Não sei de quem foi a ideia (da Federação certamente não terá sido!), como surgiu a sua designação, mas que dá a bota com a perdigota, lá isso dá. Que outro melhor nome (carinhoso, ao mesmo tempo que humorado) para caracterizar as mais de 350 pessoas, todas elas bem intencionadas, pois claro, nadando, umas, chapinhando, outras (como seria certamente o meu caso) 750 mtrs na água de todas as esperanças? É apenas mais uma de muitas provas que este ano tenho de "ver de longe", com muita mordedela no lábio inferior e dor de cotovelo em ambos os braços, porque esta do Ribatejo teve um sabor especial, porque duplo: o primeiro triatlo do ano e com um sabor internacional, que começa a ser usual nesta época do ano, dado que a Selecção Russa de triatlo aproveita a boa ventura do tempo para estagiar no nosso cantinho à beira-mar plantado, mas porque contou igualmente com a presença dos nuestros hermanos do Aquaslava-Servicom eTriatlón Pacense, e outros em nome individual. Além disso, triatlo rima com duatlo mas, como diz o outro, não é a mesma coisa; triatlo é o desafio, aquele que vale o esforço, a dedicação e praticamente tudo o resto! Como li num comentário no blogue do Sica (penso que foi ...), alguém que experimentou disse que ficou "agarrado". Aconteceu-me o mesmo. 

A prova propriamente teve um vencedor que está empenhado em coleccionar vitórias neste início de época - João Silva! Grande vitória, a provar que está de facto num momento muito forte, seja em duatlo, seja em triatlo, especialmente valorizada não só pela presença dos maiores de Portugal, mas também pelos atletas russos, de grande valia, e ainda pelo 2º lugar alcançado pelo Duarte Marques, um atleta Olímpico, de largo traquejo competitivo. De destacar também as provas de Pedro Palma, em representação dos estreantes e meus vizinhos  "Clube Fluvial Vilacondense", do Ruben Costa e João Serrano, respectivamente em representação do Sporting e Alhandra, no caso do Ruben a transparecer que a lesão que o apoquentou recentemente parece estar debelada. Outro nome forte do triatlo português apareceu, finalmente- José Estrangeiro, a realizar uma prova dentro do nível a que nos habituou na pretérita época. E por falar em Estrangeiro, realço este pormenor: nos 30 primeiros, aparecem 12 Juniores e 7 Sub 23, isto é, 63% de malta novinha em folha. São estes dados que nos permitem sonhar com um muito bom futuro (no mínimo) na modalidade, no sector masculino.
Destaco também a desclassificação de Bruno Pais (Benfica), e igualmente o tempo (não) alcançado pelo João Pereira (Alhandra) no segmento de corrida (o pior dos 30 primeiros), a dar-se a  perceber das razões porque terá estado ausente dos duatlos realizados até ao momento, concerteza alguma mazela o tem importunado quanto baste, porque não é normal um tempo assim  num atleta do gabarito do João.


No sector feminino, enorme demonstração de poder russo, com a defesa da honra da casa, por assim dizer, a cargo de Maria Areosa na luta pelo 5º lugar. Não está fácil a vida do triatlo feminino no cenário internacional. Excluindo a Vanessa Fernandes, e agora por período indeterminado da Anais, não temos ainda capacidade para lutar pelos lugares cimeiros quando nos cruzamos com atletas fora de portas. Muitas razões existem (culturais, mentalidade, educacionais...), até porque não é só nesta modalidade desportiva que, comparativamente, Portugal tem falta de competitividade neste sector. Só há um caminho; trabalhar, trabalhar e trabalhar. Em todo o caso, adivinha-se uma luta interessante na presente  época entre Maria Areosa, Mariana Costa e Bárbara Clemente.


Em V2, grande surpresa, pelo menos para mim, e um nome a fixar: Miguel Fragoso, do Vitória de Janes. Espectáculo! Nunca pensei que, para além do António Horta, alguém pudesse bater o pé ao Carlos Gomes. Enganei-me. Há esse, exacto! Miguel Fragoso. E adivinho muita dificuldade para lhe chegar próximo, já que é bom nos 3 segmentos, ao contrário do Carlos, que encontra na Natação o seu segmento mais fraco. Também quero registar o reaparecimento, finalmente, de Emanuel Marques, da Académica de S. Mamede. E novamente no pódio, donde tem dificuldade em sair. Parabéns, Emanuel!

Por equipas, o domínio habitual do Olímpico, e logo nos dois sectores. Continuam muito à frente. O Praças da Armada andou ali numa luta interessante, na cave da classificação,  com os amigos de Peniche e, porque não dizê-lo, também com a Académica de S. Mamede, mas ficou aquém, desta feita.


Para finalizar,  até porque já são horas, gostei da decisão da Federação em separar as partidas. Foi sensato. Aliás, as partidas em triatlo constituem um verdadeiro problema, que pensava eu só teria acontecido comigo, mas pelo que vou lendo, também bate à porta de muitos outros; os pontapés, braços que batem no sítio errado e à hora errada e na pessoa que está mais à mão, levando a situações aflitivas, porque o são na água. Eu cá já tenho a minha dose.


