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Tri Longo de Caminha: Frustração (pessoal)!

15/07/13



A tribo!
Vou começar por dizer que o Longo de Caminha acaba por ser um processo muito interessante de aprendizagem. Ao longo destas linhas irão perceber porque assim é. A primeira é que convém dar sempre uma margem ao conteúdo de um regulamento, porque ao ter confiado no que tinha lido, ia perdendo o transporte para a partida. Valeu rever os companheiros da tribo, alguns deles que não lhes punha a vista em cima "há canos". Excelente grupo.
De maneiras que entrei de imediato em stress, tudo a 200 à hora. E à procura de uma casa de banho porque a coisa  apertava. Ainda bem que o barco estava equipado, senão havia de ser o bom e o bonito.
Foi a minha primeira vez numa partida assim (saltar do barco) e a sensação é esquisita. A água mais fria do que imaginava, mas tolerável, perfeitamente. No final da prova, comentando as incidências da mesma com o Moura, ambos sentimos o mesmo; o nado até à zona de partida nunca mais terminava, e seria possível chegar a tempo da partida? Afinal, a corrente não estava favorável, o que significaria 1,9 kms penosos. Corrijo; no meu caso foram 2,12kms.
Eu até tenho por hábito fazer uma navegação certinha. Mas ontem não. Isso e a minha menor capacidade de nado no momento justificam os 45' que demorei para perfazer o primeiro segmento. 
E inicio o segmento de ciclismo com...vontade. Gosto de escalar, portanto, força. Só que não imaginava encontrar uma subida tão prolongada e rampas tão...coiso. Estava à espera dos tais 5%/6%.. E dei comigo a pensar "...mas que grande burro! querer fazer uma prova destas em 5 horas". Ri-me para mim mesmo. Lá pelo meio das montanhas fui-me apercebendo que recuperava posições inimagináveis, talvez. E fui estando atento a alguns de avental vermelho, tendo feito a "viagem" com um deles. E espanhois, vários. No ciclismo é curioso as dinâmicas durante a corrida, especialmente numa "prova de montanha", como esta. As recuperações são muito diferenciadas e ora somos alcançados por este e aquele, ora nos afastamos dele e doutros. Já no último terço do trajecto dou com uma dor, que haveria de ser terrível, nos lombares. Os andamentos mais pesados fazem disto, particularmente quando se sobe e muito. Tentei relaxar, alongar, mas o mal estava feito, ela persistia e agora que me aproximava rapidamente da transição, pensava como me iria aguentar 21 kms em pé! Isso e outra inflamação numa articulação no gémeo esquerdo começavam a preocupar-me. 
Altimetria: 1669
Já no parque de transição uma informação que tonificava a mente: "estás muito bem, João!", gritava a mulher. "Despacha-te!", dizia-me ela perante a minha demora. "Espera, deixa-me aliviar as costas", retorqui. E parti. Olho para o relógio e fixo 4,20. Fiquei na dúvida: era o tempo que tinha ou o tempo por km? Mais à frente 4,22, 4,23...tirei as dúvidas. Logo no início uma sensação boa: as costas. embora contraidas, não causam problema. Outra sensação boa: a inflamação na tal articulação já se foi. As sensações más: o início da corrida. parecia que fazia tudo menos correr. E o vento, muito desagradável naquela parte do percurso, à beira rio. Olhei para a água e pensei que se a natação tivesse sido ali e naquela hora ui! ancorávamos. Nesse tempo ultrapasso uma companheira, espanhola, que já havia apanhado na última descida da montanha e com quem pedalei os kms finais. Vejo a bike na sua frente e pergunto-lhe se ela é a primeira. Responde-me que sim, acha que sim, faço-lhe o sinal universal de "fixe" e continuo. E pensei que finalmente estava na frente...da prova feminina. E mais à frente quem é que encontro? O Paulo Renato Santos. Hilariante! Ele acompanha-me na corrida durante uns minutitos e falamos, e como vais e que se passa contigo e tu, que já andas aqui, pelo menos. Foi demais. Pensei que se conseguia falar naquela fase da prova, então ainda tinha muito que dar. E mais à frente a informação de luxo, do António Moura: João, vais em segundo! no escalão, claro. Aqui a conversa foi curta num percurso multifacetado, como estava anunciado, as gentes do veraneio aplaudiam e davam força. Agradeço sempre. E continuo a passar alguns concorrentes até me cruzar com o primeiro que já estava de volta. Impressionante! E outro, no primeiro abastecimento e mais à frente quem, quem? O Caldeirão, pois. Em grande ritmo. Claro, desejei-lhe força e lá fomos em sentidos opostos. E depois o Paulo Adão, que tão bem estava em competição.
Estou à distância de 4/5 metros dum companheiro e já no fim de Moledo, a passada melhorava, neste momento já me sentia a correr, mais solto, adaptado ao novo segmento, quando começo a sentir algo muito familiar no gémeo direito. Que raio! Continuo, procuro pisos mais softs, mas é tarde...as irradiações picantes atacam, a pressão intramuscular aumenta e aparece a dor. Paro! Estou só. Impressionante as diferenças entre os concorrentes, enormes. Estou algum tempo ali parado e não passa ninguém. Decido andar...penso que vão ter de me aturar até ao fim. E passa um espanhol "ânimo" e outro, "ânimo". Penso que isto não vai lá com ânimo. Precisava de mudar as pernas. Outras, s.f.f. E confirmo aquela sensação; as diferenças são enormes. Que prova de resistência. O ciclismo separou a malta toda e de que maneira. Terá sido o sector selectivo por excelência. E começam a aparecer caras conhecidas; o Paulo Neves, com quem ainda me diverti um bocado. Dizia-me ele."Ora aqui está uma boa ideia". Pedimos água a uma senhora que regava não sei o quê e ele lá foi e eu fiquei. Ainda tentei recomeçar. Qual quê? Agora que estava frio, nem as dores nas costas me permitiam correr. Mas, a perna tinha dado o berro. E aparece o Pedro Reis, com quem também troquei umas palavras, e o Vitor Santos da Fonte Grada e etc etc. Alguns aproveitam a minha fraqueza e também param para retemperar energias. Estava a ser muito duro. Uma palavra para a fisioterapeuta que um pouco à frente do segundo abastecimento me procurou ajudar. Foi aqui que decidi regressar. E vim de mota para Caminha. Pessoal "five stars". E ficou o convite para treinos e mais treinos.

