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III Etapa do CNI de Triatlo - Setúbal: O Meu Ponto de Vista!

26/09/10



Ora aí está, mais uma etapa ultrapassada na minha caminhada na modalidade que, espero, me leve à distância longa. Só para o ano, porque este...já deu o que tinha para dar. O que falta são trocos, que servirão para desfrutar do prazer em participar em eventos desportivos. Mas, adiante. Sobre mim escreverei mais lá para a frente, porque há vários aspectos a referir. O primeiro, e não necessariamente o mais importante, foi a vitória do João Pereira, do Alhandra, cuja prova foi espectacular. Lembro-me de o ver no...pódium. E foi um prazer, porque é um rapaz cheio de talento, dedicado, que passou por uma fase menos boa, esta época, mas que não baixou os braços e lá está! ganhou em Setúbal. Claro, beneficiou da ausência do João Silva, mas provou que é um puro sangue do triatlo luso. E para ilustrar o mérito da sua vitória, acrescento que os seus companheiros de pódio foram dois experientes atletas olímpicos, precisamente Bruno Pais (Benfica) e Duarte Marques (Alpiarça). O Bruno teve uma época longe da homóloga do ano transacto, onde foi dominador. Este ano, fruto de outros interesses e outros projectos, conjecturo, andou mais ocupado com outras coisas. Seja como for, marcou uma fase fantástica do triatlo português, porque penso que está a dar o lugar a outros, mais jovens, cheios de igual talento e vontade em mostrar serviço. 
Esta prova não foi fácil, ou acessível, como queiram, porque em todos os segmentos houve dificuldades, umas naturais, outras acrescidas pelas circunstâncias. Passo a explicar; a natação tinha como obstáculo, para além da distância, mas isso já se sabia, a corrente e alguma agitação das águas. Para além disso, e depois de contornada a primeira bóia em cada volta, deparámo-nos com o sol, já meio baixo, que dificultava muito o visionamento da bóia seguinte. Aliás, quero até fazer uma sugestão; que deixe de haver toucas amarelas na água. Caramba, cada vez que vislumbrava uma touca dessa cor ficava na dúvida se seria bóia ou não. Se calhar é mais fácil mudar as cores das bóias. Mas, dizia, o segmento de ciclismo teve a dificuldade de se pedalar contra o vento no retorno. Não foi fácil. E depois a corrida tinha-tem-teve aquela rampa que nunca mais acabava. O que vale é que foram só 4 voltas! se tivessem sido mais 20 acho que ainda agora lá estava, tipo pêndulo de um relógio qualquer. 
Como se pode comprovar pela classificação absoluta, nesta distância os mais novos já não dominam assim de forma avassaladora: nos 20 primeiros encontramos 8 seniores, 5 sub 23 e 7 juniores. Algum equilíbrio, portanto. Concluíram a prova 150 atletas. Vários não tiveram essa sorte. As regras eram claras. Concordo com a regra do tempo de corte, como dizem os galegos. Por lá, todas as provas organizadas pela respectiva federação são implacáveis na sua aplicação. Também aceito que se deva estabelecer padrões de qualidade que elevem o grau de exigência e que para tal os demais participantes tenham de ter consciência das suas capacidades para arriscarem ou não a sua participação. O que discordo piamente é que as alterações regulamentares produzidas no decurso do prazo de inscrições ou quando já findo o mesmo não sejam objecto de um comunicado. É o mínimo. Segundo conversa que tive com o Henrique (CVP) foram introduzidas alterações ao regulamento, especificamente ao tempo limite para a conclusão dos segmentos de natação e ciclismo e que não foram devidamente anunciadas. Não estranho, porque já aqui referi em outros momentos alguma falha da estrutura federativa neste aspecto da comunicação. Isto é, as alterações deveriam ser sempre precedidas de um anúncio em forma de comunicado, por exemplo, e nem sempre é feito. Depois, talvez pudesse ter havido lugar a alguma tolerância pelo facto das condições do estado do mar não serem as mais perfeitas para o cumprimento das exigências. Por outro lado, 45' para concluir 1500 mtrs será aceitável, não? Bom, a organização esteve bem, a despeito dos aspectos referidos. Mas não posso deixar de referir um aspecto que me matraca o espírito sempre que participo  em eventos desportivos e no final recebo um saco com...uma t-shirt (por acaso, a de Setúbal é bem gira). O que quero dizer com isto? Que é um pobreza franciscana. Então, nós contribuímos com a nossa presença na promoção e divulgação de uma cidade/terra e modalidade,  alguns de nós fazemos deslocações a perder de vista, pagamos para participar, e no final recebemos, em compensação, um saco e uma t-shirt! Ah, sei, também temos água e sumos e bananas e outras frutas...e estamos em crise. Não sei, acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo.