(já reparam nessa prova interessantíssima que aí vem? Falo do XTerra...deve ser um espectáculo! que nervos!!!)


Até breve e bons treinos.

Nota: As fotos expostas foram retiradas do sítio da Federação de Triatlo de Portugal.


Correcção: Quando me referi ao triatleta João Serrano, por lapso indiquei o clube "Alhandra", quando de facto deveria ter referido S.R. Camarnal. As minhas desculpas.


Café Virtual: à mesa com...Pedro Gomes!

21/03/10



É com enorme prazer que inicio esta rubrica com um convidado do calibre de Pedro Gomes, um dos mais elevados atletas nacionais de resistência aeróbica da actualidade. Dificilmente poderia começar melhor. Para além do enormíssimo triatleta que é, com um palmarés de invejar, como a foto inclusa demonstra, também é uma personalidade cativante, com generosa disponibilidade, porque "aturar-me" como ele o fez, durante cerca de duas horas, não é fácil, após um dia extenuante, como o são todos na sua vida, e num momento do dia em que o repouso é fundamental para lançar mais um dia, logo às 7h da manhã.
Um grande "Obrigado, Pedro"!  


Tenho dificuldade em destacar os excelentes resultados que Pedro Gomes tem alcançado ao longo da sua carreira.  Selecciono os seguintes. E consultem o seu sítio na rede (mencionado mais abaixo, na entrevista), para se impressionarem como eu me impressionei.
2006: Campeão Nacional Absoluto de Longa Distância/Vencedor Triatlon Internacional de Guadalajara
2007: Campeão Nacional Absoluto de Longa Distância/Vencedor do Triatlo Sprint de Penacova (para mim o mais duro de Portugal, na distância)
2008: Vencedor do Triatlo Longo Homem de Ferro, Abrantes
2009: Vencedor Triatlon Internacional de Guadalajara/Vencedor Taça Ibérica de Triatlo Longo/Vice-Campeão Nacional de Triatlo ( Olímipico)/2º Triatlon Titan Sierra de Cadiz

TriatloMania (TM): Lendo o teu sítio na “rede” (http://www.pedro-gomes.com), percebo que te iniciaste na modalidade através da natação, ou não foi bem assim? Isto é, o que te levou a optar pelo triatlo?
Pedro Gomes (PG):   Pode dizer-se que sim, apesar de tudo a título meramente amador. No princípio queria aprender a nadar, algo que até aos 14 anos nunca me tinha passado pela cabeça. Depois, e muito por causa do meu pai, comecei a dar as minhas corridinhas também a título amador e com o objectivo de manutenção. Estava a ficar como os nossos adolescentes… gordinho e demasiado sedentário. Era altura de mudar. O Triatlo veio uns anos mais tarde.
 TM:   Chegaste a ter algum protagonismo na natação?
PG: Na natação? Não, nunca. Aliás é o meu maior handicap. A natação é um desporto muito técnico e que envolve uma aprendizagem de longa duração. Em simultâneo, é também um desporto muito precoce: é preciso começar de pequenino, quando o corpo se está a desenvolver.
TM: Mas, tu nadas bem...ou é impressão minha? Isto é, para ganhar provas ou fazer pódios, ou ainda andar lá muito próximo, é muito importante andar lá bem na frente…
PG: Posso até nadar bem para o comum triatleta, mas não nado ao nível dos melhores (do Mundo) e isso faz toda a diferença, principalmente nas provas mais curtas.
 TM:  Se não fosses triatleta, que outra modalidade pensas que poderias ter seguido?
       PG: Talvez o atletismo de fundo, maratona nomeadamente. Quando saltei do sofá e me tornei "atleta" por assim dizer, acho que passei logo para o extremo: queria algo difícil. Um desporto de endurance e a sério, como lhes chamo.
TM: E porque não te dedicaste ao atletismo, já que sendo uma modalidade clássica, com uma história ao nível do fundo e meio-fundo muito rica, poderias ter outro tipo de protagonismo, alcançado outro nível de reconhecimento...

PG: Não me dediquei ao atletismo porque não era meu objectivo dedicar tanto tempo (agora que olho para os dias de hoje) ao desporto. Fazia-o apenas por manutenção e lazer, sem objectivos competitivos. Foi também assim que comecei a fazer triatlo. Impulsionado por um amigo, fui fazer uns aquatlos pelo gozo de nadar no mar e correr na areia sem nunca pensar em resultados. Nos primeiros anos nunca levei o desporto muito a sério, era apenas um hobby.

