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Triatlo de Peniche; Antes Tarde Que Nunca!

09/06/10



Talvez venha tarde, mas ainda assim apetece-me comentar algumas das incidências que se constatam da "leitura" dos resultados desta prova de Peniche, que valia os títulos Nacionais de Grupos de Idade, entre outras coisas.

E começo precisamente por considerar injusto que a atribuição de um título de Campeão Nacional esteja circunscrita a uma e única prova. Concordo em absoluto com o "dever" de homenagem a que a Federação "está" obrigada, digamos assim, para todos aqueles que nas suas terras, muito fizeram pela implantação do desporto na região e no País, em geral, tendo com essa teimosa persistência levado outros a seguirem-lhes os passos: Peniche esteve na vanguarda e foi candeia para muitas outras experiências na modalidade, certamente. E esse tal "dever" de homenagem pode passar pela atribuição de troféus especiais ou com outras elevadas honrarias que vinculem os Municípios à história do próprio triatlo no panorama Nacional. O que não me parece adequado é que as lesões, contrariedades incontornáveis, deveres diversos, um dia menos bom ou mesmo mau, possam sujeitar e condicionar a candidatura de qualquer atleta a um título com as características absolutas como os que estavam em causa tinham. Mas mais, seria de toda a justiça que, a exemplo do que acontece com a atribuição do título de Campeão Nacional de Triatlo, fossem seleccionadas um grupo de provas, no mínimo, que classificassem para o apuramento destes campeões. Aliás, não foi por acaso que a própria ITU alterou a fórmula de apuramento dos Campeões Mundiais da modalidade, e penso que concordamos todos que é muito mais justo os critérios agora adoptados. Mas, façam-me o favor de dizer de vossa justiça o que pensam sobre o assunto.

Sobre a prova propriamente dita, nem sei por onde começar: se pelo somatório dos títulos alcançados se pensar nos clubes representativos; se pelos duelos dos primeiros; se pelos duelos travados no escalão V2, que foi de pôr os cabelos em pé; se os duelos travados também no escalão V3...enfim. Tenho de começar numa ponta, para ver se acabo noutra, procurando não ser maçador, podendo ao mesmo tempo ser exaustivo.
Os vencedores - fui atraiçoado pela lista de inscritos fornecida pela Federação, porque na Sexta-feira passada lancei uma sondagem, cuja adesão foi muito fraquinha, fraquinha, e onde lançava como possível vencedor Vasco Pessoa. Não me desiludiu. Mas, eu não sabia que iriam estar presentes algumas figuras de destaque do triatlo nacional, e se soubesse que o Hugo Ventura e o João Serrano, ou João Amorim iriam dizer que sim ao sinal de partida da prova, eu já não teria tanta certeza sobre quem venceria. E a prova aí está, com todos estes nomes nos lugares cimeiros. Parabéns ao jovem João Amorim, do Alhandra, cuja vitória é um estimulo forte para continuar a trabalhar, quem sabe, a participar já nos Olímpicos de Londres. E novamente o destaque para a mesma juventude a dominar os lugares mais perto do céu: o primeiro sénior aparece no 15ºL (Rui Dolores, Amiciclo). No feminino, sem grande surpresa, endereço os parabéns a Mariana Costa, do CT Fundão, também uma jovem a impor-se a outras jovens e menos jovens. Grande Mariana!