A minha prova

Bom,  o dia havia começado bem, embora tivesse tido alguma dificuldade em adormecer, como aliás, acontece sempre que há provas. Mas, no Sábado podia ficar algum tempo mais no meu leito. O almoço havia sido peixe, broculos, cenouras, batata e cebola, tudo cozido, é claro. A escolha foi feita para ser facilmente digerida, conter hidratos de carbono na abundância necessária (batata), produtos com alto teor de carga glicémica (cenoura) e proteínas para a reparação muscular, sem toxinas (peixe). Preparei também um bidão com uma bebida isotónica e umas barras de reposição energética para ir administrando durante o segmento de corrida. Nunca me dei muito bem com as provas no turno da tarde. Gosto mais de "batalhar" pela manhã. Sou ao contrário do Marco Fortes. Cheguei já um bocado em cima da hora, isto é, para fazer aquilo que gosto: ter tempo para aquecer com calma e de forma ritmada. Tive de meter o plano ARQT ( aquece rápido que não tarda). E assim foi. Ainda deu tempo para nadar o tempo suficiente para ...sem desculpas. 
E nisto estamos na água, prontos para ouvir o "corneteiro". Achei que estávamos todos muito apertadinhos na linha de partida. E fiquei com a certeza quando passados uns metros após o som levei uma valente patada no capacete, que me levantou os óculos. Ninguém tinha culpa, a não ser quem decidiu que a partida tinha de ser feita com 170 manganões em 3 m3. O início foi complicado, muitas apalpadelas, cotoveladas, encosta para lá, parecia que estava em hora de ponta no metropolitano de Lisboa, mas na estação do Rossio. A páginas tantas dou-me conta que me aproximo da primeira boia (ou será um Júnior?). Quero aproximar-me, mas não me deixam. Para o fazer teria de carregar no botão para parar o trânsito, e ainda assim acho que eles nunca parariam. Tenho de seguir com eles, dar uma valente volta para contornar aquela bóia ( ou será júnior?). Entretanto, dá para ver que há muitas toucas vermelhas à minha volta. Parece-me que os vou passando. Sinto-me bem, descontraído. Parece-me que vou num bom ritmo, folgado. Fico com a ideia de acelerar um pouco, mas penso " e se depois...?". Decido continuar assim. Uma volta concretizada e por incrível que pareça não sinto a força da corrente. Devo estar anestesiado. Acho que o Manuel Gonçalves anda ali por perto. De vez em quando há um companheiro que me incomoda. Afasto-me sempre. Na segunda volta verifico que há um grupo que se afasta da trajectória da segunda bóia, aquela que nos vira para terra. Que raio? Serei eu ou serão eles quem está correcto? Decido continuar na minha. O sol esse incomoda (touca amarela ou bóia, eis a questão). No trajecto para a terceira bóia ( estão a seguir-me?) sinto a corrente, puxa-me para fora. Tava a ver que não. Verifico que já não há quase ninguém à minha volta, a não ser o Manuel Gonçalves. O trajecto final cansa um bocado, concluo que fiz bem em não ter "apertado". Afinal, era a primeira vez que fazia a distância em competição. E aqueles metros finais não foram fáceis, não. Ciclismo. Quando entro na estrada vejo um grupo liderado pelo Pedro Cordeiro. Que raio! Fiquei logo com a sensação que a natação tinha sido para o fraco. Busco a hidratação e perco de imediato um gel. Merda! Passa o grupo do Pedro e acompanho-os. Não podia, mas acompanho-os. E agora digam-me: como é que se controla uma coisa destas? Ao longo de todo o segmento, foram vários os grupos que se cruzaram, entrecruzaram, descruzaram, eu sei lá. Mais tarde perco o contacto com aquele grupo, acima de tudo porque ao passar no paralelo não consegui acompanhar o ritmo e ...fiquei com uns rapazes do Vasco da Gama, e assim foi até ao fim. Pelo meio, uma dor no quadricepte esquerdo faz-me temer pelo segmento final e decido não forçar muito, ir gerindo. Nessa primeira fase, fui mais puxado do que puxei. Às tantas, a dor foi atenuando, tal era a esfrega, e passei a puxar mais do que fui puxado. Era a minha vez. Nos entretantos, mais grupos que se cruzaram, até que aparece um grupo jeitoso que nos deram uma boa boleia até...ainda tinha de fazer mais uma volta. 
Chegados à corrida, antes que tudo os receios. Será que aguentam, será que não? O primeiro teste estava logo ali, ao virar duma curva; a rampa. Piscava-me o olho, em tom de desafio. Fez-se até benzinho, no meu ritmo, claro.E engraçado; a primeira volta parece uma eternidade, a segunda tem menos 100 metros, parece, a última é só mais um bocadinho. O nosso cérebro é qualquer coisa. Mas, a corrida foi uma agradável surpresa porque nunca pensei fazer 10km em menos de 45'. Deu-me 4'30''/km. Não foi mau de todo, não senhor.
Mais tarde e já em casa, na digestão do choco frito, perante os tempos conseguidos, a frustração dos 37' na natação dominou-me. Tenho capacidade para melhor. Mas, a corrida animou-me. Fiquei equilibrado e pronto para trabalhar mais. E, muito importante, não me magoei.
Conclusão:  há três coisas que tenho de melhorar, nadar, pedalar e correr. Depois, sim, serei  (mais) feliz.