 TM: Disseste que desejavas uma "coisa" difícil...estou a lembrar-me de Penacova...Guadalajara....Sierra de Cadiz...isto quer dizer que és um homem de desafios difíceis?
 PG: Desafios difíceis sim. Ao investir tanto tempo neste desporto, procuro sempre os desafios mais difíceis. Seja em distância ou em percursos, completar os mais difíceis tem um sabor especial. Terminar um triatlo curto, quase todo o comum mortal consegue. Terminar provas de Longa Distância já não está bem ao alcance de todos… apenas dos que treinam, claro.
TM:O triatlo é uma filosofia de vida, como é o surf para os surfers, ou as motos para os motards, só para citar estes exemplos?
PG: Sem dúvida, com a agravante que se perde o triplo do tempo. Não estamos a treinar para uma disciplina, num local único, num esforço único. São três esforços diferentes, três locais de treino diferentes, todos os dias. Acaba por ser um estilo de vida único à semelhança de algumas outras modalidades.
TM: Pode-se dizer que é a partir do triatlo longo que se adquire plenamente essa filosofia do “ser triatleta”?
PG: Eu próprio não o colocaria de outra forma: apenas com o triatlo de longa distância se adquire plenamente a filosofia do “ser triatleta”.
TM: Que conselho poderias dar a quem nos lê e que deseja incorporar essa filosofia?
PG: Como qualquer outra, é um mundo onde se leva o seu tempo a incorporar. São conhecimentos que se adquirem, ritmos de vida e hábitos que se incutem naturalmente, uma disciplina de treino e vida que se adquire e gostos muito próprios. Quem deseja entrar neste estilo de vida deve começar por aceitar que isto é um desporto de endurance e envolve sacrifícios, seja de tempo ou de hábitos. Há coisas que vão ter que abdicar, mas o sabor na chegada de uma prova é algo indescritível e que faz tudo valer a pena.
TM: ...e já que referes a necessária "perda do triplo do tempo", explica-nos de forma simples mas crua (risos) como é a tua programação diária de treino...
PG: De forma rápida e sucinta, é necessário acordar (muito) cedo para aproveitar bem a luz do dia. Lembrar que é um desporto essencialmente de outdoor. Nadar é a melhor opção para começar o dia quando o sol ainda não nasceu. De seguida, e porque ainda existem muitos condutores intolerantes, a melhor opção será sempre ir dar uma volta de bicicleta até à hora de almoço, enquanto os automóveis não têm "pressa" de chegar a casa. Com o final do dia nada melhor que terminar com uma corrida com aquela luz de final do dia e uma leve brisa num qualquer espaço aberto.


