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A Clássica da Primavera Foi Assim...

01/05/11




Não, não é apenas o que a imagem sugere, mas também...isto é, uma festa. Pelo menos, para mim e para o amigo e companheiro Pedro Brandão. Acredito que para muitos outros. Este evento foi sempre visto como uma etapa no processo de treino para o grande objectivo; o triatlo. Mesmo quando me esperam 6 dias, no total, de paragem forçada, resultado do tratamento específico para a fáscia muscular, designado por reposicionamento da dita. No mínimo, tenho de me dar a oportunidade de tentar aquilo que ciências exatas não conseguem resolver. As ciências e as maleitas da idade.
Mas, esta clássica tinha para mim um grande ponto de interrogação: será que desta vez iria conseguir acompanhar o pelotão principal? Da minha curta experiência no metier já antevia que os andamentos iriam explodir assim que a coisa começasse a ficar séria, o que no caso será dizer logo no início. O regulamento dizia que a primeira volta seria de reconhecimento e em ritmo controlado pela organização. Sabia que pelo menos os primeiros 16 kms de 70 total estavam garantidos. O resto seria conforme poderia. 
A presença do amigo Pedro Brandão, a despeito de outras presenças de gente conhecida, garantia solidariedade na causa, mas acima de tudo um convívio retornado e outras vezes adiado pelas circunstâncias da nossa própria vida, mas ansiado, já que em tempos fizemos um treino junto, assim como a maratona do Porto, entre outras coisas. Portanto, um companheiro a valer já de alguma data. 
A primeira volta não teve estória. Já o mesmo não posso dizer da segunda porque há um momento marcante na prova que iria determinar os posicionamentos de muito boa gente. Antes, pude vislumbrar algumas tentativas de fuga. Até me senti tentado a desafiar o Pedro para também nós sairmos por ali fora. Foi sensato ter ficado apenas pelo pensamento, porque o circuito tinha duas passagens por paralelo, sendo que uma delas me deixava sempre marcas, como à frente irei dar conta. 
Na longa reta até à freguesia da Estela, ainda antes, há uma queda coletiva. Por pouco não me apanhou. Circulava bem posicionado, mas a uma distância suficiente para contornar o grupo envolvido. Aqui deixei de ver o Pedro e reparei que o pelotão da frente tinha sido forçadamente diminuído  pela queda. Fiz um esforço para me chegar à frente e consegui. Até estava espantado por ainda conseguir acompanhar os primeiros, apesar de ainda vislumbrar penso que um duo ainda em fuga. A repetição da passagem pelo paralelo volta a dificultar-me a vida. Penso porque os outros não sentem a mesma dificuldade que eu, ou então...eu nem deveria estar ali, junto com aquela gente. Os efeitos no desgaste senti-os mais à frente, quando na reta  de Laúndos para a Póvoa, numa inclinação do trajeto, perco definitivamente o pelotão principal. É aqui que revejo o amigo Pedro, que se havia atrasado em resultado daquele embrulho de gentes e biclas. A partir daqui forma-se um grupo, restrito, um segundo pelotão, mas eu ainda não estou refeito e ando ali no elástico montes de tempo. Chega-se-me outro ciclista e os dois fazemos um forcing para nos juntarmos ao grupo muito bem liderado pelo Pedro, que quase exclusivamente puxava a carroça que me antecedia. E lá nos conseguimos juntar. Só que eu não sou de me ficar a ver os outros a carregar o fardo e fui também colaborando na frente do grupo, sempre com o Pedro em grande disponibilidade. Abordamos novamente aquele maldito paralelo e lá ando eu no vai-vem...começo a pensar que vou ter de largar a corda. Lá consegui reentrar e novamente começo a entrar na colaboração do comboio. Má decisão. Na tal subida onde perdi o pelotão, volto a perder agora este grupo. E pior, fico isolado, completamente só. Aproxima-se a fase mais difícil, com vento norte e seria muito mau andar assim como eu ía, só. Tento juntar-me, já que eles estão mesmo ali, parece até que é só esticar o braço, mas não. Chegamos à tal fase contra a nortada e abdico. Olho para trás, nada. Mais à frente volto a olhar pelo retrovisor e finalmente apercebo-me de outro pequeno grupo que aí vem. Decido aligeirar a pedalada e esperar. Assim foi, vinham a pedalar forte e só tive de me esforçar para me integrar. Na cauda, claro. Conseguimos ver o grupo liderado pelo Pedro, mas iria tornar-se impossível alcançá-los, até porque havíamos entrado na última volta. 
Antes do final, ainda uma ocorrência de registo; um dos elementos que puxava e bem pelo grupo (eram essencialmente dois, eu resguardava-me...vinha aí o paralelo e mais adiante a subida que me tinha custado a perca dos grupos onde ía) vê saltar-lhe a corrente. Todos reduzem, mas eu e um puto que vinha connosco vamos pedalando em jeito de espera. Só que nada acontece, ninguém vem. Decido avançar e o chavalo comigo. Assim andámos até à Póvoa, altura em que dois dos que tinham ficado para trás nos alcançam. E juntos vamos para a meta. Antes, desafios para um sprint. Ninguém acede, apenas o jovem adulto. O Pedro já havia chegado e eu fiquei contente com a minha, digamos que, "digna participação".
No final, comentei como o Pedro que os comissários tinham-me questionado sobre o meu dorsal. Fiquei na dúvida se teria ficado em algum dos lugares do pódio no meu escalão. Dúvidas desfeitas pelo anúncio feito ao microfone.
Depois, e após 15 minutos de corrida ligeira no parque da cidade, onde já se realizou, em 2010, um duatlo btt, o verdadeiro prémio, conforme a foto documenta. As sensações resultantes da corrida foram hoje difusas. Sinto que tenho de ter juízo e calma, muita calma. Mas, continuo aprumado a Peniche.


