Ocorreu um erro neste dispositivo

Caminho Francês de Santiago: Dia II

25/07/11



Hoje nao há fotos. O problema com o bluetooth nao foi resolvido a tempo de neste dia poder tirar fotos.

O dia cordou cinzento e frio, como tem sido habitual. O verao anda perdido algures e nós agradecemos, embora custe um bocadinho recomeçar. Eu felizmente trouxe o meu casaco de inverno  de treino e nao passo nada mal. Os amigos Zé e Pajó acusam esta zanga do verao com as nossas latitudes. Adiante. Ainda assim, devo referir que é preferivel cinza que chuvoso, como tinha acontecido no dia anterior, altura em que apanhámos uma valente molha, mesmo que preparados, como convém, aliás.
Boa disposiçao ao pequeno almoço e muita vontade de continuar. Atrasados, sim. Continuamos atrasados, a ponto de começar a pensar se conseguiremos chegar dentro do previsto. Sem problema. Se se perder mais um dia que diferença fará?
Hoje já conseguimos cruzar o nosso caminho com imensos caminheiros, gente de todas as idades, mesmo. Alguns vêm em família, cantam, sorriem, todos nos cumprimentamos num ritual espontâneo, onde o termo "bon camino" é adotado como saudaçao universal, sempre dita com um sorriso partilhado. Nota-se que os caminheiros estao aqui nesta empreitada de livre vontade, dever pessoal, intrinseco. 
Alguns caminheiros nota-se que se encontram embrenhados de tal maneira na sua reflexao pessoal que chegam a assustar-se com a nossa presença, à nossa passagem. Nao é por mal, apenas vao no seu caminho interior, enquanto o outro, aquele que os pés pisam sai automatizado. A pé há muito tempo para nos entregarmos à nossa deriva pessoal. E esta escolha, a do caminho de Santiago, mais nao é que um pretexto para unir a espiritualidade às preocupaçoes da vida que nos rodeiam. De bicicleta também é possível. Porém, dado que os trajetos fora de estrada têm sido exigentes, com constantes subidas e descidas, a atençao tem necessáriamente de ser maior. Mas, há espaço. Há espaço para a reflexao, há espaço para a reflexao conjunta, há espaço, tal o tempo que temos ao nosso dispor, tal as distâncias percorridas.
Pleo trajeto cruzamo-nos com lugares interessantissimos. Para mais tarde revisitar, com outras preocupaçoes. Lugares há que dá vontade de ficar. O caminho de Santiago, como seria de esperar, cruza obrigatóriamente monumentos religiosos/históricos. Na memória escrita registo a Igreja de Zabaldika, do sec. XIII, a Basílica de Trinidad de Arre, do sec XII, o Portal de Francia, a igreja de S. Miguel, do sec XII, igreja do Santo SEpulcro, no Ayuntamiento de LIzarra. E a biblioteca do Ayuntamiento de Cirauqui, cuja passagem por dentro é fantástica. Aliás, o percurso deste dia fica marcado pelo carater muito medieval das terreolas, lindas. Como disse, para mais tarde revisitar. Ainda aqui estou e já tenho vontade de voltar, mas acompanhado por aqueles de que muito amamos. Puro desejo de partilha.
Ao nosso lado caminha uma cordilheira vistosa, assim como as eólicas, do outro lado. A páginas tantas encontramos a figura de Virgem Maria, meio perdida lá no alto.
Em Lorca paramos para comer. Que larica, meu Deus. O problema é mesmo parar. Aí, apetece ter um mercadinho aberto para empanturrar. Em Ayegui vamos ao Lidl. Já haviamos comido, mas teriamos de reforçar o farnel para a noite e pequeno almoço do dia que se seguirá.
O tempo melhorou a partir do meio do dia e finalmente tiro o casaco quente. Antes de Monjardin um troço verdadeiramente difícil, misto de estradao e single track, com pendentes fortes.
Ficamos em Los Arcos, um albergue 5 estrelas, muito bem gerido por dois belgas, casal, que se apaixonaram pela zona, com cozinha e cujo ambiente é bastante acolhedor, o que desconheciamos e que irá alterar os nossos planos futuros relativamente à comida.
No final do dia, e depois de Zubiri, onde corremos todos 30' bem puxadinhos, por minha culpa, também corremos aqui, desta feita 45' mais suaves.

Há um agardecimento especial que tenho de fazer. Ao meu amigo Mário, também ele peregrino, mas dos verdadeiros, que teve a bondade de me emprestar os seus alforges, mas acima de tudo a lembrança da cruz que me enviou por intermédio do Pajó para que a viagem me estivesse protegida. Muito obrigado, Mário. Agora, estou duplamente protegido, uma vez que também a minha-mais-que-tudo também me havia emprestado um símbolo religioso que transporto religiosamente junto com o meu pendente, para estar sempre abençoado. Obrigado também a ti, minha querida.

Abraços a todos os companheiros.

1 comentário:

Pedro Brandão disse...

GRande aventura e grande viagemm amigo. Muito boa sorte para todos.Gozem bem essas paisagens magnificas. GRande abraço