TM: E sobra-te tempo para mais alguma coisa na tua vida? Isto é, como consegues conciliar uma actividade tão absorvente e uma outra profissional?
PG: Tem que sobrar. Sempre me disseram que as pessoas mais desorganizadas são as que têm menos coisas para fazer durante o dia. Neste momento tem mesmo que sobrar porque em paralelo à vida de Triatleta, trabalho como Web Designer e o trabalho é bastante. Contudo e dado o facto de poder trabalhar "em casa" e ao meu ritmo, tenho conseguido conciliar estas minhas duas vidas. Para o resto, como seja sair com os amigos ou outros hobbies… bom, pouco, muito pouco tempo.
TM:  Treinas todos os dias três vezes?
PG: Três vezes por dia seria um "dia" fácil. Normalmente os dias incluem sessões de alongamentos, ginásios e alguns bi-diários do mesmo desporto, pelo que  a média deve rondar os "3 e meio".
TM: Lá atrás, citaste a natação e o atletismo. O ciclismo é o patinho feio?
PG: Longe disso. O ciclismo é inclusive o desporto que pratico com maior facilidade e mais gosto. Contudo, é um desporto onde há pouco a saber... não há bi-diários, e não há trabalho técnico (para nós, triatletas). Portanto, não tem muita ciência: 5 vezes por semana, passeios de 2 a 4 horas.
TM:  Dos três segmentos, qual o que te dá mais gozo treinar ou realizar em competição?
PG:  Acho que ficou respondido atrás.
TM: No  ciclismo: não fazes séries?
PG: Exacto.
 TM Quem prepara os teus treinos, quem faz a tua programação ao nível da metodologia de treino e preparação da época?
PG: Todo o planeamento e programação é feito pela Direcção Técnica Nacional (DTN) que actualmente é composta pelo Sérgio Santos e Bruno Salvador.
TM: Quer dizer que o teu clube, Olímpico de Oeiras, funciona mais como sponsor e apoio logístico...
PG: Exacto, o Olímpico de Oeiras é o meu clube e apoia-me logisticamente.
TM: Voltando ao ciclismo, não és grande fã do BTT, ou simplesmente procuras evitá-lo dado os riscos que comporta?
PG: O BTT é uma modalidade que requer muita técnica em cima da bicicleta. Não gosto de cair, ninguém gosta, e os menos dotados em cima de uma BTT normalmente estão sempre a cair. O risco de lesão é grande e o desgaste do material extremo. São custos e riscos desnecessários que não gosto de assumir.
TM: Como apareceu o Olímpico de Oeiras na tua vida?
PG: Apareceu por convite. O Olímpico de Oeiras criou uma secção de Triatlo e juntou alguns dos melhores atletas nacionais. Cedo se tornou uma referência nacional e um dos "grandes". Em 2008 surgiu o convite e desde então nunca me falharam.
TM: Falaste à pouco da equipa técnica da FTP. Tu fazes parte do projecto Olímpico para Londres, certo?
PG: Fazia até este ano, mas um pouco por empurrão da DTN, que via em mim qualidades para tal. Contudo, a minha visão sempre foi diferente e os meus objectivos sempre se focaram muito mais na longa distância. Não coloco (ainda) de parte a possibilidade de vir a integrar novamente o projecto, contudo este ano estou 100 % dedicado à longa distância sendo que o Europeu, o Mundial e a minha estreia na distância Ironman são os meus principais objectivos.
TM:  Qual a ou as provas que te dariam um prazer especial ganhar?...
PG: Quem disse que ganhar não é tudo, provavelmente perdeu. E neste momento encaro o desporto dessa forma, com objectivo competitivo. Dava-me um prazer enorme ganhar qualquer uma das três provas que mencionei em cima, contudo não são objectivos realistas. Não entro derrotado e vou competir sempre para ganhar, mas para já dar-me-ía a época por vingada se entrasse nos 8 melhores do Mundo, cinco melhores da Europa e fazer uma marca abaixo das 8h30 na minha estreia no Ironman.
TM: Já agora, que provas tiveram maior significado para ti?
PG: Não sou muito sentimentalista em relação a provas. Acho que o meu primeiro Europeu de Longa Distância (onde fui 8º na Elite) tem um significado grande na minha vida até agora. Foi então que percebi que era capaz de algo e que a minha passagem de "batata de sofá" para atleta tinha sido conseguida. Outra das provas que me dá especial gozo fazer é o Triatlo Longo de Guadalajara onde sempre fui acarinhado pela organização e num percurso que me assenta na perfeição. Em Portugal, nada me dá mais gozo que a prova de Penacova e o Triatlo Longo de Lisboa. Penacova, porque tenho sempre marcado pequenos (mas eternos) duelos com amigos, e Lisboa porque é uma prova onde já lutei com alguns dos melhores do Mundo e me sai especialmente bem (2008 fui terceiro entre eles).
 TM Tens algum acompanhamento ao nível da nutrição?
PG: Ao longo dos anos tenho lido muito sobre nutrição. Qualquer triatleta tem um pequeno anorético dentro de si e informa-se sobre tudo. Acompanhamento especial não tenho tido, contudo vou aplicando o que leio e alguns conselhos de treinadores e amigos.
TM: Explica-me , então, porque pode ser que assim me ajudes, como consegues controlar esse apetite voraz pelo chocolate…
PG: (risos) O meu companheiro de quarto sofre do mesmo e para além de ser extremamente magro, não deixa de ser um excelente triatleta. Portanto, o chocolate faz bem em doses moderadas. Não se controla o apetite para as coisas que realmente gostamos, apenas doseamos bem as porções. Dois quadrados por dia, é o que ele me conta.
TM: Já te confessaste guloso por doces...aliás,imagino que seja por essa razão que te alcunharam de...krepe (digo eu).
PG: O "Krepe" vem dos tempos de adolescente. Sou extremamente guloso mas - e curiosamente - a alcunha não vem dos crepes, não dos doces. Tudo começou quando eu tinha os meus 15/16 anos e comecei a ser frequentador assíduo de um restaurante chinês ao lado da minha escola, onde almoçava... dois crepes.
TM: Descanso...dormes uma sesta diáriamente?
PG: Ultimamente não tenho tido oportunidade, o ritmo de trabalho como Web Designer tem sido intenso. Contudo, sempre que tenho oportunidade não a deixo passar em vão. Nos períodos em que estamos em estágio, a sesta é sagrada após o almoço, poucos são os que não dormem.
TM: Quantas horas dormes diariamente?
PG: Tento dormir no mínimo 7 horas por dia, mas quando posso vou às 8 ou 9h (complementado com a sesta).
TM: Federação Portuguesa de Triatlo (FTP), o melhor e o pior...
     PG:  O melhor: o apoio à alta competição. Acho que não nos podemos queixar do enquadramento e apoio logístico que a FTP nos fornece em provas da selecção. O pior: algumas guerras pessoais que em nada dizem respeito à modalidade em si, normalmente aparecem em fórum publico e desviam a atenção para os problemas que realmente são importantes.
TM: Foi recentemente criada a Casa do Triatlo. Que expectativas tens relativamente a esta estrutura?
     PG:  Tanto eu como a comunidade triatleta tem expectativas elevadas. Espero que a FTP venha a colher frutos (desportivos) deste investimento. Acho que este está a ser um ano zero do projecto e só daqui a  mais uns anos se vai conseguir fazer um balanço. A nível pessoal tenho tido enorme curiosidade em visitar o espaço e utilizar como alternativa ao CAR, em períodos de maior carga. Contudo, o muito trabalho tem-me prendido a Lisboa.
 TM: Três dicas para cada um dos segmentos do triatlo, para quem nos está a ler…
  PG: hum… deixa cá ver…
PG: Natação: a técnica é mais importante que o volume. Antes de começar com elevadas cargas de treino, deve perder-se mais tempo com o trabalho de técnica. // Nadar em água aberta requer orientação e isso é algo que se treina também na piscina // Aprender a nadar "nos pés" é fundamental para uma prova de triatlo e algo que também facilmente se treina na piscina.
Ciclismo: é um desporto de endurance e requer muitos quilómetros, não se pode esperar milagres em pouco tempo // aprender a andar "na roda" em provas curtas poupa imensa energia e é fundamental // o equipamento é importante, mas não substitui o treino.
Corrida: como o ciclismo, é um desporto de endurance e requer muitos quilómetros de investimento antes de colher os primeiros frutos // variar o treino e os percursos é o primeiro passo para uma maior evolução // as lesões provenientes da corrida são as mais comuns em triatletas, por ser um desporto de impacto, portanto, flexibilidade nunca deve ser negligenciada e procure correr em pisos moles (terra ou relva).
TM: Só mais uma, malvadinha, talvez...recentemente, num comentário a um post teu, o Lino Barruncho dizia que finalmente admitias que Porto Santo seria um objectivo para ti. É verdade ou era uma provocaçãozita?
 PG: Porto Santo é um objectivo, mas não é uma prova que me dê particular gozo em fazer. Obviamente que quero ganhar, mas não gosto nem do percurso, nem da logística que envolve. Por mim, não voltaria a Porto Santo por vontade própria.
TM: E finalmente (sou tão mentiroso...), vais participar este fds no Triatlo do Ribatejo?
PG: Sim, Ribatejo. Depois do Ribatejo tenho (finalmente) uma semana de descanso para Porto Santo.