E embora esta não fosse uma competição em que os interesses clubisticos estivessem em primeiro plano, o certo é que o Louletano esteve em destaque (em masculinos) ao ver projectado o seu nome por três individualidades que   alcançaram três titulos Nacionais: Nuno Neves (30-34 anos), com um excelente 17ºL absoluto, David Caldeirão (35-39 anos), com outro excelente 20ºL geral e revalidando o título do ano passado, o que por si é outro grande feito (mais um ano e sempre em cima, é obra), e Carlos Cabrita (55-59 anos), que na sua belíssima idade se sagra Campeão Nacional do escalão. Mas, não só o Louletano está de parabéns. Também o Molly Maid/Vitória de Janes conseguiu a proeza de garantir dois títulos individuais: Miguel Fragoso (45-49 anos) e Carlos Brito (50-54 anos). Em femininos, destaco o CT Fundão, que viu duas atletas suas sagrarem-se Campeãs Nacionais de Grupos de Idade: a já citada Mariana Costa, vencedora em 18-19 anos e Ana Filipa Santos, vencedora em 25-29 anos.

Mas, a minha maior excitação verificou-se quando constatei que no escalão V2 se travou uma luta de mestres entre Miguel Fragoso (Molly Maid), que esteve excelente, António Horta (Praças da Armada) e Emanuel Marques ( Académica S. Mamede). E ainda ficou de fora Carlos Gomes (Oeiras SC), para grande surpresa minha, que no entanto realizou um segmento de corrida em grande nível. Mas a natação... Aliás, parece-me que o Carlos não se dá muito bem com os ares de Peniche, já que também no ano transacto teve dificuldades em contrariar o favoritismo dos outros seus rivais. Voltando, e olhando para os parciais nos três segmentos, deve ter sido de facto de arromba a luta pelo título. Houve concerteza alguma alternância no comando da prova e as distâncias entre os dois primeiros não terá ascendido a muito mais de 100 metros. Fantástico. E uma palavra de conforto para o Horta, António, que na sua primeira prova da época surge em claro destaque, a complicar a vida ao Miguel como ainda ninguém o tinha feito este ano. Pena que não participe mais amiúde nas provas da Federação. Também uma palavra para o Emanuel que depois de algumas provas menos conseguidas, surge em grande forma precisamente na prova rainha das competições por escalões. Foi dos escalões em que os lugares do pódio estiveram em maior dúvida. Está de loucos, este escalão.
Outra grande agradável disputa verificou-se no escalão V3, não tanto pelas diferenças de tempos, mas pela  luta que trespassou para os clubes, já que a aquela deu-se entre os atletas dos já referidos Louletano e Molly Maid. No final, sorriu mais bonito Carlos Brito. Em V4, estava à espera que o Fernando Feijão aparecesse melhor apesar da sua longa ausência. Assim não foi e o seu 2ºL foi o melhor que se pôde arranjar, ele que é um atleta de enorme valia.

Duas notas finais: 1º- como tinha de ser, dada a valia do lugar alcançado, destaque enorme para a excelente prova do João Silva na etapa de Madrid do Campeonato do Mundo: o melhor lugar de sempre em masculinos, segundo dizem e eu acredito. Grande classe do João.  2º - como já devem ter reparado, a regularidade e prontidão das crónicas que vou elaborando, à revelia, têm vindo a perder-se. Tal deve-se à necessidade que tenho de me reorganizar e de ter dado prioridade ao repouso. O trabalho aperta, o treino nem sempre dá tréguas e sobra o fim da noite, que é curta para tanta coisa. Espero que compreendam e tenham paciência.

Bons treinos.

4 comentários:

pitarmap disse...

É bom de ler estas crónicas.
Parabéns.
Paulo Pitarma

http://goncalopitarmablog.blogspot.com/

João Correia disse...

Obrigado, Paulo.

Um abraço.

david caldeirao disse...

para quem vive numa ponta do pais..., vamos tentando "sobreviver" neste 1ºano da equipa de triatlo do Louletano!!! agora falta meter os miudos em acção..., porque os "velhos" está visto ;-)
obrigado.....
abraço,

sica disse...

João, as provas de um dia podem ser injustas e no teu escalão estou certo que actualmente o Carlos vale mais que o 4º lugar alcançado, no entanto disputando-se já o Campeonato absoluto em 4 provas, não me parece fácil fazer o mesmo para o Campeonato de Age-Groups.