Na chegada deparo-me logo com a belíssima confirmação do 3º lugar do Caldeirão e com outros companheiros que haviam chegado e que iam chegando. A primeira mulher perfez a prova em 6h07'. Fico com várias sensações amargas, mas acima de tudo que medalhas e prémios, essas coisas, nada querem comigo. Logo, o melhor mesmo é deixar isso de parte e aproveitar as pausas das minhas limitações para me divertir enquanto posso. É por estas e muitas mais que o melhor é nem sequer sonhar com outros voos. 

Companheiros, só sei que me diverti muito convosco. Esposende está impossível, conhecendo-me como me conheço e portanto digo que espero reencontrar-vos assim que me seja possível. Abraços triatléticos para todos vós.
  

3 comentários:

Hugo Gomes disse...

Boas João!

Foi, de facto, bastante agradável rever-te e saber que estás de volta à tribo.
A prova foi muito dura (aquele ciclismo...) e as mazelas são inevitáveis.
Espero que recuperes rápido e, se possível, a tempo de Esposende.
Um abraço!

Pedro Reis disse...

João, estiveste muito forte até a lesão te voltar a atormentar. Tomaste uma vez mais a decisão acertada. Ficou claro que tens uma preparação física invejável para esta coisa ;)
Logo que resolvas essa maldita sorte, grandes resultados te esperam.
Obrigado pelas palavras de incentivo na ponta final.
Grande abraço e até breve!

david caldeirao disse...

mas o que é que te posso dizer mais..., já sabes que não tens juizo (em especial na preparação), depois colocas sempre objectivos muito ambiciosos..., fica sempre esse sabor amargo, de quem quer mas não pode!!!
ser consistente é o segredo, mesmo que seja num nivel mais baixo do que seria possivel, baixar a fasquia e treinar, simplesmente treinar dia após dia, sem series, sem sprint's intermédios, sem stress!!!
forte abraço, se não vais a Esposende, podes sempre começar a pensar no olimpico em Aveiro ;)