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Maratona do Porto: Bem Me Quer... Mal Me Quer...

03/11/10




Pois é! Faltam poucos dias para saborear (?) a minha estreia numa distância mítica em provas de corrida como é a da maratona. Nunca os gregos e especialmente Filípides pensaram que volvidos tantos anos houvessem tantos "loucos" na demanda de o imitar. Imitar? Não na tragédia que o colheu, mas sim no feito, apenas; concluir os 40 kms (uma das versões da história, cuja distância terá percorrido para anunciar a vitória grega sobre os persas), embora a partir dos Jogos Olímpicos de Londres, a essa distância tivessem acrescido os 2,195 kms para que a família Real Britânica pudesse assistir ao início da prova do jardim do Palácio de Windsor, imagine-se. 

Confesso que esta semana me dediquei ao processo de mentalização exclusiva para corrida do próximo domingo. Deixei de lado a natação (última vez que nadei foi no sábado e apenas técnica), última vez que pedalei faz hoje uma semana e apenas 60'. De certa forma ou de toda a forma, entrei em período de férias naqueles segmentos. 
A decisão em participar nesta edição, a sétima, da Maratona da Cidade do Porto, aconteceu um pouco por impulso. Dado que os treinos na corrida se iam sucedendo sem queixas de maior, fui-me apercebendo de que tal seria possível. Ainda hoje não estou certo de ter tomado uma decisão racional, por tudo o que tenho relatado sobre o meu passado ao longo deste ano desportivo. Seja como for, afinquei pés no asfalto e em todos os pisos que possam imaginar e atirei-me às distâncias-teste para isso mesmo, me pôr à prova. Daí resultaram alguns treinos acima das duas horas, onde pude contactar com as distâncias acima dos 20 kms. Faz hoje uma semana, realizei o último grande teste; correr  três horas, o que me deu para quase 36 kms, uma maratonazinha.  Este último fim de semana foi engraçado, dado que o Santo Pedro, controlador do tempo e dos seus humores, decidiu brincar comigo e com todos nós, a bem dizer, oferecendo-nos incerteza e chuva e vento com fartura. Cá me safei e consegui concluir o meu programa, tendo realizado o meu último treino (menos) longo antes da tarefa que me espera no próximo domingo; 106' com treino fraccionado pelo meio. Na terça-feira, ainda fiz 35' com treino intervalado (10x1' rápido-160/165 bpm, com 10x1' recuperação em passo lento). Hoje, foi dia de rolar 60', a um ritmo médio de 5'12/km, ritmo que me tem acompanhado quase sempre. E uma ou outra sessão de ginásio, leia-se reforço muscular. E pronto! Esta semana estou a cumprir o plano de treino/descanso e recuperação e alimentação e controlo do peso, como palavras de ordem. Destas, nem todas têm sido verdadeiramente cumpridas, especialmente a alimentação, a minha derradeira batalha em termos de alteração de rotinas de vida. São muitos anos e é muita gulodice. 



Receios

O principal: a planta do meu pé esquerdo, concretamente o metatarso e respectiva fáscia. Na preparação específica que efectuei para a distância, o sofrimento esteve sempre presente a partir da hora e meia. Claro que a partir das duas horas a coisa é mesmo terrível, de modo que fui aquilatando das estratégias para a enganar. Dado que o consegui até aos 35 kms, espero sinceramente conseguir sofrer mais meia-hora e qualquer coisa. Não desejo parar, mas que é uma estratégia que alivia, alivia. O problema será recomeçar. Não fora  a dita e atirava-me claramente para baixar das 3h30'. Mas é muito arriscado. Prefiro investir na conclusão da prova. As sessões de fisioterapia têm-se sucedido, mas precisava de parar por completo para recolher os devidos benefícios. E a maratona? Não dá! Por isso, vou ter mesmo de me aguentar à bronca.
O segundo receio é poder vir a não me sentir bem. Daí que a dieta ao longo da corrida seja fundamental. Não quereria levar a mochila, mas se tiver de ser...Para isso, é necessário que efectivamente haja laranjas e bananas entre os abastecimentos de água. Vou ter de me informar melhor destes aspectos. Os hidratos de carbono levá-los-ei comigo. 
Depois, os receios óbvios resultantes de uma lesão no decurso da prova, que não fazendo parte dos planos, podem sempre ocorrer, mas isso serão riscos do ofício.


