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Reflexão VI

16/02/11





Diogo Figueiredo

Enquanto ia observando as fotos do duatlo do Jamor, realizado no passado mês de Janeiro, a páginas tantas houve uma foto de um dos pódios que me chamou particular atenção; era o pódio dos cadetes. E porquê? Porque no lugar mais alto estava um rapaz meu vizinho e com quem várias vezes me cruzo aquando dos treinos de ciclismo noite dentro (ainda estamos no inverno). O Diogo, nome do rapaz a que me refiro, é praticante de BTT. Vencedor do campeonato do Minho de XCO, vice-campeão Nacional na mesma variante, é um puto cheio de qualidades para o género, mas não só. Faz parte duma equipa que treina metódicamente, com persistência, regularidade e que distingue claramente os treinos de qualidade dos treinos de volume e dos treinos de recuperação. Treina bem, portanto. Na altura constatei que havia levado de vencida o seu escalão, facto que me surpreendeu, mas fiquei por aí. Ora, na semana passada e enquanto esperava a minha vez no consultório de outro Diogo, este fisioterapeutam (é, já ando às voltas com o gémeo, agora o direito), peguei no jornal cá da terra e lá vinha a notícia, em destaque, da vitória do Diogo Figueiredo. A minha maior surpresa foi quando vi com olhos de ver o tempo que o cadete fez: uma hora e onze minutos, mais uns pózinhos. Fiquei francamente surpreendido. Pensei, tenho de confirmar isto assim que chegar a casa. Assim foi, e assim constatei que de facto o miúdo compete como um graúdo: classificou-se nos 30 primeiros lugares da geral, a mais de um minuto do segundo classificado do seu escalão, e para isso correu o primeiro segmento a pouco mais de 3'30''/km. Então é que me descaíram completamente os queixos. Grande tempo, grande prestação. E pensei...
(Fonte: FTP)

Ora, aqui está um grande talento. Ele que raramente corre (nunca o vejo a correr), não sei se nada, mas que tem talento, lá isso tem. Claro, está enquadrado no BTT, não se perderá se nada de anormal acontecer.
Pergunto: quantos "diogos figueiredos" andarão por aí, incógnitos, derivando não se sabe bem por onde, com imensas qualidades para isto e para aquilo, dependentes apenas de quem lhes dê uma ajudazinha, um pequeno empurrão para singrarem numa actividade qualquer? Quantos serão aqueles que tendo francas qualidades para a prática de triatlo, em concreto, passam despercebidos mesmo existindo planos bem elaborados para a captação de talentos?
Este fim de semana que passou, passei a olhar para a classificação de cadetes com mais atenção e reforcei a ideia de que os miúdos da frente andam muito, mas muito bem. E isso deixa-me satisfeito. Quer dizer que há futuro para além dos dias correntes.

Parabéns, Diogo Figueiredo. Parabéns jovens cadetes. Vou continuar de olho em vós.

Abraços, companheiros. 

1 comentário:

sica disse...

Se vires os tempos nos últimos anos da detecção de talentos, dá para perceber, que se esta rapaziada não se perder, será muito dificil dentro de pouco tempo um sénior maduro ou veterano entrarem nos 50 primeiros classificados numa prova de Triatlo, salvo honrosas excepções.
É sinal de vitalidade, coisa que vai faltando por exemplo ao meio fundo Português, antigamente eram muitos os garotos a correrem abaixo dos 3.30, agora nem por isso.