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Clássica Póvoa/Srª da Graça (ou Memorial Bruno Neves).

19/05/11




Faltam-me os dentes...
Era a minha primeira vez, a subida ao monte carismático da Srª da Graça. Já me haviam convidado para a "tareia", é verdade. As recusas prenderam-se com a falta de oportunidade e algum receio de ser montado pela bicicleta na ascensão ao dito, confesso. Mas, é daquelas coisas; sabes que o terás de enfrentar, não sabes apenas quando. É como a escalada à Torre, um dia destes estamos lá também.
Começava a movimentação...
O evento, organizado pela bikeservice e dinamizado pelo antigo ciclista Manuel Zeferino (excelente rapaz, apenas com aquele senão...), insere-se num conjunto de quatro provas (duas já estão concluídas) a pontuar para o Troféu Cidade da Póvoa de Varzim. 
Muita gente na linha de partida, todos fazendo parte de um largo e bem disposto pelotão, ansioso pela cornetada de partida, mas sabendo antemão das condicionantes determinadas pelo regulamento; roda fechada até Fafe e roda livre a partir daí. O percurso era bem atrativo, a despeito da dificuldade final; passagem por Fafe, subida da Lameira, descida, acentuada, para Mondim de Basto, e finalmente o "sacrifício dos cristãos" até ao alto da Srª da Graça. Aliás, é uma verdadeira dicotomia irónica a designação do ilustre monte velocipédico: por um lado, vislumbra-se uma paisagem fantástica no calvário que nos leva até ao alto, por outro, não há espaço para o humor nesse processo. 
Antes do evento propriamente dito, tenho de vos dizer que este fim de semana foi louco; uma ida e volta a Lisboa, no sábado, para o lançamento do primeiro livro de poesia da minha mulher, Maria João, de comboio, pois claro, e no domingo novamente acordar cedinho que é para não nos habituarmos muito ao conforto do descanso. E no sexto dia bíblico, enquanto a mulher tratava daquelas coisas que as mulheres têm de tratar antes dum acontecimento tão significativo, ainda houve tempo para andar a "correr" para correr vinte minutinhos, no belo parque das Conchas, e nadar trinta outros minutinhos na piscina da Ameixoeira (que saudades duma piscina assim, formal), juntamente com o meu enorme amigo Paulo Santos, também atleta do Fonte Grada. Resumindo; estava em pleno para a tal Graça de Srª.
Grande Rafael.
Ainda antes da partida, oportunidade para rever o bom amigo Rafael Lemos, que já foi "apanhado" comigo em outros eventos, e aqui registado, como hoje, e que continua a provar que está cada vez melhor.

Partida!
O compato pelotão começa a rolar, mas apesar da boa disposição, começam as travagens bruscas devido às tentativas do pessoal em rapidamente fechar as clareiras abertas em virtude da velocidade que o pessoal da frente vai imprimindo. Por vezes, o cheiro a borracha era tão intenso que parecia que estávamos num grande prémio de motociclismo. Era muita ansiedade. E não havia necessidade; antes da chegada a Fafe, a organização fez questão de rolar bem devagar (21 kms/hra) para permitir a reunião de todo o grupo. Claro que isto enervou muita gente. Nos entretantos, fui-me cruzando com mais gente conhecida e lugar às trocas de palavras de circunstância. Em todos, o mesmo "papão", a subida ao alto.
A entrada na subida da Lameira deu-se logo após a abertura das hostilidades. Já não me recordo à quanto  tempo pedalávamos, mas o vento de frente, intenso, e a subida, lenta e contínua, essa não esqueci. Tal como não esqueci que andei ali com duas mulheres na disputa, num dos grupos. Estes estavam destinados a formarem-se em função dos diferentes andamentos e outra constatação; o pessoal, em geral, não sabe mesmo pedalar em grupo. Era muita falta de trabalho coletivo, mesmo sem pertencermos à mesma equipa, e consequentemente, muito desperdício energético. 
Aparece um posto de abastecimento, já próximo do termo da continuada subida, e tenho de parar para receber um bidon. Perco o grupo, perco uma das srsª com imensa graça e corro atrás do desperdício. Confesso que ficar atrás das mulheres "enerva-me", especialmente no ciclismo ou btt, já que nas outras disciplinas resigno-me, e por isso lanço-me na perseguição do "meu" grupo. Entro na avisada e periclitante descida e a despeito de ver passar um gajo de "mota", vou com um outro companheiro e fazemos grande parte da descida em duo. Às tantas lá combinamos melhor e os benefícios foram os vários grupos que fomos alcançando, até um grupo final, momentos antes da entrada em Mondim de Basto. O monte já se fazia observar. Lindo! mas dali.
Como o grupo já andava a "banho maria" para a escalada final, eu desato e abro as hostilidades. Ouço votos de louvor, mas eles não ficaram muito para trás, correm atrás de mim. Ainda assim, entro na cabeça deste pelotão em Mondim, perguntando para trás por onde era a estrada do destino. Há cada um!