TM: Pedro, desejo-te a melhor sorte deste mundo, que tudo te corra de feição. Faz-nos sorrir nessas provas todas que tens pela frente.
PG: Sempre ao dispor. Obrigado.


Nota: Todas as fotos publicadas foram retiradas do sítio do Pedro Gomes (http://www.pedro-gomes.com)

Fim!


Amanhã...Entrevista com Pedro Gomes.

20/03/10



Amanhã iniciarei uma rubrica neste espaço em que o objectivo é conhecer um pouco melhor alguns dos protagonistas do panorama nacional do triatlo, e eventualmente outras modalidades relacionadas. Por isso, é com enorme prazer que anuncio a publicação da entrevista com Pedro Gomes, um dos vultos maiores da modalidade em Portugal, atleta que representa o prestigiado clube  "Olímpico de Oeiras".

Até amanhã, então.


Triatlo do Ribatejo - Previsão do Tempo e Start List!

19/03/10



Tempo assim assim, temperatura muito agradável, a condizer com a entrada da primavera, isto é, razoáveis condições para uma prova de triatlo - a 1ª de 2010.

Domingo, 21 de Março, previsão do tempo para a prova "Triatlo de Alpiarça/Santarém"
( Fonte: Accuweather.com)

No momento da prova, a  previsão aponta para céu nublado e ... vento! Clica para o hourly forecast!
(Fonte: FTP)


Votos de boa prova!


Dicas para Nadar Melhor em Águas Abertas - Part I

18/03/10



Eu sei que já vem um pouco tarde para o primeiro triatlo da época, mas ainda a tempo, dado que  a época é longa, e bons conselhos são sempre bem vindos, especialmente vindos de uma autoridade no assunto: David Scott, seis vezes Campeão do Mundo em Iron Man.
O inglês não deve constituir problema, porque a locução é muito cuidada e obedece a princípios importantes para uma boa comunicação.


Aproveitem e bons treinos!



