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I Triatlón Porriño: É Unha Festa!!!

26/05/13




Que dizer? Estou de barriguinha cheia!! Terei necessariamente de ir por partes. 

Antes da Prova

A ideia de Porriño surgiu por algumas razões: as minhas necessidades competitivas em relação com a distância em causa e o momento de preparação; a distância em relação com os custos de deslocação; o conhecimento da capacidade organizativa dos galegos. 
A ideia de poupar umas coroas em deslocação começou a ser rebatida assim que cheguei à Galiza. Então não é que o gasoil está 1!! cêntimo mais barato que a média dos preços por cá?! Mais, eu compro o dito 3 cêntimos mais barato que por lá. Mas, os custos de deslocação (2x100 kms) foram bem mais baratos que, por exemplo, viajar até Montemor-o-Velho!  Portanto, a Galiza (para o meu caso) é mesmo para considerar em termos de participação em eventos desportivos.

O dia estava fantástico e ao contrário do que sentia em Esposende, o vento estava amansado. Sentia-se, especialmente quando percorresse o "recorrido" de ciclismo, mas tolerava-se. A espera pelo autobus para Tui, dado que a prova se dividia entre esta localidade e Porriño, estava a esgotar-me a paciência e decidi ir com um dos grupos que ia saindo para Tui...de bike! "Calhou-me" um grupo de jovens giros e bem dispostos, cheios de fibra. Durante a agradável viagem até Tui, fui-me apercebendo ou confirmando da distância que existe, ainda hoje, sublinhe-se, entre a maturidade dos nossos jovens e dos jovens nossos vizinhos (no caso galegos); é um grupo que se auto recreia no triatlo, programando os seus treinos e organizando-se como clube. Espectáculo! Pelo caminho fui-me apercebendo daquilo que o gráfico "moderado" da organização não dizia; um percurso ciclista tipo "rompe piernas". Como eu gosto, diga-se.

A Prova

Depois de várias tentativas para encontrar o famoso porto de Tui, lá demos com a coisa, demais em cima da hora para o meu gosto. Talvez por isso o fato tivesse sido vestido como se de um corcunda eu me tratasse. Empurradela para aqui, empurradela para ali e estava dentro da água para umas braçadas até à primeira boia. Grrrrrrrrrr! estava fria, não havia dúvidas. As braçadas aliviaram a coisa, mas os quase trezentos galegos, eu incluído, recomeçaram a tilintar enquanto a reunião técnica se fazia através do microgaitas. 