A finalizar
Dizer que foi um prazer conhecer pessoalmente quatro pessoas: Paulo Renato e Paulo Sequeira, e o duo Pitarma, pai e filho. Tudo gente cinco estrelas. Assim que cheguei ao parque de transição, para deixar o material, fui de imediato surpreendido pelos Pitarma, simpatiquíssimos. Tinham-me feito uma "espera". Pena não ter tido mais tempo para mais que dois dedos de conversa. Haverá mais oportunidades e acreditem que foi um prazer. Os amigos de Peniche são também do melhor. Nada como ao vivo e a cores, não é companheiros? Esta parte foi um bónus na tarde de Sábado. 

E agora? Jamor, pois claro! Boa semana, companheiros




Nota: desta feita não há fotos. Os afazeres não permitiram que a reportagem fotográfica fosse feita. Fica agendada para o próximo evento.


6 comentários:

sica disse...

João Parabéns pela prova e não te agarres ao tempo da natação, em situações "normais", não é exagero se disser que consegues tirar 5 min. ao tempo alcançado.

Anónimo disse...

Boa reportagem e obrigado pelas palavras, mas tenho uma surpresa afinal pelo menos uma foto pode ser colocada no blog, não é uma foto com a qualidade merecida mas foi a possivel.

Paulo Pitarma

Pedro Brandao disse...

Oi grande João. Estás em grande companheiro. olha que mesmo assim fizeste um bom tempo. Eu em Aveiro fiz 2:50 minutos. Muito mais do que fizeste aqui. Está em grande amigo. Agora relax para começar o novo ano ainda melhor. Muitos parabens amigo.

Rui Pena disse...

Boas Joao,

Sou o Rui Pena da AASM... Ficaste logo depois de mim, andámos juntos na fase final do ciclismo e nas duas ultimas voltas da corrida... ainda houve ali um despique para a meta.

Fiquei contente de te encontrar na blogosfera. Espero ter mais despiques contigo... nos longos, nos Olímpicos, onde for... e mais na frente, de preferência.

Abraço,

Rui

Fernando Carmo disse...

Espero que os meus colegas do CVG te tenham tratado bem. Gostei do relato.
Abraços e até ao Jamor.

João Paulo disse...

Parabéns João.Tem sido muito agradável acompanhar este blog e desta feita em particular mais uma grande vitória pessoal.
Abraços e obrigado pelas partilhas.
Bons treinos e boas provas