Os meus resumos: Março, Sem2

16/03/10






Campeonato Nacional G-I no Cadaval, Domingo 14.03

15/03/10



Sem grandes surpresas (tirando o facto de não ter chovido, não sei se repararam!!), é como me parece ser a melhor forma de caracterizar o que o meu olhar descortina enquanto vejo e reflicto sobre os resultados do Duatlo de hoje, uma prova importante porque atribui as insígnias, digamos assim, de um título que se pode transportar com orgulho durante uma época, seja qual for o escalão de que estejamos a falar. 
De facto, eu não esperaria que a vitória pudesse fugir do trio que se tem apresentado em melhor forma neste início de época: João Pedro Silva, Sérgio Silva e Lino Barruncho. E atendendo a que a prova seria mais exigente no segmento de corrida, também é sem surpresa que Lino Barruncho, muito provavelmente o mais experiente atleta  português em duatlo, concentrasse nele as apostas para a vitória absoluta e, concomitantemente, a entrega do título de Campeão Nacional Absoluto de Duatlo. O que eu já não esperaria é que a diferença entre o Lino e o segundo, João Pedro Silva, fosse tão marcante; pouco menos de um minuto.
Por tudo o que escrevi aqui e nos posts anteriores, enquanto divagava pelos resultados das provas que entretanto foram sendo concretizadas, não é de estranhar que o Bruno Pais não tenha conseguido revalidar este título, alcançado de forma também categórica no ano de 2009, claramente em obediência a um plano de preparação que lhe irá exigir o melhor, lá mais para a frente; assim como também não é de estranhar que o Pedro Gomes tenha ficado arredado do pódio, mas num honroso 7º lugar, ele que tem dado bem ao canastro durante as semanas que vão passando (até arrepia só de ver no seu blog o programa a que se está a sujeitar...). Porém, houve mais gente com resultados interessantes, como foi o caso do Duarte Marques (parece-me a subir de forma), do Miguel Arraiolos (ambos do novo Águias de Alpiarça, que vai tendo já alguns resultados muito interessantes nas camadas mais jovens, a revelar que há gente com qualidade a ser projectada para o futuro), entre outros. Um dado interessante, e que valoriza a vitória o Lino, tem a ver com o facto de nos dez primeiros lugares aparecerem cinco atletas cujas idades se situam entre os 20-24 anos, quatro que se situam entre os 25-29 anos e apenas um acima dos 29 anos, e logo o vencedor da prova. E se olharmos para os 20 primeiros, acentua-se a esperança num futuro que se deseja risonho para a modalidade.
A eventual maior surpresa talvez tenha ocorrido no sector feminino, onde a Mariana Costa (Clube Triatlo do Fundão) se sagrou Campeã Nacional Absoluta, à frente de Maria Areosa e Bárbara Clemente, ambas do Olímpico de Oeiras. Mas, é mesmo assim, hoje uns , amanhã outros. O importante é que o seja com mérito.
Relativamente aos campeões apurados nos diferentes escalões masculinos, também aqui não me parece que tenha havido grandes surpresas (talvez aqui e ali eu pudesse ter esperado um pouco mais deste ou daquele), já que triunfaram aqueles que têm demonstrado maior capacidade desde que eu tenho tido contacto com a modalidade. Claro que houve algumas ausências de vulto, como foram o caso do João Pereira, do Fernando Feijão, do António Horta, que nos seus escalões poderiam ter complicado a vida aos que triunfaram hoje, mas são pormenores incontornáveis que não podem tirar o mérito aos  vencedores.
O Praças da Armada obteve novamente alguns resultados de destaque, como foi o caso do Paulo Marques (32º), do Jorge Teixeira (52º) e também, porque não, do Ricardo Reis (109º).

Os meus amigos e conhecidos estiveram assim assim. Mas hoje não irei comentar os seus resultados. Agora, estou mesmo curioso para ver como vai ser a adesão à primeira prova de Triatlo (afinal, é disto que falamos), que irá ter lugar no próximo dia 21, uma vez que há muita gente nova e muitos clubes novos nas provas até agora realizadas e Alpiarça será um primeiro ensaio ao verdadeiro ecletismo na modalidade. Tal como estou curioso por saber como os meus colegas do Praças têm treinado o nado. 

Amigos, até breve e bons treinos!


Imagens da Prova
(Fonte: FTP)


Duatlo do Cadaval - Previsão do Tempo!

12/03/10



A previsão do tempo para Domingo, 14, aponta para...Sol!! finalmente. Mas, e não há bela sem senão, também vento. Em todo o caso, falamos de previsão. Cliquem no link para a previsão hora a hora.

(Fonte: Accuweather)

Lista de atletas inscritos para a prova que apura os Campeões Nacionais por Grupos de Idade, em Duatlo
(Fonte: FTP)

Boa prova!


Dica para obter gelo mais frio!

11/03/10



A receita foi-me dada a conhecer pelo fisioterapeuta Diogo Cardoso (Hospital de Fão), a quem me tenho entregue para a cura das minhas mazelas. Dentro dos cuidados reservados ao tratamento de lesões, a crioterapia, como técnica e procedimento terapêutico, é muito útil para a prevenção, tratamento e recuperação de traumatismos musculares, ligamentares, entre outros benefícios, dos quais os estéticos. A dica é simples: se misturarmos 20% de álcool etílico a 80% de água, mais coisa, menos coisa, temos uma mistura que depois de gelar irá constituir gelo mais frio e maleável, o que ajuda para ser usado em regiões corporais mais angulosas. É muito útil quando a pretensão é ter acesso a gelo mais frio, para rápidamente fazer descer a temperatura da região lesada. Os cuidados principais têm a ver com o tempo de exposição à acção do gelo, porque possuindo a capacidade de baixar mais rápidamente a temperatura local, não deve a sua aplicação demorar o tempo que usualmente é adoptado para o frio que normalmente utilizamos. A razão que está por detrás da maior baixa da temperatura do gelo prende-se com o facto de o álcool etílico ter o seu ponto de fusão mais baixo que a água.