Expectativas

O meu principal objectivo, o meu verdadeiro foco, será cumprir a distância. Para isso, irei começar como se de um treino se tratasse. Não quero entusiasmar-me. Também treinei esta parte, quando o corpo me pedia mais. Procurei controlar a coisa. Mas, correr em grupo traz outras motivações. Por isso, vou ter de me mentalizar bem para me auto-controlar. Não estarei em condições de exigir mais. Não porque não fosse capaz de ir mais além, mas atendendo ao meu desconhecimento da distância e ao problema que me tem assolado desde que recomecei a corrida, acima dos 60'/90', honestamente, ficarei imensamente satisfeito se acabar, primeiro, e se o fizer dentro das 3h30'/3h45 de prova. E porquê? Não estou completamente disponível em termos músculo/esqueléticos para me determinar aos meus limites mais elevados. Até porque quando a passada se torna mais vigorosa, mais rápida é a velocidade da inflamação. Assim foi na meia sportzone. Outro aspecto que treinei foi a gestão; do desgaste fisiológico e dos níveis auto-motivacionais, em  sintonia, como não pode deixar de ser. As rectas grandes e a perder de vista podem ser um problema. Há que pôr a cabeça a trabalhar em soluções intermédias; estabelecer patamares de sucesso. Daí que o convívio possa ser decisivo e francamente inspirador. 
Espero igualmente que a paisagem me distraia o suficiente para  pensar noutras coisas, em vez de sentir o desgaste acumulado. Que as bandas de música estejam afinadas o suficiente para que a sua música organize os próprios sons do meu corpo. Mas, quero/tenho de estar atento à sua linguagem, aos sinais que me vai fornecendo e às suas indicações através do interlocutor, leia-se relógio. Não conto estar em grandes condições para usar sejam que reservas forem nos derradeiros quilómetros. Porque essas serão esgotadas à medida que o tempo for passando. 
Uma última expectativa que a minha memória, já desgastada ou gasta, nem sei bem, ainda vai recuperando: o tempo! E se de repente...sopra um vento d'um catano e chove a potes? Isso é que era...Espero que não, honestamente.



Algumas conclusões

Já há resultados a extrair desta preparação para a maratona, mesmo antes de a fazer: nada vai ser como dantes. Em que aspectos? Irei continuar a realizar treinos correndo de e acima das 2hrs, isso é seguro (desde que...). O vício pegou. Depois, é um desafio preparar uma prova de grau mais exigente, como é exemplo desta prova. Calma, ainda não estou convencido que o Ironman seja um objectivo, mas que uns longos mais longos podem vir a ser um alvo, isso aí já germina cá dentro. 

E agora, companheiros, espero encontrar-vos no próximo dia 7 de Novembro, na cidade do Porto, junto ao Palácio de Cristal. E conto estar na pasta party, sábado.

Até breve!




4 comentários:

Rui Pena disse...

Boas João,

Espero que acabes isto... e que a fáscia não te chateie muito... sinceramente. Também espero que se continuares com isso, depois vás ao Centro de Medicina Desportiva pedir uma consulta ao Ortopedista para te tratarem isso (tens acesso a fisioterapeutas ...) Não te esqueças que tens uma nova época para preparar...

Espero encontrar-te (temos que nos encontrar)... e estes conselhos são fáceis de dar... porque po-los em prática é bem mais difícil...

Abraço,

Rui

João Correia disse...

Viva, Rui!
Já não vou a tempo de curar o problema da planta do pé antes da maratona. Mas, a estratégia para a sua resolução vai passar por consulta junto do meu ortopedista ou de um podologista (1º),exames diagnóstico (2º), seguido das respectivas indicações dos especialistas (3º). A próxima época não está muito condicionada por esta questão, porque isto só incomoda a partir de um certo momento (45'). Mas tem de ser resolvido. Domingo, já estou mentalizado para o sofrimento.

Grande abraço, amigo Rui, e obrigado pela preocupação.

Henrique disse...

Olá João,
Folgo em saber que vais tentar a maratona, e tenho a certeza que se o teu pé não te incomodar, vais fazer um excelente tempo, não sem sofreres um bocadinho, claro, mas os atletas como nós, sabem ultrapassar isso. Eu estarei lá, fazendo só os últimos 21 km para tentar ajudar os mais aflitos. Até domingo. abraço. Henrique

_ disse...

Oi amigo. Grnade força par ti companheiro. Lá estaremos na Pasta party e na linha de partida para esta rande aventura.