A Srª da Graça, 
não é nada de outro mundo. Tem um aspeto difícil; a continuidade que desgasta, desgasta...O seu declive médio é de 10%, mas tem zonas de recuperação e aí eu até me parecia bem. Deu inclusive para "pesar" um  pouco a desmultiplicação. A parte inicial é de fato dura, e a parte final é duplamente dura. Ou triplamente, porque no domingo, para além do aumento da inclinação, já nos 3 kms finais, e do desgaste acumulado, havia o vento de leste, que por esta altura se encontrava bem de frente.
A chegada foi algo emocionante porque me voltei a sentir como um verdadeiro ciclista. Claro que pelas razões do envolvimento; o pórtico de chegada, a música, as gentes, "corredores" apertados...e o prazer de vencer o desafiante desafio. Quando acabei, o meu corpo tremia por todo o lado. Sensação estranha. Encostei-me à banca do abastecimento, após encostar a burra, e enquanto ouvia o Zeferino a dizer não sei o quê ao microgaitas, despejei copos atrás de copos de bebida energética, como se um posso sem fundo fosse, e devorei pedaços de barras atrás uns dos outros, como se não comesse há quinze dias. Foi até empanturrar. A descida para o almoço deu uma ideia plena da dificuldade sentida a subir; quando cheguei cá abaixo, doía-me imenso os dedos de tanto travar.


A organização,

  1. Aspetos positivos: a capacidade de mobilização dos inúmeros ciclistas que participaram, o abastecimento, embora possa melhorar. O ambiente positivo e a camaradagem, o percurso, a segurança oferecida durante o evento e aqui louvar o trabalho dos agentes de autoridade; excelente. Aqui e ali, o apoio do público. O apoio àqueles que precisavam de transporte no regresso, o do pedalante e o do pedalado (meu caso); muito bom. 
  2. Aspetos negativos: a chegada após os primeiros; muita confusão à chegada, carros amontoados junto ao pórtico da meta, gente completamente desatenta à passagem dos ciclistas. Eu já senti um pouco este problema, mas quando iniciei a descida foi triste ver o esgar estampado no rosto daqueles que ainda se degladiavam com a subida e ainda tinham de se desviar ou mesmo deixar passar aqueles que queriam à força toda descer. Lamentável. Outro aspeto negativo foi a entrega dos prémios ou anúncio dos vencedores. Alguém ouviu? Não havia pódio, não havia zona específica para a consagração dos vencedores...não parece uma solução sequer. O almoço devia ser mais rico; uma feijoada, água, pão e fruta, e ponto! As bejecas e as colas tinham de ser pagas. 
Desta feita ganhei...um bronze à lavrador. Fiquei com mangas de pele, não sei se me entendem. Eu bem que andei a marcar o pessoal do meu escalão, mas quando aquilo começa a subir o importante é mesmo acabar. Aqui reparei que dois marmejos cá do escalão me ultrapassaram e que à minha frente sabia que íam pelo menos dois. O resto não sei mais nada. No final, quando o Zeferino me entregou o troféu da primeira prova, perguntou-me "que lugar fez?", eu respondi "como? Essa pergunta não era eu que a deveria fazer?"

Conclusão, bela manhã de ciclismo e a promessa de que à Srª da Graça hei-de voltar...de bicicleta, quero dizer.

Companheiros, abraços triatléticos.




2 comentários:

Rafael disse...

Boas amigo João

E para não variar, mais uma grande reportagem do evento!! Os meus parabéns!!

Confesso que a subida da Sra. da Graça, não correu como eu espera... Tinha outras expetativas... Sentia-me bem e tenho treinado com regularidade (se calhar é esse o erro, talvez precise descansar!!)... A subida da Lameira fiz bem, mas resumiu-se ao esforço de um colega meu (o Rui, da equipa de Navais) e meu, mais ninguém vinha para a frente e o vento não dava tréguas!! E assim deixa-mos escapar o grupo da frente!! (mais uma vez!!!:((()

A Sra. da Graça, quando parecia que ia a um bom andamento, fui forçado a abrandar, quando faltavam cerca de 8km para o final, surgiram cãibras na perna direita... Algo que já não sentia a bastante tempo, nem quando fiz esta mesma subida em Março deste ano e (julgava eu) estava em pior forma!!

Desta feita, abrandei o ritmo, juntei-me a um grupo e lá fomos subindo conforme podíamos... O grupo ia reduzindo até que ficamos só 2, os outros não resistiram à subida e pelo caminho íamos colhendo alguns corpos que se arrastavam pela subida... No final, o parceiro que me acompanhava levei a melhor e acabou à minha frente (mais uma vez o orgulho ferido!!)

Só de lamentar, o pessoal que se arrostou pela subida agarrados ás motas da GNR... Esses ficam sem saber se conseguiam superar o desafio...

Concluindo: os meus parabéns por teres concluído a subida... Tal como disseste, não são nada de mais, apenas ter "coragem" para a enfrentar...

Grande Abraço:))

Pedro Brandão disse...

Parabens amigo João.
Mais uma prova superada. Esse monte realmente é durinho, mas nada que não se faça. Serra da estrela espera por nós :)