Eu e o Pedro cimentámos uma amizade bonita, e aproveitámos para nos dar a conhecer mais amiúde na nossa forma de ser e na nossa estória de vida. Foi um momento muito bom, Pedro. Obrigado pelo teu companheirismo e amizade.   

E assim foi a Clássica da Primavera. A próxima prova será no dia 15 de Maio. Vamos ver se poderei participar. Claro que o TL de Lisboa fica-me atravessado, mas sobre esse evento escreverei posteriormente.

Abraços triatléticos, companheiros, e Grande Dia do Trabalhador!

7 comentários:

Mark Velhote disse...

Viva João,

Belo relato!
Parabéns a ambos! Tivesse eu pernas para acompanhar estas clássicas! Um dia quem sabe...:D

1 abraço

Pedro Brandão disse...

GRande amigo, valeu o nosso esforço para no fim termos direito a esse manjar magnifico, sem ficar com a consiência pesada.
eeheh. Bom relato que fizeste da prova. Mais nos esperam.

Rafael disse...

Viva João...
Tive pena de não termos conversado um pouco mais... Como deves ter reparado, estava um pouco "ansioso" antes da prova... Foi a minha primeira corrida a sério em estrada... Até agora foi sempre só o "monte" em que participei...
E esse ansiedade deixa-me com poucas palavras para trocar antes da partida...
Os meus objectivo eram 2: tentam acompanhar o grupo da frente até final da prova e não sofrer uma queda.

Uma dela foi conseguida! Não cair, apesar de ser quase colhido pelo "dominó" de bicicletas na 2ª volta!! Digamos que vi a minha vidinha a andar para trás!! Mas lá consegui passar e colar-me ao pelotão...

O outro objectivo, não foi atingido... Na 3ª volta, na tal entrada do paralelo e entre vária hesitações de vários atletas e o meu receio de cair, fez-me abrandar o ritmo e perdi o pelotão!! Formou-se então um grupo, que por falta de organização e cooperação, não conseguimos apanhar o pelotão... E assim falhei o meu objectivo... Mas fiquei contente com a minha prestação e as sensações que se vivem numa prova de estrada... Estou FÃ!!! Antes de chegar à meta, tentei fazer uma fuga (na avenida do mar) e só 3 atletas é que me perseguiram, mas as lombas atraiçoaram (ou seria mais o medo de cair!?!?) e lá perdi a liderança... Resolvi reservar a energia para um sprint fina já na av. dos banhos...

E lá acabei a prova, sendo recebido pelo meu filho a gritar o meu nome e a dizer que eu fui o primeiro, a minha pricesa a sorri e a bater palminhas e a minha cara metade!!! Foi uma excelente recepção!! Senti-me um verdadeiro CAMPEÃO!!!

Tive pena de não nos encontramos no final... Eu vim logo embora, pois ainda ia fazer noite ao hospital...

Não me apercebi da tua presença na corrida, mas tambem ia tão compenetrado nela, que não vi muitos amigos, só mesmo no final... Já mais relaxado!!

Não sei se chegaste antes ou depois de mim... Mas pelo que li do teu relato, fizeste uma boa prova!!

Como sempre, fizeste um excelente relato da prova!!

Concluindo: este ano será um ano em que talvez me vire mais para a estrada... E se proporcionar, talvês reslize um duatlo!! A água ainda me assusta (tenho de treinar meuito bem a natação!!) Sinto que estou muito bem a rodar... Apesar de saber que ainda posso fazer melhor!!

Um grande abraço... Espero um dia que nos encontremos mas para por a conversa em dia e trocar alguma impressões:-)

João Correia disse...

A todos vós; agradeço os vossos simpáticos comentários.

Mark, quando cheguei a casa e introduzi os dados no excel reparei que a média andou acima dos 33,5 kms/hra, para 2 horas de prova (a minha).

Rafael, ai vamos-nos encontrar seguramente mais vezes, agora que ficaste fã. Estás muito bem, sem dúvida. Antes da queda, eu ia-te vendo. Depois, e apesar da redução do pelotão, não consegui distinguir-te.

Pedro, vamos preparar a "nossa" próxima "batalha": Esposende/Bayonna/Esposende, qq coisa acima de 200 kms. Alguém mais para vir?

Triatleta disse...

Caramba! Esforçam-se muito no evento desportivo, mas aplicam-se igualmente na recuperação :-)

Um abraço e boa semana.

Pedro Brandão disse...

Claro. Sabes como é Pedro. Eu treino bem á mesa :)

Chuva Vasco disse...

Olá João,

o Pedro já me tinha falado dessa dura prova, parabéns por a teres acabado e pelo relato.

Esse almoço mete inveja (lol).

Abraço