Crónica do Duatlo de Grândola - Vila Morena, Castanha de Duatlo

08/03/10



Esta é a minha prova adiada. Explico: faz um ano que me desloquei a esta mítica e bela Vila Alentejana para participar no segundo duatlo da época, mas acabei por iniciar a travessia do deserto, fase em que ainda me encontro, muito embora com alguns interregnos. Debalde; as dores no gémeo interior da perna direita impedir-me-íam  de prosseguir a activação para a prova e consequentemente a participação na mesma. Então, fazia um dia de sol, após uma manhã que se espreguiçava em tons de cinza. A população acotovelava-se nas bermas da Vila, incentivando com a alegria dos sons do seu sotaque (que riqueza),  os atletas que galgavam o esfalto.  O traçado era praticamente igual ao de hoje, com uma alteração no segmento de BTT deste ano, devido à presença mais que abundante de água. Afinal, o primeiro triatlo da época é em terras do Ribatejo e lá mais para a frente.
E como aprecio os traçados BTT deste género; as subidas levam-nos a correr o fecho do fato para baixo, gingando o corpo num compasso ritmico certinho, as descidas abandonam-nos a velocidades instantâneas de mais de 50 km/h e fazem-nos sentir que os antebraços também têm musculos. Por isso, esta prova faz-me lembrar o duatlo de Santarém, se me referir apenas ao segmento de que falo. Dir-me-ão se estou certo.
No ano passado, ganhou um atleta de renome no cenário das maratonas de BTT, em Portugal: Marco Sousa. Este ano ficou-se pelo segundo lugar. Nada mal. Até porque no passado não participaram as principais figuras de elite. E tendo em atenção que Marco Sousa é um expert na coisa do BTT, mas correndo também a um nível elevado, a vitória do Lino Barruncho na prova é mais lustrosa, até porque o Lino fez um excelente segmento de BTT, a demonstrar que, para além da capacidade aeróbica, é também um atleta de força. E pronto, beneficiando também das ausências dos triatletas convencionais, o Lino alcançou um excelente resultado. E mesmo que aqueles tivessem participado, acredito que nesta prova, dado as caracteristicas, o Lino sairia vencedor. Parabéns.
Outro grande vencedor foi o Jorge Duarte, do meu clube, que fez uma magnifica prestação, alcançando um brilhante 5º lugar. Espectáculo, Jorge. O Rui Dolores, que, correndo em casa, este ano ainda não se tinha mostrado muito, também alcançou um excelente registo (6ºLugar), a fazer esquecer os azares com que os Deuses o brindaram no ano passado, altura em que viu partir-se-lhe o quadro da bicicleta e mostrando a todos a sua raça quando, no último quilómetro de BTT, correu com a bicicleta literalmente às costas. A minha vénia, Rui. 
No sector feminino, o que tenho vindo a experienciar é que as mulheres do triatlo não apreciam muito os bttês que envolvam percursos mais próximos da realidade da modalidade. Gostam mais do piso direitinho, rodas bem assentes no chão, "se quisesse andar aos saltos no selim não estaria nesta modalidade", dirão elas e é bem verdade. Acredito que não queiram correr riscos e nesse sentido estamos de acordo. Por isso não estranho que a melhor classificada no sector, a Ana Filipa Santos, passasse no lugar 116 e que a segunda no lugar 124. E estão de parabéns, claro. Como, aliás, todas as mulheres que têm a coragem de participar nestes eventos, da forma abnegada como o têm feito, enfrentando as condições adversas em igualdade com todos os outros participantes.
No meu escalão passaram-se algumas coisas estranhas. Num escalão onde o Renato Fidalgo (grande prova, Renato, sobes, sobes...qualquer dia não te vejo) foi, para mim, o grande vencedor, apesar da vitória do Luís Serrazina, fiquei com a ideia de que o pessoal do Peniche não aprecia muito descidas vertiginosas ou parecidas com isso. Como compreender que o Marco Sousa (6º) tenha ficado a 11' do vencedor e que o Paulo Renato (14º) tenha ficado a 22' do mesmo? Espero sinceramente que não tenha havido azar. Claro que fazendo uma analogia com a mesma prova de há um ano, ressalta que os tempos alcançados foram esmagadoramente piores. Isso quer dizer alguma coisa relativamente às dificuldades encontradas.  O amigo Mário nota-se que tem treinado o segmento de corrida. Força, Mário. No escalão V4, mais uma grande vitória do Fernando Feijão. Vai ser assim o resto da época...
Outra grande vitória do meu clube, mas acima de tudo deles próprios, foi do Paulo Galego (V1) e Ricardo Reis (Sub23) que fizeram  uma prova enérgica, plena de potência, cujo resultado se cifrou em 1º nos seus escalões, contribuindo assim para o excelente resultado do Praças da Armada (e ainda faltou o Horta...) que esteve em grande em Grândola,  Vila morena, castanha de duatlo.
O meu amigo Vitor Garcêz (V3), da Associação Académica de Coimbra, fez uma prova ao nível que tem produzido esta época e sabendo nós, eu e tu, meu amigo, que esta não é nada a tua especialidade, foi muito bom. Apropósito do escalão V3, registo os primeiros lugares alcançados por atletas individuais não licenciados, assim como na vitória do escalão V5, e não me enganarei se disser que é pessoal  a fazer uma perninha em duatlos aproveitando bem o seu terreno predilecto.  
Noutro sentido, confesso que estou intrigado como uma equipa: o TriBraga; uma equipa nova, aqui minha vizinha, provavelmente a primeira equipa minhota de triatlo, que se inscrevem, inscrevem, e depois não aparecem! Alguém me sabe explicar o que se passa?

Este ano, a participação dos atletas cifrou-se em 252, contra os 274 do ano transacto. No sector feminino participaram este ano 29 atletas, contra 27 do ano passado.  

