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EMG Lignano Sabbiadoro 2011: A Prova!

08/10/11







Introdução

Tenho um amigo muito próximo de quem irei ser a voz para relatar aquela que terá sido uma experiência...diferente, na sua vida desportiva e também social. Durante uma semana serei a sua voz para vos dar a conhecer o que ele terá vivido, procurando ser-lhe o mais fiel que esteja ao meu alcance na tradução das suas emoções durante o período em que ele esteve presente no European Masters Games 2011- Lignano Sabbiadoro, Itália.
As histórias e as estorietas irão-se sucedendo, também à medida das possibilidades, leia-se tempo, que eu terei para as relatar. Hoje iremos começar pelo dia da prova principal. Afinal, aquela para a qual ele procurou preparar-se o melhor que lhe foi possível - o Triatlo.


A Prova!

Conta esse meu amigo que havia nele e nos seus companheiros portugueses de jornada, já que ele não viajou sózinho, alguma expetativa pelo dia da prova, cuja data terá sido antecipada ainda estavam todos em Portugal. Como a partida se efetuou com algum tempo de antecedência, e também porque havia a curiosidade de saber como eram de facto organizados uns jogos que se intitulavam os jogos olímpicos para veteranos, terá havido algum tempo prévio que, como tal, obriga à continuação da preparação para o evento.  Tudo isto para dizer que desde cedo esse meu amigo e também os outros companheiros, ter-se-ão apercebido de que a nível organizativo havia alguma confusão. Por exemplo, estando prevista a utilização da piscina da cidade de Lignano, precisamente situada no parque de turismo para onde o evento estaria agendado, terá ficado bastante surpreendido quando afinal soube que teria de desembolsar 5 aérios por cada hora de utilização. Claro, nem pensou duas vezes; o tempo quentíssimo, ao nível do melhor verão de Portugal, a água tranquila ou quase, e os treinos de nado iriam ser desenvolvidos ali mesmo, na extensa praia que banha Lignano. Mas, havia mais exemplos de alguma desorientação ou falha de comunicação, como refere este meu amigo: inicialmente os veteranos acima de 50 anos iniciariam a prova às 10h do dia agendado, mais tarde seria às 11h. Acabou por ser às 10h efetivamente. Depois, no stand da acreditação, onde toda a informação necessária circula e se transmite, havia apenas um papel a indicar que haveria uma reunião técnica na véspera do evento. Bom, não terão sido sinais muito animadores para uma organização que, segundo confirma  o meu amigo, estava a funcionar bem no atletismo, modalidade mais participada.
Lá chegou o dia da reunião técnica, após algumas sessões de treino onde a dificuldade maior terá sido treinar o...ciclismo. Porquê? Assim que este meu amigo e os seus companheiros de jornada saíam de Lignano, levavam logo com uma estrada de faixa dupla onde a velocidade dos motores era no mínimo intimidadora. O desconhecimento da região também não ajudava e teve de ser assim mesmo.
Chegados à reunião técnica, deparou-se-lhes o insólito de não haver uma liderança de comunicação. Às tantas, toda a gente falava com toda a gente e havia até sessões de explicação individual, quando, refere o meu amigo, teria sido muito fácil usar um powerpointzinho, tim-tim-por-tim-tim e depois esclarecer as dúvidas. Resumindo; o meu amigo diz que ficou com a ideia de que teria de se dar muita atenção ao percurso de corrida porque eram voltas a mais (5) e que tinham o início precisamente 750 metros após o parque de transição, bem em cima da reta da meta. E sendo os atletas os responsáveis pela contagem das voltas, todo o cuidado seria pouco, confessa este meu amigo.
No dia seguinte, depois de uma noite bem dormida, dirigiu-se mais os companheiros para o local do evento, bem a tempo, como gosta de frisar, e deu-se conta de que aparentemente tudo estaria a funcionar em pleno. O spot de natação era uma praia onde várias vezes havia treinado, assim como o percurso de ciclismo. Até o curso de corrida havia sido ensaiado, mas enganou-se, não seria bem por ali. Portanto, tudo a postos. O nível de preparação não estaria no seu auge, mas permitiria uma disputa digna, afiançou. 
Uma vez mais, lá fez a sua ativação, mesmo que a natação seja sempre quase ou em cima da hora. Portugueses. A organização, ao contrário das indicações deixadas até aqui, estava impecável. Confessa que até a contagem do tempo de espera ia sendo anunciada; 15' para a partida...10'...5'..3'...1'...cornetada para cumprir a distância sprint.