Soa a corneta e...agh! já não me lembrava que era assim: pimba, toma, ugh! encaixa, avia, responde e lá se encontra uma "pista", finalmente. Mas só até à primeira boia. Mais pimba, toma, avia, alguém me dá um trolitada no capacete. É pá, isso não. Retomo o ritmo, mas já não sei se ultrapasso ou sou ultrapassado. Sinto-me bem e procuro acelerar. Relembro os preceitos da braçada e já estou quase no fim, sempre dentro da molhada. Mais porrada! Muito se bate na Galiza dentro d'água. Os bpm's estão dentro dos parâmetros, pela avaliação sensorial. E a caminho da BH relembro que aqui o corcunda desvalorizou o posicionamento do garmin. Merda! o braço não sai. Sai tudo menos o braço esquerdo. E não dá para pedalar sem um braço? Não, não dá, e não são os regulamentos que o dizem. E pronto! primeira azelhice do dia. 2'20'' na transição. Quando chego ainda vejo muitas, mas muitas bikes. Quando resolvo a corcundisse, eles chegam e partem e eu ali. Mas, lá se resolve. Ia cá com umas ganas para a bike. O povo aplaudia, sempre. Mais uma razão para competir na Galiza. Entro na linha de montagem, meto um pé, mas o outro não entra. O que entrou entretanto salta fora e o outro sai da bike e desce a rampa. Eu só vejo gajos a sair e eu ali, à procura dos sapatos. Toca o relógio; passaram 15' e penso...hmmm a natacinha foi bem. E foi. O meu melhor registo até hoje: 12'44, menos 45'' que o best of. Uns preferem subir a rampa a pé, eu insisto de bike e começa o meu melhor (?) segmento. Vou com a guita toda, pronto mesmo para partir aquilo tudo eheheheh. Espectáculo! Começo logo a criar um certo frenesim atrás de mim. Percebo que a minha roda arrasta outros e continuo a cruzar gente. O percurso confirma que é sinuoso, mas a subir e a descer. Por vezes o vento atrapalha, mas um grupo começa a formar-se e lá à frente vislumbro um camarada que tem tantos cabelos brancos como eu; passa a ser o meu rival! Eu junto-me, ele afasta-se mais um colega, um dos tais putos que veio comigo para Tui e que agora se alia aos seus para me lixar. E assim vamos até às imediações de Porriño. O grupo cresceu, assim como a velocidade, e é agora um pelotão. Perto perto do fim sinto um pressão gemeal e vejo a minha vida a andar para trás. Não, agora não! Deixo de encabeçar o grupo e refugio-me nas imediações dos primeiros. Não quero forçar. Chegamos todos juntos ao P2 e...eheheheh...engano-me no corredor! Isto é que está uma vida. Mas não perco assim tanto tempo. Calço as sapatilhas e lanço-me no asfalto. Sinto-me os Brownlee, saltitando nas plantas dos pés. Confirmo mais tarde que na parte favorável do percurso corro pertíssimo dos 4'/km! Uau! Ultrapasso o meu rival mais um dos colegas que o ajuda. Penso que está arrumado. E penso por quanto tempo mais irei suportar aquele ritmo. Sinto-me leve, leve, leve...e dou por mim a sentir os músculos colados aos ossos. A ventilação está no máximo, se me tapam a boca chapéu. O povo aplaude, incentiva. Bonito. O percurso pela cidade é cativante. Ouço atrás de mim uma passada conhecida. É ele, não desgruda e ultrapassa-me mesmo na subida que antecede o início da última volta. Retorno à frente e idealizo a estratégia: falta de velocidade de ponta, tens de forçar pelo caminho. E forço! mas as passadas continuam lá. Entramos na zona histórica, próximo da recta da meta. Ele acelera e eu já tinha dado tudo; no ciclismo e na corrida. Não dá mais e forçar pode dar mau resultado. Está feito. Corto a meta com a sensação de ter feito um excelente resultado. O tempo não bate certo com o garmin. Em casa percebo que tive 3' de elapsed time, sendo que 2'... Mas, importante, tudo correu bem, ao contrário do que cheguei a temer. O rival estende-me a mão, eu estendo-lhe os meus braços e abraçamos-nos. Por entre felicitações e sorrisos, ele confessa que se eu tenho forçado mais um pouco naquela parte ficava-se. Eu confesso-lhe que ele chegou primeiro que eu.

Após

No final, um agradecido saco com o importante para restabelecer algumas das reservas energéticas: gel, cola, sandes de queijo e fiambre, água, claro, e el fruto del amor. Antes, já havia sido agraciado com uma camiseta técnica. E mais uma medalha de finisher.
A organização teve alguns aspectos que podem/devem ser melhorados e de que me dispenso aqui referir. Penso que ela própria terá essa consciência. Mas, cuidado! foi uma organização muito boa, excelente em aspectos decisivos, como por exemplo a organização dos parques de transição, a logística dos dorsais e o agraciamento dos participantes. É que há um diferença entre uma organização que se coloca no pedestal e sente que é ao atleta que compete estar agradecido, e aquela que vivo sempre que me desloco à Galiza para competir, em que o atleta é servido para contente regressar. E isto faz toda a diferença. Comigo podem contar sempre, desde que "eles" mo permitam. Porque esta é uma prova para marcar no roteiro.
A classificação é aquela que foi divulgada: 78º da geral e 19º veterano, aqui considerado todo aquele que tiver mais de 40 anitos! Quer dizer, estive a competir com os Caldeirões lá do sítio. :))


Companheiros, abraços triatléticos e até breve.





3 comentários:

Hugo Gomes disse...

Parabéns João!

É com grande prazer que te vejo de novo nestas lides.

Um abraço!

david caldeirao disse...

quanto não vale esse regresso às EMOÇÕES de um triatlo!!! ;)
foi "apenas" um sprint, mas pela loooonga e bonita descrição, foi algo mais...
aguenta o entusiasmo, para poderes estar em pleno em julho, o Triatlo de Caminha promete ;) forte abraço

Triatleta disse...

É bom saber que voltas a fazer algo que tanto gostas!

Saúde e um abraço,

TriPP