Um último comentário: os dois maiores triatletas portugueses de sempre estiveram hoje em actividade; Vanessa Fernandes regressou, participando no Campeonato Nacional de Corta-Mato, em Albufeira, e Bruno Pais venceu a Corrida da Árvore, em Lisboa. Para a Vanessa uma palavra de estimulo desejando-lhe o regresso ao sucesso na modalidade, esperando que tudo lhe corra de feição. Força, Vanessa. Parabéns, Bruno. 

Boa sorte para todos no Cadaval!


XVI Duatlo de Grândola: Previsão do Tempo para Domingo + Start List da 2ª Etapa PORTerra

05/03/10



A previsão do tempo aponta para a ocorrência de aguaceiros no momento da prova, mas o problema maior, dado as caracteristicas do segmento de BTT, é o estado dos trilhos a ultrapassar. Por isso, para os mais minuciosos, a escolha dos pneus a usar pode ser um dado importante. A temperatura não irá constituir problema.

Boa prova!

(Fonte: Accuweather.com)

(Fonte: FTP) 




Vamos treinar: Sózinho?...Ou Acompanhado?

04/03/10



Falo sobretudo de ciclismo. Quando pedalo, treino muitas vezes, a esmagadora das vezes, aliás, sózinho. E não é por nada em especial, mas sim porque assim começou e assim continua. Depois, os horários que estabeleço para o cumprimento do meu plano de treino não têm em conta "com quem", mas sim "como" e "quando", isto é, o melhor momento para treinar, equacionado em função do descanso conseguido e também das tarefas profissionais realizadas ou a realizar. Depois, em estrada, lá me vou cruzando com este e com aquele, com um grupo aqui e acolá, e dá para perceber bem as diferenças em treinar sózinho ou acompanhado. Esta a razão deste meu artigo, afinal.
Da minha experiência, que está em grande medida em concordância com os conselhos de Ben Hewitt, profissional do pedal, tudo depende do momento da época, isto é, dos objectivos que estão estabelecidos para cada uma das fases de preparação. Li em qualquer lado que treinar acompanhado é convívio, treinar sózinho é terapia. Não sei se concordo. Percebo o alcance e sem dúvida que treinar em grupo comporta benefícios sociais evidentes. É bem agradável uma conversa divertida, ajuda a passar o tempo, torna o tempo dedicado ao treino em algo que se deseja repetir já amanhã, com o mesmo grupo e à mesma hora, se for possível; alivia o esforço, nem se sente, quando damos por ela, acabámos o treino, o que do ponto de vista psicofisiológico é excelente. Além disso, também proporciona eventuais meios de ajuda no caso de alguma coisa correr mal, especialmente quando o tempo de treino está programado para rodar mais de duas horas, situação que leva a que nos desloquemos muito para lá da nossa base logistica de apoio - a nossa casa (para uns), o nosso clube (para outros). Já sem falar no treino fora de estrada. Aí, é mesmo importante ter um grupo de treino. Eu cometo muito esse erro (de treinar sózinho), pelas razões que apresentei (tirando o fim de semana, não há mesmo ninguém com a mesma disponibilidade).
Acontece que também aqui se aplica a teoria da relatividade geral de Einstein; tudo depende dos objectivos definidos no plano. Isto é, se a pretensão é treinar em baixa intensidade, o melhor é mesmo sair só; porque em grupo as provocações são constantes, deseja-se rodar num nível consciente de cadência e há sempre alguém que explode aqui e ali, há sempre alguém que não gosta da calmaria e pode estar tudo estragado. Quantas vezes vos aconteceu partir em grupo e chegar sózinho?
É evidente que na situação em que o objectivo de um é o objectivo de todos, sem dúvida que defendo o treino em grupo porque todos estão irmanados nos mesmos princípios que se desejam para esse momento de preparação (zona de treino), mas se os planos são diversos, o melhor é mesmo só. Se o momento na preparação é de média e/ou alta intensidade, o treino em equipa/grupo será muito bem vindo. Desta parte tenho falta, porque sinto que treino com mais qualidade quando, em intensidade alta, há companhia, para além de se suportar melhor o desgaste provocado pelas consequências de um esforço desenvolvido no Limiar Anaeróbio, claramente beneficiando a componente  psicológica e sociológica do treino. 
A natação é claramente muito individualista, mas não é a mesma coisa treinar com alguém na pista ao lado ou na mesma pista, ou na barragem/rio em vez de só. Também aqui se aplicam os mesmos conselhos atrás referidos porque as razões são idênticas.
 Ao nível da corrida, é mais fácil treinar em grupo, independentemente dos objectivos para o treino naquele momento de preparação, porque é mais fácil adequar a cadência do treino do grupo ao individual, quando o importante é a baixa intensidade; já quando o propósito é trabalhar na zona 4 ou na zona 5, apesar dos desenvolvimentos serem muito individuais, o treino em grupo facilita, pelas razões que também já foram apontadas anteriormente, embora, e neste caso de forma inversa, seja importante que o grupo apresente o mesmo nível de performance, porque ao nível da corrida é mais difícil seguir quem tenha uma cadência mais elevada, contráriamente ao ciclismo.

Bons treinos!