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Luso Galaico 2013 - Uma Experiência Extreme: Dia 2

02/05/13




(continuação...)

A noite havia sido melhor que na edição 2012. Ainda assim, gostava de ter dormido, mesmo. O sistema é o que é e não há nada a fazer. Mas, descansei. As pernas pareciam bem. Também haviam sido bem cuidadas antes da dormida: frio e auto massagem. O que me preocupava era uma dor no tornozelo que não sabia bem donde vinha. Nada que um jabasulide não ajudasse a resolver. 
Este ano a alvorada foi mais pacífica que Caminha 2012. Nada de Metálicas logo pela manhã, nem coisas do género. Porém, há sempre alguém que resolve levar o telefone de casa. Que raio de configuração de toque. Muita gente logo com pressa em se despachar. Eu estive sempre tranquilo. 
A caminho do refeitório da escola, sentiram-se os 2º de temperatura. Imaginei que quando estivesse em "pelota" iria sentir-me pior. Conclusão: vais partir novamente com o impermeável-tipo-avental. 
Tudo arrumado e o tempo afinal começava a escassear. Corda nos sapatos para não perder o "comboio".
As primeiras pedaladas pelas ruas de Arcos de Valdevez fizeram-me sentir que não "havia frio", mesmo com a temperatura baixa: a ausência de vento explicava o fenómeno.
A boa disposição imperava e não tarda estávamos a partir. O aviso estava feito: o que custa são os primeiros 40 kms, sempre a caminho do cume. Depois seria apenas rolar. Tretas, pensava. E de facto subiu-se, e subiu-se e subiu-se, mas sempre intercalando com patamares de recuperação. Muito bem pensado. Nesta fase, ainda as equipas andavam muito juntas. Com o tempo, os pares foram-se seleccionando e fomos-nos habituando a algumas caras. Os trilhos eram diversos e multifacetados e deu-me especialmente gozo superar um que subia e exigia igualmente técnica. As descidas brutais; técnicas e a pedir arrojo. A bicla estava mais que aprovada e só eu teria dificuldade em a acompanhar.
Foto do 1º dia
A paginas tantas, uma paragem num tasco daqueles à beira da estrada. Para um café e uns salgadinhos. Aí por alturas de Vila Verde. Uma converseta agradável e toca a andar que ainda seria tempo de chegar a Esposende antes do previsto. E não fosse o João Paulo, ainda teria de lá voltar para trazer a mochila que ficava lá esquecida.
Na realidade, o desnível positivo não trouxe dificuldades de maior, mas tudo o que implicava subir, nem que fosse uma rampita, e muitas houve daquelas de nariz empinado, provocava desgaste. Entretanto, os andamentos da bicla começam a desatinar e pedem nova afinação. Mas ali não há possibilidades dessas coisas. Pelo caminho, um grupo de espanhois pára para almoçar, e outros ainda. Às tantas relembramos velhas rivalidades e nem pensar, o gajo ficar à nossa frente é que nunca. Daí até Esposende foi sempre na brecha. Até que ajudamos um grupo que havia furado mas não tinha câmara, nem selim, imagine-se! Andava o moço assim há 60 kms. O João Paulo faz a boa acção do dia e zarpamos. De repente, começo a ver gajos vindo doutro lado, na mecha. Atónitos, perguntam-me donde é que nós vínhamos. Digo-lhes que de outro planeta. Sigo com eles mas...alto! O trajecto da maratona é um e o nosso é outro. E pensamos; como é que estes tipos que partiram às 10h da matina ainda andam aqui a estas horas (cerca das 15h) para fazer 70 kms?
Estamos próximo, muito próximo, a ponto de já poder identificar os locais, mesmo alguns cursos. Aquele pelo rio Neiva é então fenomenal, com a água convidativa para um mergulho.
E que é que aparece atrás de nós? O gajo do selim mais o parceiro! Impressionante. Continuamos juntos, galgando o empedrado a mais de 30 kms/hra, até ao último posto de controlo. Ainda desafio o João Paulo para os agarrar, mas faltavam-nos uma curva e uma recta. Fazemo-lo de sorriso estampado. Cumprimentamo-nos. agradecemos mutuamente o companheirismo, a solidariedade, as horas de sofrimento e de prazer e continuamos sorrindo, para nós, de fora para dentro. 
No final, confirma-se as sensações positivas de que este ano não houve lugar ao empeno do ano passado.

Ainda no 1º dia

Em termos de balanço, a organização esteve excelente. Especialmente quem determinou o percurso. Fenomenal! Em termos logísticos, tudo funcionou na perfeição; a acomodação, o serviço de refeições (excelente empenho daqueles profissionais), o apoio mecânico. Nem a partida atrasada no primeiro dia faz esquecer a excelente organização. Continuo a considerar que poderia ser dado um relevo diferente aos finalistas do extreme, mas também considero que esse é mais interior que exterior. Em jeito de balanço, Parabéns, Município de Esposende, na pessoa do Dr. Rui Pereira. A ideia de ser obrigatória a participação com duplas ou triplas foi muito bem pensada, se calhar bebendo da nossa experiência em 2012, quem sabe? Creio não haver outro evento em Portugal, no presente, que tenha uma relação qualidade/custo tão elevada.

A dupla funciona igualmente nos trinques. O meu parceiro e jovem advogado, João Paulo, é muito boa onda e retira destas coisas o mesmo sentimento de diversão e desafio que eu retiro. No ano passado, foi um feliz acidente que nos reuniu. Este ano não foi coincidência, foi desejo de repetir. O ano 2014 está longe, mas a haver outra cena igual, tem de ser com o João Paulo! Obrigado, amigo. 

À chegada, a satisfação final.
Companheiros, aproximam-se outros desafios, de outro cariz. Mas agora é altura de vos mandar abraços triatléticos e até breve. 

1 comentário:

João Paulo Torres disse...

Caro Prof.,

Não podia deixar de agradecer e retribuir a estima e amizade! A verdade é que nem sei bem como nasceu esta amizade: entre troca de ideias de peregrinos e jurídicas, a verdade é que a empatia ficou. O Extreme 2012, depois de muito esforço para convencê-lo a sair à mesma hora que eu, criou a ligação. E depois, bem, depois os kms fizeram o resto! Porque desafiar um Extreme, arriscar pelar umas 16h, e passar 2 dias lado a lado, é coisa que ou dá em "casamento" ou em "pancadaria" :)

A bem disto tudo, as suas pernas treinadas e as minhas sem treino, sintonizam-se bem :) (vá, aceitemos que o IVA na idade faz a diferença necessária:)

Quanto ao resto, subscrevo o registo e o voto: Em 2014 arrancaremos de novo juntos!

Um grande abraço.
JP Torres