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Crónica do Duatlo de Grândola - Vila Morena, Castanha de Duatlo

08/03/10



Esta é a minha prova adiada. Explico: faz um ano que me desloquei a esta mítica e bela Vila Alentejana para participar no segundo duatlo da época, mas acabei por iniciar a travessia do deserto, fase em que ainda me encontro, muito embora com alguns interregnos. Debalde; as dores no gémeo interior da perna direita impedir-me-íam  de prosseguir a activação para a prova e consequentemente a participação na mesma. Então, fazia um dia de sol, após uma manhã que se espreguiçava em tons de cinza. A população acotovelava-se nas bermas da Vila, incentivando com a alegria dos sons do seu sotaque (que riqueza),  os atletas que galgavam o esfalto.  O traçado era praticamente igual ao de hoje, com uma alteração no segmento de BTT deste ano, devido à presença mais que abundante de água. Afinal, o primeiro triatlo da época é em terras do Ribatejo e lá mais para a frente.
E como aprecio os traçados BTT deste género; as subidas levam-nos a correr o fecho do fato para baixo, gingando o corpo num compasso ritmico certinho, as descidas abandonam-nos a velocidades instantâneas de mais de 50 km/h e fazem-nos sentir que os antebraços também têm musculos. Por isso, esta prova faz-me lembrar o duatlo de Santarém, se me referir apenas ao segmento de que falo. Dir-me-ão se estou certo.
No ano passado, ganhou um atleta de renome no cenário das maratonas de BTT, em Portugal: Marco Sousa. Este ano ficou-se pelo segundo lugar. Nada mal. Até porque no passado não participaram as principais figuras de elite. E tendo em atenção que Marco Sousa é um expert na coisa do BTT, mas correndo também a um nível elevado, a vitória do Lino Barruncho na prova é mais lustrosa, até porque o Lino fez um excelente segmento de BTT, a demonstrar que, para além da capacidade aeróbica, é também um atleta de força. E pronto, beneficiando também das ausências dos triatletas convencionais, o Lino alcançou um excelente resultado. E mesmo que aqueles tivessem participado, acredito que nesta prova, dado as caracteristicas, o Lino sairia vencedor. Parabéns.
Outro grande vencedor foi o Jorge Duarte, do meu clube, que fez uma magnifica prestação, alcançando um brilhante 5º lugar. Espectáculo, Jorge. O Rui Dolores, que, correndo em casa, este ano ainda não se tinha mostrado muito, também alcançou um excelente registo (6ºLugar), a fazer esquecer os azares com que os Deuses o brindaram no ano passado, altura em que viu partir-se-lhe o quadro da bicicleta e mostrando a todos a sua raça quando, no último quilómetro de BTT, correu com a bicicleta literalmente às costas. A minha vénia, Rui. 
No sector feminino, o que tenho vindo a experienciar é que as mulheres do triatlo não apreciam muito os bttês que envolvam percursos mais próximos da realidade da modalidade. Gostam mais do piso direitinho, rodas bem assentes no chão, "se quisesse andar aos saltos no selim não estaria nesta modalidade", dirão elas e é bem verdade. Acredito que não queiram correr riscos e nesse sentido estamos de acordo. Por isso não estranho que a melhor classificada no sector, a Ana Filipa Santos, passasse no lugar 116 e que a segunda no lugar 124. E estão de parabéns, claro. Como, aliás, todas as mulheres que têm a coragem de participar nestes eventos, da forma abnegada como o têm feito, enfrentando as condições adversas em igualdade com todos os outros participantes.
No meu escalão passaram-se algumas coisas estranhas. Num escalão onde o Renato Fidalgo (grande prova, Renato, sobes, sobes...qualquer dia não te vejo) foi, para mim, o grande vencedor, apesar da vitória do Luís Serrazina, fiquei com a ideia de que o pessoal do Peniche não aprecia muito descidas vertiginosas ou parecidas com isso. Como compreender que o Marco Sousa (6º) tenha ficado a 11' do vencedor e que o Paulo Renato (14º) tenha ficado a 22' do mesmo? Espero sinceramente que não tenha havido azar. Claro que fazendo uma analogia com a mesma prova de há um ano, ressalta que os tempos alcançados foram esmagadoramente piores. Isso quer dizer alguma coisa relativamente às dificuldades encontradas.  O amigo Mário nota-se que tem treinado o segmento de corrida. Força, Mário. No escalão V4, mais uma grande vitória do Fernando Feijão. Vai ser assim o resto da época...
Outra grande vitória do meu clube, mas acima de tudo deles próprios, foi do Paulo Galego (V1) e Ricardo Reis (Sub23) que fizeram  uma prova enérgica, plena de potência, cujo resultado se cifrou em 1º nos seus escalões, contribuindo assim para o excelente resultado do Praças da Armada (e ainda faltou o Horta...) que esteve em grande em Grândola,  Vila morena, castanha de duatlo.
O meu amigo Vitor Garcêz (V3), da Associação Académica de Coimbra, fez uma prova ao nível que tem produzido esta época e sabendo nós, eu e tu, meu amigo, que esta não é nada a tua especialidade, foi muito bom. Apropósito do escalão V3, registo os primeiros lugares alcançados por atletas individuais não licenciados, assim como na vitória do escalão V5, e não me enganarei se disser que é pessoal  a fazer uma perninha em duatlos aproveitando bem o seu terreno predilecto.  
Noutro sentido, confesso que estou intrigado como uma equipa: o TriBraga; uma equipa nova, aqui minha vizinha, provavelmente a primeira equipa minhota de triatlo, que se inscrevem, inscrevem, e depois não aparecem! Alguém me sabe explicar o que se passa?

Este ano, a participação dos atletas cifrou-se em 252, contra os 274 do ano transacto. No sector feminino participaram este ano 29 atletas, contra 27 do ano passado.  

Um último comentário: os dois maiores triatletas portugueses de sempre estiveram hoje em actividade; Vanessa Fernandes regressou, participando no Campeonato Nacional de Corta-Mato, em Albufeira, e Bruno Pais venceu a Corrida da Árvore, em Lisboa. Para a Vanessa uma palavra de estimulo desejando-lhe o regresso ao sucesso na modalidade, esperando que tudo lhe corra de feição. Força, Vanessa. Parabéns, Bruno. 

Boa sorte para todos no Cadaval!

2 comentários:

sica disse...

De realçar a excelente prestação da "Armada", vamos ver quando começarem os Duatlos se os marujos também sabem nadar.
Quanto aos tempos não se podem fazer comparações com o ano passado o terreno estava muito pesado, logo a técnica associada à força no BTT, vinham ao de cima.

R. Reis disse...

Boas! Realmente foi uma boa prova para o nosso lado com 3 vitorias e mais um podio por equipas! :) No meu caso, que venho do btt, foi com grande alegria que quando cheguei a grandola me disseram que o percurso estava durissimo, ou seja, melhor para mim! lol
Quanto aos triatlos já não é historia para mim =P

cumprimentos e até matosinhos!