Um dado interessante revelado por este amigo é que tendo a praia uma longa zona mar adentro ainda com bastante pé, houve que recorrer durante alguns metros à técnica do golfinho. A surpresa estar-lhe-ía reservada quando e após umas braçadas se encontrava...na liderança. Nunca tal havia acontecido. Certo que fazia frente a veteranos acima de 50 anos, mas também a todas as mulheres e muitas há que nadam que se fartam. Não era o caso. A natação nem lhe corria assim nada de especial, mas conseguiu contornar a primeira e a segunda boia em primeiro lugar, também porque, assume, um austríaco que nadava ao mesmo nível, navegava muito mal. Porém, antes de contornar a 3ª e última boia aparece-lhe um italiano cuja braçada lhe fez inveja. O cansaço era evidente, mas a saída estava mesmo ali. 3º a sair da água e 2º a chegar ao parque de transição. E os companheiros em delirio. Incentivavam-no sem parar, arrepiavam-se de tanto orgulho por sentirem esse amigo calar as vozes dos chauvinistas italianos. A verdade é que segundo ele o italiano foi mais forte no ciclismo, contrariando as suas próprias expetativas, e terá acrescentado aos 20'' segundos ganhos na natação, quase 2' no ciclismo, caraterizado por um percurso totalmente plano, apenas marcado pela força de algum vento num dos sentidos. Bom, parece que também a bicicleta terá ajudado aos ganhos. A partida para o último segmento terá sido excitante. O italiano ía mal ou não conseguia ir melhor, e o nosso luso partiu forte, muito mais forte que o outro companheiro. O 3º...muito distante, demasiado para poder importunar sequer. Os incentivos e gritos do nome deste meu amigo não paravam, mas estava na hora de também eles competirem. Ficou apenas o Piçarra, o homem da pista (800 e 1500m). O suficiente para lhe dar ânimo, se é que lhe faltava. Confessa-me ele que na cabeça lhe passaram várias coisas, mas uma estava certa; o 2º L ninguém lho tiraria. Só que...ganhava mais de 30'' em cada volta, cuja contagem, não esqueçam,  começava bem mais à frente de se ter iniciado o percurso. E surpresa; ainda durante a 4ª volta, o amigo vislumbra o italiano. Aproxima-se rápido e fica na dúvida sobre que estratégia a tomar; fica com ele e acelera na última volta, já próximo da meta? Acelera já ali? Era tudo uma novidade. Nunca se tinha encontrado numa posição como esta. Só que o ritmo era de tal maneira diferente que teve mesmo de ultrapassar o seu adversário. O Piçarra delirava. Estava mais eufórico que o protagonista. E quando o meu amigo passou por ele disse-lhe "ainda me falta uma volta". A seguir a cabeça estava cheia de coisas boas, mas acima de tudo ele dizia para si mesmo que ainda não tinha acabado, mas que estava quase quase a ganhar uma prova de triatlo e para mais internacional. Sente que se afasta do italiano e decide controlar a corrida, não vá o diabo tecê-las. Aproxima-se uma zona de abastecimento e já se ouve o speaker da prova a anunciar o fim para o portuguese e italiano. Como? Naquele momento ele insiste que o portuguese vai vencer e o portuguese fica na dúvida; segue ou não segue para mais uma volta? Mas o speaker anuncia sempre que o portuguese vai ganhar e o portuguese na dúvida segue em frente. Assim como o italiano. E as sensações nunca experimentadas; cortar a fita em 1º, à frente de todos os da sua bateria. Sem espinhas! O terceiro estava a 8'. Parabéns, felicitações e entrevista conjunta com o simpático e calmeirão italiano para a Rai sport2 que fazia a cobertura do evento. O amigo ouve em italiano e responde em inglês. O italiano...claro.
O Piçarra entretanto aparece e diz-lhe que esperava por ele mais uma vez, como ele lhe havia dito. Ele sorri, diz que não que era para acabar e acabou...mal! Mais tarde, aparece um elemento do júri que lhe diz que lhe falta uma volta. Os dois primeiros classificados ficam atónitos. A primeira reação é de enorme frustração. Acertam estratégia. Desculpam-se com o speaker, mas...dizem-lhes que eles sim, eram os responsáveis pela contagem das voltas. O meu amigo nem quer acreditar. O italiano ainda decide completar a prova. O meu amigo diz que não fazia qualquer sentido. Acima de tudo sentia-se responsável por não ter tido mais confiança em si próprio. Grande golpe de teatro final. A prova fica manchada. Fez apelo à organização para que imperasse o bom senso, já que o resultado final havia sido tão inquestionável, apenas adulterado pela indução em erro, mas que acataria qualquer que fosse a sua decisão. O meu amigo, assim como o italiano, ainda foi responsabilizar o speaker que não tinha nada de prestar erradas informações. Mais, de induzir os atletas em erro. 
Aquando da entrega das medalhas, esse amigo meu ainda ficou para assistir e, sem o desejar, escorreram-lhe todas as frustrações face abaixo.

Já em casa, consultando o seu email, um chamou-o à atenção. Tratava-se do regulamento da modalidade para a prova. Constata que houve um erro grosseiro da organização e que poderia ter-lhe dado razão se reclamasse; à frente do líder da prova deveria seguir um guia, pedalando! Por isso, é tão importante ler com atenção os regulamentos. 

Abraços triatléticos, companheiros.



2 comentários:

Rui Pena disse...

oh Correia... arre caramba. agora percebo. forca com isso. vamos la continuar.

abraco. rui

Anónimo disse...

Grande João, és o nosso CAMPEÃO.

Um Grande Abraço

Zé Botelho