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Reflexão IV

21/12/10



6ª feira passada, estava eu de volta de uns capacetes, porque o meu teve também um desarranjo cefálico, na loja habitual, e entra um rapaz, da natação, dos bons, mais a sua mãe, para saber coisas que não sei, nem me interessa, mas a conversa derivou para o ...triatlo. Isto porque apadrinhei a sua primeira participação num evento da modalidade; o II triatlo supersprint da Póvoa de Varzim, em Setembro último. 
Vulgarmente nos cruzamos na piscina, não porque ele treine muito natação, eu é que sim, preciso bastante. Ele aparece após uma corridinha, seguida de umas braçadas. E o tema do triatlo volta sempre. Aliás, é o único tema  de conversa entre nós: provas, quando são, e clubes...Pois é, clubes. E aqui volto à loja.
A sua mãe começou a colocar-me algumas questões e eu apercebi-me que de facto muito mal está a modalidade ao nível da formação. Por um lado. Pelo outro, é uma oportunidade enorme este momento que se vive. Já explico. Ele e a mãe queriam saber como é que funcionava o Fluvial Vilacondense e o Porto Runners ao nível da formação. Pois, é que...acho que não há!! Não há? Não, acho que não. E de facto, é só maduros, dum lado e doutro. E vai daí, e então não há nenhum clube com formação, com orientação ao nível do treino? Pois, acho que cada um sabe de si. Mas, o melhor é informar-se, aconselhei. E fiquei por momentos a pensar nisto.
De facto, dos clubes que conheço, só na região de Lisboa (recordo o Alpiarça, Benedita  e pouco mais) é que me recordo de haver a preocupação com a formação de jovens triatletas desde a mais tenra idade. Não é o caso do rapaz aqui de Esposende, que é mais velho, mas ainda só aproveitou 19 anitos desta que se pretende seja uma longa vida. E é um puto com forte potencial. Ora, não será fácil cativar jovens para a modalidade e com qualidade se apenas houver menos de meia-dúzia de clubes com formação efectiva. 
É verdade que as coisas andam a mexer, é verdade que a procura está a aparecer, mesmo nos mais jovens, porque os mais maduros esses vão-se desenrascando. Lêem aqui e acoli, vivem da experiência obtida em outras modalidades donde trazem forte influência, ou aconselham-se com aqueles que a têm, mas para um jovem como aquele com que me cruzei na loja das bicicletas não será nada fácil entender que se quiser treinar terá de se desenrascar por si. Este ainda tem a sorte de ter experiência de treino numa disciplina pouco acessível, mas e nas outras? Recordo aqui aquilo que a Anais Moniz disse em entrevista publicada que, imagine-se, só no ano passado soube como deveria treinar ciclismo. Estamos a falar de uma atleta do top Nacional. 
Mas, esta questão faz-me lembrar que a federação tem investido muito pouco na formação de treinadores fora do circulo da grande área metropolitana de Lisboa. E Portugal não é só Lisboa, graças a Deus! Há quanto tempo não se promove um curso de treinadores de nível I, porque este terá de ser sempre o primeiro, na região do Porto? E no Algarve? E no Interior Centro? Pois. Quando um jovem me pergunta como é que funciona a formação dos clubes que conheço, dizer-lhe que o poderá fazer no Triatlo de Almada ou no Alhandra quando ele vive no Minho, é dizer-lhe para se dedicar a outras hortas.
A outra questão é que nada ou muito pouco havendo, estão criadas as condições para aqueles que o desejem possam desenvolver a formação, criando a sua escola própria, padronizando o seu estilo e incentivando os potenciais interessados a juntar-se à tribo. 
Eu não, por favor. Já não estou afinado nesse fim. Já tenho a minha dose, já no passado andei com a tralha às costas, mais os putos, numa outra área, de borla em muitos casos. Agora, interessa-me desfrutar do lado de dentro. Mas, desejo fazer este alerta para quem o quiser e não saiba como: estão criadas as condições para se desenvolverem escolas de formação de jovens triatletas. Nas condições em que outros jovens se iniciam no futebol ou na natação ou no ténis, só para dar estes exemplos, isto é, a pagar!

Abraços triatléticos, companheiros.

3 comentários:

Pedro Brandão disse...

Oi amigo. Não podia estar mais de acordo. Mas como sempre em Portugal as coisas nascem ao contrário. Vais ver que daqui a uns anos ~(muitos) depois de alguns "auto-didatas" terem feito uns brilharetes no tri é que se vão lembrar disso. No entanto não posso deixar de referir que alguns dos jovens brilhantes que temos na modalidade (estou-me a lembrar do João Silva) vieram de um programa da FTP (Deteção de Talentos). O mal deste programa é que concentra tudo no centro de alto rendimento em Lx. E então o resto do país?
Abraço grande

sica disse...

João, a questão apresentada é de facto um desafio para o desenvolvimento da modalidade, no entanto gostava de fazer alguns reparos.
Na zona de Aveiro tens alguns clubes que apostam fortemente na formação de Triatletas, entra na classificação das provas jovens e és capaz de ter algumas surpresas.
Por outro lado para existirem mais "escolas" de triatlo para além de terem de existir mais alguns carolas que abdiquem de usufruir da participação em provas e outro aspecto fundamental, um grupo de trabalho homogéneo, ao contrário dos maduros os jovens para evoluireme se motivarem necessitam de um grupo de trabalho e nem sempre é fácil criar estas condições.
Por último lembro que tem sido feito um esforço por parte da Federação para descentralizar a modalidade como exemplo temos o Centro de alto rendimento criado em Montemor e o próprio calendário este ano tem uma distribuição geográfica mais uniforme.
Agora uma coisa é certa precisamos de mais escolas para desenvolver a modalidade.

david caldeirao disse...

parece fácil :-) mas não é!!! é uma questão cultural, para o bem e para o mal somos diferentes dos espanhois e centralizamos tudo na metropole..., mesmo assim o caminho escolhido pela FTP tem dado frutos, num pais pequeno como o nosso é melhor ter muito bons eventos nacionais do que medianos eventos regionais, a logistica necessária para fazer boas provas é imensa..., e enquanto só houver um organizador com meios técnicos e humanos para organizar as provas, estamos conversados!!! veja-se o caso das associações regionais de triatlo!!! onde andam??? o que conseguiram???
pode haver outro caminho? concerteza que sim..., e se calhar passa pelas escolas, pois só os professores podem ser requisitados(estado a pagar...) por clubes, associações, federações, para trabalharem com os miudos!!! acho que não tens bem a noção da quantidade de triatletas que são técnicos de triatlo nivelI, mas como é que podem..., quando o tempo livre já é reduzido!!!
uma coisa é certa, sem vontade não se faz nada.... ;-P